Brasil é o 10º exportador mundial de água virtual

Carlos Tautz

O Brasil é o 10º maior exportador de “água virtual” do mundo. Na lista encabeçada pelos Estados Unidos, que anualmente vende ao exterior em média 164 milhões de metros cúbicos de água, o país foi responsável pela comercialização no mercado internacional, entre 1995 e 1999, de uma quantidade entre 10 e 100 milhões de m³ de água embutida em produtos. A maior parte deles teve como destino a Europa.

“Água virtual” é o conceito utilizado por cientistas para calcular a quantidade de água necessária para produzir um determinado bem. “É virtual porque, após o bem ser produzido, quase não contém mais água”, explica Arjen Hoekstra, do Instituto Internacional de Infra-estrutura Hidráulica e Engenharia Ambiental (IHE), da Holanda.

De acordo com levantamentos do Conselho Mundial da Água (CMA), cada quilo de pão gasta 150 litros de água para ser produzido. No caso da batata, são utilizados entre 100 e 200 litros de água, enquanto a mesma quantidade de arroz consome 1.500 litros. Cinco mil chips de 32MB, cada um pesando 2g, consomem 16 mil litros de água, no total, para serem fabricados.

Durante o Fórum Mundial da Água, Hoekstra, principal especialista internacional na matéria, defendeu que “os países levem em consideração o volume de água embutida em suas exportações e importações”. É bom o Brasil prestar atenção ao conselho do professor. Hoje, todo o território brasileiro, segundo a Unesco, agência da ONU para a Educação, encontra-se em leve risco de escassez de água. Mas, até 2025, a falta absoluta de água pode atingir porções enormes do

“Quase 20% da água mundialmente consumida na agricultura é comercializada com outros países sob a forma de produtos derivados das mercadorias agrícolas”, calcula Hoekstra. “É um volume enorme de água, uma vez que todos os anos quase cinco trilhões de metros cúbicos de água são utilizados na agricultura e perto de um trilhão de alguma forma vai parar no comércio entre nações”, disse.

*O repórter viajou a convite da Fundação Ford – Jornalista Carlos Tautz – tautz@ecoagencia.com.br – EcoAgência de Notícias

Um quadro dramático

Essas são algumas da manchetes dramáticas que emergem da reunião de Quioto:

1.4 bilhão de pessoas sem acesso à água segura;

2,3 bilhões sem acesso a esgotamento sanitário;

7 milhões de mortes por ano devido a doenças causadas pela falta de água segura, sendo 2,2 milhões de crianças até cinco anos;

Enquanto o consumo diário por pessoa/dia é de 600 litros na América do Norte e Japão, fica entre 250 a 350 na Europa e cai para 10 a 20 litros na África sub-sahariana. A cota mínima estabelecida pela ONU é de 50 litros/habitante/dia.

Fonte: “World Water Vision, Making water everybody!s business”, World Water Council, March 2000

Água e clima

Com base em dados de 1950 a 1998, o número de inundações catastróficas vem aumentando consideravelmente no mundo. Só no período de 1971 a 1995 afetaram 1,5 bilhão de pessoas, com 318 mil mortes e 81 milhões de desabrigados, segundo a Cruz Vermelha Internacional.

Fórum no Brasil

O Brasil pode sediar a quarta edição do Fórum Mundial das Águas, que acontece em 2006. Também estão na disputa o México, a Turquia e o Egito, que leva clara vantagem porque seu ministro dos Recursos Hídricos e Irrigação, Mahmoud Abu-Zeid, tambem é presidente de uma das mais influentes organizações empresariais do setor, o Conselho Mundial da Água (CMA).

A decisão será tomada em duas etapas. A primeira acontece em 27 de junho, quando uma seleção preliminar acontece em Marselha, França. A decisão final acontece na assembléia do Fórum, provavelmente na mesma cidade.

A primeira edição do evento aconteceu em 1997 no Marrocos. A segunda, em 2000, teve lugar na Holanda e a terceira, ao custo de pelo menos US$ 10 milhões, iniciou-se no dia 16 e termina em 23 de março na cidade japonesa de Quioto. A primeira condição para o país concorrer ao posto de sede é o oferecimento formal de apoio do governo do país pretendente. Nenhuma Nação ainda tomou essa posição.

*O repórter viajou a convite da Fundação Ford – Jornalista Carlos Tautz – tautz@ecoagencia.com.br – EcoAgência de Notícias

Leave a Reply

Your email address will not be published.