A agricultura e a poluição das águas

Eduardo Cyrino de Oliveira-Filho

A poluição das águas tem sido uma das grandes preocupações da sociedade nos últimos anos. Nesse contexto, a agricultura vem sendo relacionada como uma das maiores fontes dessa poluição. Assim, os países têm feito esforços para gerenciar seus recursos hídricos, corrigindo os abusos, determinando as causas de degradação da qualidade da água e quantificando as muitas fontes que contribuem para a poluição.

O conhecimento atual indica que as operações agrárias podem contribuir para a deterioração da qualidade das águas por meio da liberação de vários materiais, tais como sedimentos, agrotóxicos, esterco animal e fertilizantes, entre outras fontes de matéria orgânica e inorgânica.

Muitos desses poluentes chegam às águas superficiais e subterrâneas via escoamento superficial ou infiltração no solo, também chamadas como fontes de poluição “não-pontuais”. A identificação, quantificação e controle dessas fontes é relativamente mais difícil quando comparada às fontes “pontuais” de poluição (criação de animais em sistemas de confinamento).

Todavia, a agricultura é geradora, e também vítima da poluição das águas. A utilização de águas contaminadas nas práticas de irrigação, por exemplo, pode comprometer a lavoura via fitotoxicidade, ou contaminar as folhas, ocasionando problemas de saúde nas populações consumidoras e nos próprios agricultores. Além disso, ainda há o risco de doenças via consumo direto da água, tanto pelos próprios agricultores quanto pelos animais.

Nesse contexto, a agricultura sustentável é um dos grandes desafios.

A sustentabilidade implica não somente que a agricultura garanta o suprimento alimentar das populações, mas que seus impactos ambientais, sócio-econômicos e sobre a saúde humana sejam reconhecidos e considerados nos planos de desenvolvimento das nações.

Assim, é importante destacar metas principais para a melhoria da qualidade das águas, dentre elas: redução do escoamento superficial, redução do uso de agroquímicos (fertilizantes e agrotóxicos) e controle dos efluentes produzidos pelos sistemas de criação de animais.

A utilização dessas estratégias, com certeza, terá como resultado a melhoria da qualidade das águas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de vida dos usuários dessas águas e das comunidades aquáticas

Boas práticas

A observação dos princípios de boas práticas agrícolas é de suma importância para o atendimento dessas premissas e as sugestões envolvem:

o manejo adequado do solo;

a qualificação e quantificação do adubo necessário;

o manejo integrado de pragas com a utilização de produtos de controle biológico;

além da implantação de técnicas e equipamentos para o tratamento e/ou disposição dos resíduos de animais.

Técnicas para manejo de solo, manejo integrado de pragas e manejo de resíduos animais estão disponíveis em várias publicações da Embrapa e outras instituições envolvidas com a agropecuária, e podem muitas vezes ser obtidas via rede internacional de computadores – “internet”, facilitando assim a obtenção das informações pelo usuário interessado na manutenção da qualidade dos recursos hídricos.

Autor

Eduardo Cyrino de Oliveira-Filho é pesquisador da Embrapa Cerrados e especialista em Impactos Ambientais e Ecotoxicologia.

E-mail: cyrino@cpac.embrapa.br

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