UFSC constrói protótipo de habitação sustentável

Com o objetivo de demonstrar a viabilidade de tecnologias e materiais alternativos para a habitação popular, o Núcleo de Pesquisa em Construção da UFSC vai executar no campus universitário o protótipo de uma construção sustentável. O projeto tem a colaboração de profissionais de diferentes áreas e vai mostrar possibilidades como instalações elétricas otimizadas para baixo consumo de energia, uso de painéis solares para aquecimento da água e painéis fotovoltaicos para geração de energia, além de reutilização de água do lavatório e chuveiro. A iniciativa conta com recursos da Financiadora de Estudos e Pesquisas (FINEP), através do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare).

Além de apresentar inovações em sua concepção e projeto, a ‘casa modelo’ será construída com blocos de concreto produzidos com adição de cinzas da Termoelétrica Jorge Lacerda. Um outro concreto alternativo, onde a brita natural é substituída por pequenos pedaços de entulho da construção e demolição, e um concreto de alto desempenho, produzido com cinzas da casca de arroz, também serão usados. Com o emprego destes materiais, o Núcleo de Pesquisa em Construção, ligado ao Departamento de Engenharia Civil da UFSC, vai demonstrar alguns dos principais resultados obtidos no projeto ‘Aproveitamento de resíduos sólidos para uso em conjuntos habitacionais de baixo custo’, financiado pelo Programa Habitare/FINEP.

O projeto possibilitou que fossem realizados estudos com diferentes resíduos: a cinza pesada gerada em termoelétricas, a cinza da casca de arroz, o entulho da construção civil e o lodo têxtil.

Alguns dos melhores resultados das pesquisas para reaproveitamento de resíduos para a Construção Civil, realizados na UFSC, vêm sendo alcançados com a cinza pesada de termoelétricas. As pesquisas comprovam seu potencial como matéria-prima para a construção, tanto pelo desempenho mecânico apresentado pelos componentes fabricados, quanto pela disponibilidade desse resíduo. No Brasil, estima-se uma disponibilidade de 3 milhões de toneladas/ano de cinzas, composta de 65% a 85% de cinzas volantes e 15% a 35% de cinzas pesadas. Em Santa Catarina, a produção de cinzas no Complexo Termolétrico de Jorge Lacerda, localizado entre os municípios de Capivari de Baixo e Tubarão, é estimada em 818 mil toneladas/ano.

Os estudos de viabilidade da cinza pesada foram realizados a partir da caracterização química do resíduo, levantamentos sobre sua geração e uso atual, além de fabricação e testes de blocos estruturais de concreto, blocos de vedação, briquetes de pavimentação e concretos moldados in loco. No caso dos blocos de concreto, as cinzas pesadas foram usadas na substituição tanto do cimento Portland, como da areia fina. Os resultados mostraram que os blocos produzidos com a adição de cinzas podem apresentar resistência superior aos convencionais, usados como parâmetro nos testes laboratoriais.

No caso de concretos moldados in loco, observou-se que quanto maior o valor de substituição da areia pela cinza pesada, maior o consumo de água, mas esse fato não refletiu na resistência à compressão: os concretos com cinzas apresentaram resistência à compressão igual ou maior em relação aos de referência. No caso dos briquetes para pavimentação, foram realizadas substituições de 10, 20 e 30% do cimento Portland pela cinzas pesadas. Os ensaios seguiram a norma NBR-9.780 (Peças de concreto para pavimentação: Determinação da resistência à compressão) e os valores obtidos estão dentro dos valores aceitos na NBR-9781, comprovando a viabilidade da incorporação da cinza nas peças de concreto para pavimentação.

Foram também realizados estudos de viabilidade econômica e eles mostraram que os componentes com adição de cinzas podem ter custo até 40% inferior aos convencionais. Com a construção do protótipo, a equipe passa a uma nova etapa dos estudos, que são os testes de desempenho em uso, verificando questões como o conforto térmico e umidade de paredes construídas com os componentes fabricados com adição de cinzas. O reaproveitamento das cinzas em componentes pré-fabricados depende ainda também da sensibilização dos fabricantes e definição de políticas de incentivo, como a redução de impostos para fabricantes que optem por usar as cinzas como matéria-prima.

“Do ponto de vista do consumidor final, poderia ser adotado um selo de reciclagem para o produto, deixando ao comprador a escolha de usar um produto convencional ou um produto que além de apresentar qualidade, retira um resíduo do meio ambiente”, explica a professora Janaíde Cavalcante Rocha, integrante do Núcleo de Pesquisa em Construção Civil. No meio acadêmico também ainda há desafios a serem vencidos. Os debates giram em torno da necessidade de discussão de normas técnicas para certificação da qualidade dos produtos com adição de cinzas e de como criar rotinas para evitar a variabilidade nos sistemas de produção.

Congresso de Catadores

O I Congresso Latino Americano de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis

“Não há fronteiras para os que lutam” acontece de 20 a 22 de janeiro de 2003 no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul – RS. No

dia 23 – haverá uma marcha a Porto Alegre e Manifestação Pública no III Fórum Social Mundial.

Programação:

Dia 20

Leitura do Regimento Interno do Congresso. Atividade Lúdica. Montagem do mapa da América Latina com o símbolo dos catadores. ·Abertura Oficial. Painel: Os movimentos Sociais no Contexto da Globalização Neoliberal e as conseqüências da ALCA. Exposição e debate.

Intercâmbio: A Realidade dos Catadores na América Latina e seus Desafios.

Atividade em mini plenárias e apresentação de síntese à grande plenária.

Dia 21:

Painel: Política de Resíduos Sólidos Urbanos. Apresentação dos Catadores da Realidade nos diferentes Países. Debate.

Dia 22

·Painel: Protagonismo dos Catadores no Controle da Cadeia Produtiva e Gestão dos Resíduos Sólidos. Apresentação de experiências dos Catadores nos diferentes países. Debate. Encaminhamento para mini plenárias. Mini plenárias para elaboração do documento final “Carta”.

Inscrições: www.caxias.rs.gov.br/elacre/

Documentário na BBC

A BBC leva ao ar, de 20 a 25 de janeiro, um documentário intitulado Não a um Mundo Sujo como parte de uma campanha do Conselho Colaborativo para o Abastecimento de Água e Esgoto que mostra o impacto da falta de água limpa e da correta disposição dos esgoto. Os horários GMT são: segunda-feira: 22h30min; terça-feira: 2h30min, 9h30min e 17h30min e sábado, 19h30min.

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