Sônia Corina Hess
A quantidade de água disponível é o fator ambiental mais importante atuando sobre a distribuição da vegetação em nosso planeta, sendo que quanto maior disponibilidade de água, maiores as possibilidades da vegetação se desenvolver. Por outro lado, a influência da vegetação sobre a distribuição da água no planeta é fundamental, o que muitas pessoas não se dão conta. As plantas têm influência direta sobre a distribuição das chuvas, umidade do solo, e volume dos rios.
Quando a chuva cai em uma mata ela escoa lentamente pelos troncos e folhas das árvores e alcança o solo de forma suavizada, sendo em grande parte evaporada ou absorvida antes de chegar ao chão. A camada de matéria orgânica que recobre a superfície do solo funciona como uma “esponja”, retendo grande parte da água que cai das plantas. Compare o comportamento da água da chuva quando cai sobre uma calçada, sobre a grama e sobre as árvores. Observe e perceba as diferenças!
Em uma floresta tropical úmida, como a Floresta Amazônica, em cada acre de floresta há centenas de árvores, cada uma tendo milhões de folhas. Setenta e cinco por cento de toda a água que evapora da floresta (quantidade entre 4.000 a 6.000 toneladas de água por hectare de floresta ao dia) é produzida pela transpiração das folhas. Esta transpiração faz aumentar a umidade do ar, causando chuva. Graças a este processo, grande parte das chuvas e da elevada umidade que as florestas tropicais úmidas necessitam para sobreviver são criadas pela própria floresta!
É importante ressaltar que a capacidade das plantas de reter água e de restituí-la à atmosfera condiciona o regime hídrico em escala regional e também global.
Em um ano, a quantidade de água que passa das plantas à atmosfera, através da transpiração, é quase o dobro da quantidade de toda a água que chega com os rios aos oceanos. A água que evapora dos oceanos é a principal fonte das precipitações que ocorrem no planeta, mas é a vegetação que controla a circulação de quase metade de toda a chuva que cai sobre a Terra.
Assim, pode-se imaginar quais as conseqüências sobre o clima, de um desmatamento em grande escala. Estudos científicos demonstraram que, se metade da Floresta Amazônica fosse derrubada e reduzida a savanas (tipo de vegetação caracterizado por um estrato baixo, dominado por gramíneas com subarbustos de folhas grandes e duras e outro formado de árvores baixas, retorcidas e afastadas entre si, de cascas grossas e fendidas), as precipitações diminuiriam 30%, alterando todo o clima da Terra.
Apesar dos riscos para o clima do planeta, devido às derrubadas das florestas tropicais,, desmatamentos têm ocorrido em grandes proporções. Se medidas severas não forem tomadas e tal destruição prosseguir, as alterações climáticas deverão se tornar mais drásticas, trazendo o risco de grandes desastres a um número cada vez maior de pessoas.
Erosão e desmatamento
Se grandes áreas de florestas tropicais são cortadas, menos água evapora naquela área, chove menos, e a floresta não pode reaparecer. Cria-se uma nova comunidade vegetal, adaptada à menor umidade, e que por sua vez tem menor capacidade de reciclar a água que cai com as chuvas.
O desmatamento também reduz a capacidade do terreno de reter água. Quando esta escorre muito rápida, arrasta a camada superficial do solo, onde havia a comunidade de seres vivos que lhe conferiam fertilidade. Ocorre aceleração do processo de erosão e concomitante perda de fertilidade do solo, que caracterizam o início da desertificação.
Os materiais arrastados com a água vão se acumular no fundo de rios, lagos e fontes ocasionando o seu assoreamento (obstrução, por areia ou por sedimentos quaisquer, geralmente em conseqüência de redução da correnteza).
Autora
Sônia Corina Hess, Engenheira química com pós-doutorado em Química pela Universita Cattolica Del Sacro Cuore Instituto Di Chimica e Chimica Clinica (UCSC) na área de Química dos Produtos Naturais, Itália; pós-doutorado em Química pelo Departamento de Química Orgânica da Universidade de Campinas (Unicamp) na área de síntese orgânica; professora e coordenadora do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
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