A Câmara Municipal de Goiânia (GO) recebeu o Projeto de Lei do vereador Clécio Alves (PPS) que institui o Programa de Reaproveitamento de Águas provenientes de lavatórios, banheiros e da chuva. O tema foi sugerido pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, Augusto Almeida Netto, em audiência realizada na Casa Legislativa.
Inspirado pela recente aprovação de um projeto semelhante na Câmara de Curitiba, capital do Paraná, o vereador pretende que Goiânia reutilize as águas servidas de chuveiros, banheiras, lavatórios e pluviais para uso em descargas de vasos sanitários e mictórios.
A proposta é que a prefeitura ofereça orientação técnica e conceda incentivos aos donos de habitações que se inscreverem no programa para realizar as adaptações em seus imóveis. O projeto de lei exige que a regulamentação do programa conte com pareceres técnicos de órgãos da construção civil que estejam vinculados a atividades de preservação e conservação do meio ambiente.
O vereador Clécio Alves tem outro projeto de lei relacionado a recursos hídricos tramitando na Câmara de Goiânia, impondo sanções a quem promover o desperdício de água com varrição hidráulica, vazamentos nos encanamentos, lavagem incorreta de veículos e outros usos.
Por se tratar de uma alternativa recente no País, o aproveitamento da água de pias e chuveiros ainda está em fase de formatação comercial e tecnológica. Os sistemas prontos (kit) que estão à venda parecem ser superdimensionados em relação à necessidade referida no projeto de lei, pois abrangem o tratamento completo do esgoto do imóvel e não o processamento de alguns poucos ralos de água.
Uma versão próxima do almejado, as mini-estações de tratamento de água e esgoto indicadas pelo IDEHA – Instituto Para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica são sistemas modulares, fabricados em plástico atóxico, para saneamento e reuso de água. Seu uso é adequado para residências, indústrias, fazendas e para situações em que não haja atendimento pela rede pública. A água processada pode ser reusada para descarga de vasos sanitários, lavagem de piso e automóveis, regas de horta e jardins.
As mini-estações realizam tratamento biológico, removendo a carga orgânica contida na água pela ação bactérias, reduzindo o nitrogênio e fósforo e patógenos que podem transmitir doenças e contaminar o lençol freático. Essa ação permite que a água seja devolvida ao meio ambiente sem quaisquer riscos ou mesmo reaproveitada para funções não-potáveis. O sistema atende às normas ABNT NBR 7229/93 e NBR 13969/97.
Água da chuva
A captação de água da chuva tem tecnologia de ponta, usada no mundo inteiro. O sistema é formado por calhas, um filtro para separação mecânica de resíduos, uma cisterna de água e uma bomba, entre outros acessórios menores.
A implantação do sistema numa residência é relativamente barata: o kit de filtros e processadores fica em torno de R$ 1,3 mil mais os valores relativos à construção da cisterna e à instalação de tubos e calhas comuns, encontrados em qualquer obra.
Usos múltiplos
O sistema consiste em captar a água de chuva que cai no telhado, na varanda ou numa laje. A água é então levada para um filtro, onde são retiradas folhas, galhos e outras impurezas mais grosseiras. Dali, segue para uma cisterna, onde fica armazenada para uso doméstico que não demande água potável.
Nas casas, a água de chuva pode ser utilizada não só em banheiros, mas para lavar roupas, pisos e carros. Na área rural, o uso na irrigação é de suma importância, já que no setor existe a utilização intensiva e desperdício crônico de água. Nas indústrias, as chuvas servem para serviços de limpeza, climatização interna e resfriamento de telhados e de máquinas, entre outros.
Com a implantação do sistema, pode-se poupar de 30% a 50% da água encanada proveniente de empresas de abastecimento. Essa vantagem, acrescida de incentivos municipais, poderá amortizar o custo de instalação do sistema e proporcionar economia de dinheiro e preservação da água.
Fonte: CBH – Meia Ponte – www.meiaponte.org
Leave a Reply