Curitiba troca pneu usado por alimento

Foto: Guilherme Pupo/SMCS

O prefeito Cassio Taniguchi lançou na manhã do dia 21 uma inovação no programa Compra do Lixo. Agora, além de resíduos orgânicos, a população poderá trocar pneus velhos por alimentos. A decisão é pioneira no Brasil. Para cada cinco pneus velhos retirados das ruas será oferecida uma sacola com 10 quilos de hortigranjeiros. Os pneus recolhidos serão reciclados.

A decisão de incluir sucata de pneus no programa municipal Compra do lixo foi tomada por Cassio em novembro do ano passado, durante a campanha nacional do Dia D contra a dengue. “A destinação de pneus velhos é um problema sério para as cidades brasileiras”, disse o prefeito. “A troca por alimentos nos permite retirar das ruas os pneus usados, que são foco do mosquito da dengue, enriquecer a dieta da população mais carente e beneficiar o pequeno produtor agrícola de Curitiba e região”.”

Cerca de 200 pessoas entregaram pneus velhos e 2,5 toneladas de comida foram entregues. A primeira da fila era Luíza Cubas, de 40 anos. “Fiquei sabendo da troca fui com meu marido recolher pneus. Encontrei esses perto de casa”, disse. “É bom porque a gente leva comida para a família.” Luíza tem seis filhos com idades entre seis meses e 15 anos. Outro que fez a troca foi Moisés da Silva, de 13 anos, que encontrou quatro pneus de automóveis e um de caminhonete.

O programa Compra do Lixo foi criado em Curitiba há 14 anos para viabilizar a retirada de resíduos das comunidades mais pobres. Nos últimos cinco anos, 32 mil toneladas de lixo foram recolhidas dessa maneira. Em troca, a Prefeitura ofereceu no mesmo período 4,5 mil toneladas de alimentos.

“É preciso associar o problema do lixo à questão social e à saúde. Estamos abrindo mais uma oportunidade para a população colaborar com a limpeza da cidade”, afirmou o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto. O programa foi implantado em 28 comunidades carentes e beneficia 5 mil famílias. As associações de moradores cadastram os participantes e distribuem semanalmente os hortigranjeiros adquiridos pela Prefeitura por meio de convênio com a Federação Paranaense das Associações de Produtores Rurais (Fepar).

Coleta e disposição

O sistema de coleta e destinação final dos pneus velhos será gerenciado por um convênio firmado entre a Prefeitura de Curitiba, a Petrobras e a BS Colway. Os pneus coletados serão vendidos à BS Colway, que fica em Piraquara, onde serão picados e encaminhados à Petrobrás de São Mateus do Sul, para reciclagem na Usina de Xisto.

Quem foi ao lançamento na manhã desta sexta pôde fazer mais do que entregar os pneus. A Secretaria Municipal de Saúde montou barracas do programa Vida Saudável, onde as pessoas puderam verificar a pressão e o colesterol. Diversos panfletos com explicações sobre a dengue foram distribuídos.

O secretário municipal da Saúde, Michele Caputo Neto, mostrou a importância de se recolher os pneus espalhados a céu aberto. Segundo levantamento realizado pela secretaria, 51% dos focos do mosquito da dengue em Curitiba foram encontrados em pneus abandonados. Neste ano foram confirmados oito casos de dengue, em Curitiba, todos adquiridos fora do município. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, os mosquitos que nasceram em águas acumuladas em pneus são responsáveis por cerca de 20% dos casos de dengue.

Crianças e saúde

© WHO / P. Virot

Em 7 de abril de cada ano, o mundo celebra o Dia Mundial da Saúde com centenas de atos que ressaltam a importância da saúde para uma vida produtiva e feliz. Em 2003 o tema do Dia Mundial da Saúde são os ambientes saudáveis para as crianças. Através da criação de entornos saudáveis, na casa, na escola ou na comunidade poderiam ser salvas as vidas de milhões de crianças que morrem anualmente por doenças relacionadas com o meio ambiente.

No mundo, cada ano morrem 5 milhões de crianças entre 0 e 14 anos por doenças relacionadas com o meio ambiente. Na América Latina e no Caribe são mais de 80 mil mortes de crianças pelas mesmas causas.

Segundo dados da Associação Estado-unidense de Centros para o Tratamento e Controle de Intoxicações, 61 % dos casos de intoxicações que não são de origem ocupacional ocorrem em crianças menores de 6 anos. E también 16% das mortes por inseticidas. E este panorama não só tem um alto custo para a saúde infantil mas também para a economia do país. Só nos Estados Unidos se calcula que o costo anual de determinadas deonças ambientais da infância alcança a US$55 bilhões.

Estes desequilibrios ambientais afetam mais aos pequenos porque são mais vulneráveis aos químicos, contaminantes e degradações do meio ambiente pois seu sistema imunológico está em formação. Além disso, um ambiente degradado – sem água potável, alimentos seguros, árvores, segurança – é altamente propício à proliferação de insetos e gérmens que transmitem deonças como o paludismo, a dengue e a cólera, entre outras. E também podem provocar transtornos no desenvolvimento físico e intelectual da criança.

A mensagem da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), alusiva a essa data, é que promovendo ambientes saudáveis, tratando a água, utilizando alimentos seguros e criando espaços livres de contaminação, pode-se obter condições para que as crianças creçam fortes e se convertam em adultos saudáveis.

Gaitas da Amazônia

Fabricação de gaitas abre novo mercado para madeiras do Amazonas De importador, o Brasil poderá passar a ser um dos maiores exportadores de instrumentos musicais de qualidade internacional fabricados com madeiras da Amazônia que saem do país e quase sempre voltam transformadas em guitarras, pianos, violões, violinos, flautas, gaitas, etc.. É um mercado que se expande para as madeiras alternativas originadas de planos de manejo, para os fabricantes, as indústrias e os músicos profissionais, que poderão encontrar no país instrumentos com padrão de qualidade idêntico aos importados, porém a preços bem mais acessíveis porque serão produzidos no mercado interno com espécies brasileiras.

Exemplos mais clássicos são o Pau-Brasil (arco de violino), e o Jacarandá-da-Bahia (instrumentos de corda, como o violão), reflorestados exclusivamente para exportação com tal finalidade.

Trata-se do projeto “Avaliação de Madeiras Amazônicas para Utilização em Instrumentos Musicais”, coordenado pelo físico do Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, Mário Rabelo de Souza. Com a ajuda dos pesquisadores do Laboratório – Maria Helena de Souza e José Arlete Camargos, foram selecionadas 50 espécies para testes acústicos entre as 400 que o LPF está reanalisando cientificamente para uso em instrumentos musicais diversos – cada qual com uma metodologia específica.

As 50 espécies serão pesquisadas para uso inicial em 10 importantes instrumentos musicais de corda, de percussão, piano e outros que utilizam madeira comercializada no Brasil, para que o LPF/Ibama possa levantar suas características específicas e firmar parcerias com seus fabricantes.

Os resultados do trabalho serão divulgados em um inédito catálogo ilustrado com os instrumentos musicais manufaturados, acompanhados de CDs com sons que comprovarão seus potenciais acústicos, além dos nomes científicos e populares e das cores das cerca de 50 espécies selecionadas para tal uso.

A gaita diatônica profissional, antes só de plástico ou de pereira importada, já está sendo fabricada com dez espécies alternativas brasileiras. O instrumento foi lançado no dia 24 na comemoração do 14º aniversário do Ibama, com uma apresentação de blues e de diversos ritmos brasileiros.

Foram montadas seis gaitas fabricadas com as espécies amazônicas Açoita-cavalo, Ipê e Louro.

O projeto da gaita foi desenvolvido em oito meses. Na parceria, a Hering Harmônicas forneceu as placas de voz, o corte da madeira e as ferragens. O LPF/Ibama entrou com a escolha e a indicação das espécies, o tratamento das madeiras, a preparação das fichas e os testes de ressonância desenvolvidos pelo físico Mário Rabelo de Souza, além da montagem do instrumento.

Fonte: Ibama

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