Prioridade às crianças é destaque no Dia Mundial da Saúde

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Opas – Organização Pan-americana de Saúde promoveu diversas atividades ligadas ao tema “O futuro da Vida: ambientes saudáveis para as crianças”. Segundo dados da organização, as crianças da América Latina e do Caribe, que representam 1/3 da população total da região, enfrentam um duplo desafio quanto aos riscos oferecidos pelo ambiente onde vivem. Elas estão expostas tanto a problemas do subdesenvolvimento (água contaminada, falta de saneamento básico, desnutrição, pobreza, doenças transmissíveis) quanto a problemas emergentes, associados ao desenvolvimento, como poluição e urbanização acelerada.

“Toda a criança tem direito à Saúde e nenhuma delas deveria sentir-se com a saúde ameaçada devido a riscos no ambiente familiar, escolar e na comunidade”, diz a Dra. Mirta Roses Periago, Diretora da Opas. “O desenvolvimento futuro destas crianças – e do mundo – depende do quanto elas gozam de boa saúde na infância”, salienta a Dra. Gro Brundtland, Diretora-Geral da OMS – Organização Mundial de Saúde.

Duas das cinco principais causas de morte em crianças latino-americanas e caribenhas com menos de cinco anos são causadas por doenças relacionadas à qualidade ambiental: 8% das mortes ocorrem por doenças diarreica agudas e 11% por doenças respiratórias. No Brasil, 16,8% das mortes na faixa etária entre 1 e 4 anos ocorreram devido a doenças infecciosas e parasitárias e 19,3% por doenças respiratórias (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD)/IBGE, 1998).

Boa parte das enfermidades associadas ao meio ambiente, bem como as mortes decorridas delas, podem ser prevenidas, com grande benefício aos países. Pesquisas sugerem que a cidade do México poderia se beneficiar de cerca de US$ 2 bilhões por ano se as autoridades reduzissem em apenas 10% a matéria particulada presente no ar. Há seis grupos de riscos ambientais cujo combate é considerado prioritário: contaminação da água, falta de higiene e saneamento básico, poluição do ar, doenças transmissíveis, substâncias químicas perigosas e acidentes.

Baseada na severidade dos efeitos à saúde e no potencial positivo, do ponto de vista de custo/benefício, de certas intervenções, a estratégia desenvolvida pela Opas estabelece cinco áreas prioritárias de trabalho: fornecer água potável e saneamento básico; melhorar a qualidade do ar em ambientes externos e internos; combater a exposição ao chumbo e outros mais pesados; combater a exposição a pesticidas; combater vetores transmissores de doenças parasitárias, como a malária.

As crianças são especialmente vulneráveis aos riscos ambientais devido à sua fisiologia, seu status social e seu comportamento. Elas estão em crescimento e consomem, em proporção a seu peso corporal, mais comida, ar e água que os adultos. Estão, portanto, mais suscetíveis a sofrer efeitos da poluição do ar e de alimentos e água contaminados.

Além disso, seus sistemas imunológico, digestivo, reprodutivo e nervoso ainda estão em desenvolvimento e têm, portanto, menos capacidade de transformar e eliminar substâncias nocivas, ou mesmo desintoxicar-se. Pelo menos meio milhão de crianças em todo o mundo estão hoje debilitada como conseqüência de doenças como esquistossomose, dengue, febre amarela e cólera. No Brasil, 16% dos domicílios de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos não contam com abastecimento de água adequado e 51,2% não têm saneamento básico, números que, só na região Nordeste, alcançam as cifras de 38,8% e 79,1%, respectivamente.

O próprio comportamento infantil é outro fator de risco: as crianças são naturalmente curiosas, têm menos noção do perigo, em certas idades levam à boca tudo o que pegam e costumam engatinhar e brincar muito próximas ao chão, onde a maior parte de produtos químicos, poeira e germes se concentram. Outro aspecto do problema é que, em muitos países, as crianças fazem parte da força de trabalho, desde muito cedo. Segundo dados do IBGE, 37,2% das crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos no Brasil trabalham mais de 40 horas por semana.

A maioria das doenças e comportamentos que levam a enfermidades, ao longo da vida de um indivíduo, têm origem na infância. Crianças com doenças crônicas e deficiências de longo prazo não se tornarão cidadãos saudáveis e produtivos. A pesada carga de riscos ambientais à Saúde prejudica o desenvolvimento econômico e social dos países.

No final dos anos 90, a China perdeu 7,7% de sua potencial produção econômica devido a doenças causadas pela poluição: as mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e por infecções do trato respiratório responderam por 21% de todos os óbitos registrados no país. Nos Estados Unidos, segundo dados da Associação Americana de Centros para Tratamento de Controle de Intoxicações, 61% dos casos de intoxicação não ocorridos em ambiente de trabalho acontecem com crianças menores de 6 anos. Calcula-se que, só nos Estados Unidos, o custo anual de determinadas enfermidades ambientais da infância chega a US$ 55 bilhões.

Curso

O Instituto Olho D´Água em parceria com o SEBRAE-RJ promove, de 12 a 15 de maio um curso sobre Auditoria Ambiental. As aulas serão ministradas na Pça. Pio X, 119 – Candelária – Rio de Janeiro, das 18h às 21 h. Informações / Inscrições: SEBRAE Cidade Universitária – e-mail: ioda@ioda.org.br

MEC e Ibama na Educação Ambiental

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, acertou parceria com o presidente do Ibama, Marcus Luiz Barroso Barros, para a capacitação de 1 milhão de professores do ensino fundamental e médio na área de Educação Ambiental. O acordo prevê a formação de um grupo de

trabalho interministerial para redefinir a inclusão de temas ambientais de maneira transversal, como prevêem os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais.

Segundo o presidente do Ibama ficou acertado que o primeiro objetivo “é mudar a cabeça dos professores”. O projeto prevê, além da capacitação dos docentes do ensino fundamental, a adequação curricular de maneira a assegurar a transversalidade. Luiz Barroso avalia que assunto tem que estar “transversal” inicialmente no tratamento dado pelo Governo. “Temos que envolver MEC, ministério do Meio Ambiente e todos os demais”, afirma ele.

Medalha para o Lixo e Cidadania

O Fórum Nacional Lixo e Cidadania recebeu a Medalha comemorativa dos 100 anos da Organização PanAmericana de Saúde, OPAS, por seu esforço em favor da saúde das crianças catadoras de lixo. A medalha foi entregue em cerimônia realizada no Dia Mundial da Saúde, com a presença do Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, o representante da OPAS no Brasil, Jacobo Finkelman, o Ministro da Saúde, Humberto Costa, o Governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, e outras autoridades.

Quem recebeu a medalha, em nome do Fórum, das mãos do representante adjunto do UNICEF no Brasil, Craig Loftin, foi a menina Joelcimara Miranda do Nascimento, de São Bernardo do Campo, que trabalhava no lixão do Alvarenga, no município, e que agora estuda e participa de programas complementares à escola. Seus pais também deixaram o trabalho no lixão e agora fazem triagem e comercialização dos recicláveis obtidos com a coleta seletiva implantada na cidade.

Nos discursos do Ministro da Saúde e do próprio presidente, o tema do trabalho degradante nos lixões mereceu referência privilegiada. Humberto Costa, ao se referir às condições ambientais que impactam a saúde, destacou a vergonha dos lixões; lembrou dados do IBGE, da PNSB 2000, que indicavam que 22% dos catadores eram crianças, menores de 14 anos, e salientou a importância da erradicação dos lixões e implantação de aterros sanitários.

Quanto à implantação de aterros sanitários em todos os municípios o ministro afirmou que isso será difícil em quatro anos, é preciso muito dinheiro. Mas lembrou que muitas coisas podem ser feitas com pouco dinheiro. E que uma delas, com certeza, é oferecer aos trabalhadores dos lixões galpões, uniformes, luvas e equipamentos de proteção, para que possam trabalhar com segurança, pois certamente daí poderiam extrair o sustento de suas famílias.

Concurso

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – está abrindo concurso para o cargo de Pesquisador II, na área de couro e pele, e para o de Técnico de Nível Superior III, na área de Suporte Operacional e Instrumental (Análise Genômica). O concurso é destinado à formação de cadastro reserva e ao preenchimento gradual de vagas, respectivamente nas Unidades Embrapa Gado de Corte (Campo Grande – MS) e Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG). O edital do concurso foi publicado no Diário Oficial de segunda-feira, dia 7 de abril, e está disponível na Internet, endereço da Embrapa

onde os interessados terão também acesso aos perfis dos cargos, programas e instruções.

As provas serão realizadas no dia 1º de junho deste ano. Os candidatos podem escolher fazer as provas objetivas nas cidades de Campo Grande (MS), Juiz de Fora (MG) ou Rio de Janeiro (RJ). As entrevistas técnicas, segunda etapa do concurso, serão realizadas apenas em Campo Grande e Juiz de Fora, onde estão situadas as Unidades da Embrapa contempladas pelo concurso.

Para ambos os cargos, é preciso que o candidato tenha mestrado. Os salários são R$2.549,00 para Pesquisador e R$2.369,00 para Técnico, além do adicional de 15% pelo título de mestre. Caso o candidato tenha doutorado, além do salário base, receberá 30% de titularidade.

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