Materiais reciclados a base de PET e cargas de coco

Marlon S. Santos, Marcos L. Dias e Elen B. Pacheco

O crescente desenvolvimento tecnológico da humanidade nos impele para dificuldades ambientais extremamente acentuadas em conseqüência de degradações e destruição dos recursos naturais. Desse modo, é cada vez mais necessário desenvolver novas formas de atuação, no que se refere aos aspectos econômicos e empresariais, por meio de um eficaz sistema de gerenciamento ambiental.

O politereftalato de etileno (PET) é largamente utilizado em embalagens sopradas, principalmente em bebidas carbonatadas. As fibras de coco (coir fibers) são materiais ligninocelulósicos obtidos do mesocarpo de cocos (cocus nucifera) (Figura 1), e se caracterizam pela sua dureza e durabilidade atribuída ao alto teor de lignina, quando comparadas com outras fibras naturais. Esses dois materiais possuem um tempo de vida útil bastante reduzido, o que contribui para o aumento do lixo sólido, principalmente nos grandes centros urbanos. Assim, é de suma importância o desenvolvimento de novas tecnologias que visem a diminuição desse lixo.

A reciclagem mecânica do PET, que é o método mais utilizado, consiste em um processo relativamente simples e barato de coleta, separação, lavagem, trituração, secagem e reprocessamento. Também é simples a obtenção das fibras de coco, processo que pouco evoluiu em relação à moderna tecnologia. O beneficiamento do mesocarpo do coco, ainda hoje, é praticado de forma artesanal, mas mantém-se um certo padrão de qualidade. No Brasil, esse processamento é realizado principalmente no nordeste e obedece a uma seqüência de ações mecânicas-biológicas.

Os compósitos reforçados com fibras naturais podem ser uma alternativa técnica e econonicamente viável em relação àqueles que usam fibras sintéticas, como a fibra de vidro. A incorporação de materiais ligninocelulósicos como componente reforçante em compósitos poliméricos tem recebido atenção crescente devido aos seus preços e volume de aplicações. Esses materiais apresentam diversas vantagens sobre materiais inorgânicos, podendo citar baixa densidade e grande deformabilidade.

Misturas de PET e carga de coco pós-consumo foram desenvolvidas no Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As propriedades de peças injetadas, dessas misturas, foram comparadas as dos compósitos PET e fibra de vidro obtidas nas mesmas condições.

A inclusão de cargas de coco à matriz polimérica de PET mostrou-se perfeitamente possível e o compósito apresentou propriedades mecânicas que possibilitam sua aplicação em diversos setores. O módulo de Young da mistura que utiliza cargas naturais é maior do que aquele entre PET pós-consumo e fibras de vidro, processados sob as mesmas condições, o que mostra o potencial do material.

Referências bibliográficas

[1] Silva,G.G.; Souza,D.A; MachadoJ.C.; Hourton,D.J. “Mechanical and thermal characterization of native coir fiber”, J. Appl. Polym. Sci. 2000, 76, 1197

[2] Mano,E.B; “Polímeros como materiais de engenharia” ; Editora Edigard Blücher Ltda., São Paulo, 1991

[3] Montenegro,R.S.P, Filha,D.C.M., Pan,S.S.K., “Resina PET para recipientes” BNDS, Setorial 1996, n 4

Autores

Marlon S. Santos, Marcos L. Dias e Elen B. Pacheco são professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadores do Instituto de Macromoléculas Profª Eloisa Mano da UFRJ

Curso

Esses resultados como outros de novas pesquisas serão mostradas no curso de reciclagem de PET, que será ministrado em março na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais informações no nosso site: www.niead.com.br.

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