Está dando o que falar o relatório do FMI, divulgado dia 05 de março, sobre o financiamento para as ações urgentes e necessárias para melhorar as condições de saneamento do mundo que o relatório da ONU, cujos tópicos estão em várias partes desta edição, deixa à mostra.
Segundo a avaliação de especialistas as principais recomendações são de que sejam incrementadas as garantias e subsídios aos investidores privados e retomados os empréstimos para represas e outras grandes obras hidráulicas. A crítica mais contundente ao chamado Relatório Camdessus que “promove o setor privado” e chega a admitir que “não há expectativa de um papel relevante do setor privado na área rural ou comunidades muito pobres (onde estão as maiores carências).
“O relatório insiste que a participação do setor privado seria uma condição prévia para que os países recebam ajuda internacional para melhorar sua infra-estrutura de saneamento, o que foi formalmente rejeitado na Conferência de Bonn em 2001”, diz uma avaliação feita pela International Rivers Network (IRN)
Um outro ponto contestado é o que se refere aos recursos necessários. Segundo a IRN as estimativas do FMI são super-estimadas exatamente porque contemplam tecnologias caras e consultores estrangeiros, ao contrário da tendência atual de adoção de tecnologias de baixo custo. E também reprisam, em várias parte do relatório, a importância e necessidade de “estocar” grandes quantidades de água, numa clara alusão e defesa das represas.
O fato é que o Fórum Mundial da Água promete ser tão ou mais polêmico do que a reunião de Johanesburg. E certamente não será um “passeio” para os que defendem que a simples “privatização” dos sistemas de água e esgoto seja a solução mágica para todos os complexos problemas dessa área. A reação que se desenha contra a privatização – o World Water Council, que promove e organiza o Fórum, já está sendo chamado de World Water Mafia – pode até ofuscar e deixar em segundo plano o grande número de relevantes temas e experiências que lá serão mostradas.
O que se espera é que saiam de lá muito mais do que Cartas de Intenções.
Quem quiser conferir o Relatório Camdessus pode acessar:
www.gwpforum.org/gwp/library/WaterReport.pdf
Boa leitura!
Cecy Oliveira – editora
A Vez dos Leitores
Queria destacar a importância da escolha do tema água para a edição 2003 do Prêmio Jovem Cientista em um momento em que o mundo inteiro debate as questões relacionadas com a conservação e preservação da água. É salutar um incentivo destes para que a nossa juventude que tem mostrado tanto competência e criatividade em vários campos também se interesse pelas questões da água. Mesmo porque vai estar nas mão deles defender esse nosso rico patrimônio.
Hilário Montes – São Paulo
Energia limpa
Aqui no Rio Grande do Sul, o governo estadual e a Fepam estão autorizando uma empresa Espanhola a explorar a energia eólica em Osório. Energia absolutamente limpa, sem qualquer agressão ao meio ambiente e ecossistema (imagine, que os agricultores continuarão a plantar arroz por entre os ventiladores) ,Quando penso na piracema impedida pelas represas, as áreas inundadas e por aí afora.
Samuel Castro
Créditos de carbono
Eu acho que quem polui excessivamente do que lhe é permitido, deve pagar por isso de alguma maneira!!!! Por exemplo, enviando verbas para a despoluição de algum rio, ou até mesmo ajudando a despoluir o próprio local onde se tem a sua fábrica.
Elisabeth Morais – E-mail: bethinha123@yahoo.com.br
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