Nova ETE vai tratar esgoto de Cachoeiro do Itapemirim

Enquanto o governo federal retoma o debate sobre a legislação para a área de saneamento, convocando conferências estaduais e nacionais que vão demandar pelos menos mais seis meses de debate, muitos municípios estão buscando parcerias e fórmulas próprias para resolver os problemas da contaminação, por esgotos domésticos, de seus principais mananciais.

Este é o caso de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, que está entregando à comunidade uma nova estação de tratamento de esgoto (ETE), um investimento de R$ 35 milhões. A ETE, construída e operada pela Citágua Águas de Cachoeiro S.A., empresa privada que detém a concessão de água e esgoto da cidade há cinco anos, vai tratar todo o esgoto da zona urbana.

Até agora o Rio Itapemirim vinha recebendo uma carga de cerca de 21 milhões de litros de esgoto sem tratamento diariamente.

Além do tratamento de esgoto a Citagua modernizou e ampliou o sistema de abastecimento de água aumentando em 60% sua capacidade de atendimento.

Água tratada = saúde

A segunda reunião para o estabelecimento de uma rede Internacional para promover o tratamento e armazenamento seguro de água em casa, realizada na sede da organização Pan-americana da Saúde (OPS), em Washington, culminou com propostas de uso de tecnologias simples e econômicas, como a instalação de filtros de água ou de agentes de desinfecção, que proporcionam enormes benefícios para a saúde pública.

O plano estratégico da rede – um fórum constituído por entidades públicas e privadas – é cumprir para 2008 a meta de reduzir de forma significativa os casos de doenças que se transmitem através da água não potável, especialmente entre as crianças e as populações mais pobres, promovendo o tratamento e armazenamento seguro da água doméstica.

Atualmente há 1,1 bilhão de pessoas no mundo que não têm acesso à água potável. Esta situação afeta a 130 milhões de habitantes na América Latina e no Caribe. Os percentuais de população sem serviços de água potável e saneamento são 5 vezes mais altos nas zonas rurais de que nas cidades.

As cifras globais indicam que 4,5% da carga mundial de doenças são devidas ao uso de água não potável. Mais de 2,2 milhões de pessoas, em sua maioria crianças menores de cinco anos, morrem por causa de doenças diarreicas vinculadas à água insegura. E se calcula que as cifras destas doenças diminuiriam até em 40% se fosse melhorada a qualidade da água. Frente a este panorama, os painelistas destacaram que a água, assim como a saúde, são direitos humanos fundamentais.

Os especialistas explicaram que há pelo menos duas ferramentas para melhorar este panorama sanitário: estender o acesso à água potável e melhorar a segurança da água. Esta última alternativa pode implicar em um investimento inferior a US$ 6,00, o que demonstra seu valor custo-benefício.

Instituto Virtual da Água

A partir do Seminário de Tecnologia da Água, realizado dia 6 de junho, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, com o apoio da COPPE/UFRJ, anunciou a criação do Instituto Virtual da Água (I-Águas). Também foi lançado o selo azul da COPPE, para certificar as empresas que usam racionalmente a água e preservam a qualidade dos rios.

Para o professor Paulo Canedo, coordenador do Laboratório de Hidrologia da COPPE/UFRJ e um dos principais idealizadores do I-Águas, o Instituto é uma oportunidade impar para articular o conhecimento técnico-científico sobre as bacias hidrográficas no estado e colocá-lo a serviço de uma política integrada de recursos hídricos. A entidade reúne em seu Conselho Diretor, além das duas secretarias citadas, representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), da Eletrobrás, da Finep, do BNDES, da Faperj, da Firjan/Sebrae e de centros de pesquisa vinculados à questão da água.

O Governo do Estado solicitou à COPPE o desenvolvimento de parâmetros quanto ao uso ambientalmente correto das águas, permitindo às empresas que respeitarem tais padrões adotarem o Selo Azul da COPPE. Este selo, inédito no mundo, funcionará como um certificado de que a empresa trata a água de forma adequada, evitando o desperdício e a poluição.

O principal rio que passa pelo estado, o Paraíba do Sul, nasce em São Paulo e sua bacia recebe importantes afluentes em Minas Gerais, como o Rio Pombo, que foi alvo de grave desastre ecológico por causa do rompimento do tanque de rejeitos químicos da indústria de papel Catáguazes, em 27 de abril, comprometendo o abastecimento de água de oito municípios fluminenses banhados pelo Paraíba e revelando a vulnerabilidade ambiental a que estão expostos os rios essenciais ao desenvolvimento regional.

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