
Certas atividades econômicas, como a agricultura e o abastecimento de água, por sua complexidade e características próprias embutem um certo grau de perda da produção, por isso é utópica a idéia de se obter perda zero nestes setores. Mas o que o Brasil não pode é continuar jogando fora água tratada e recursos financeiros escassos e seguir convivendo com índices elevados de fugas d´água e perdas de receita por má gestão de suas empresas e serviços de saneamento.
Por isso, melhorar a operação e a gestão da área comercial buscando reduzir os prejuízos por desperdícios é uma meta cada vez mais comum aos sistemas de abastecimento de água brasileiros sejam as operadoras públicas ou privadas, estaduais ou municipais. A troca de informações e o debate sobre métodos, utilizando a experiência vivenciada por outros países, são alternativas saudadas pelos especialistas que vêem em iniciativas como o Seminário Internacional sobre Programas de Redução e Controle de Perdas em Sistemas de Abastecimento de Água, que se realizará em Recife, de 2 a 4 de dezembro, uma das raras oportunidades de aperfeiçoamento e troca de experiências como destaca a engenheira Lina Cabral Adani, titular da Gerência de Controle de Perdas da Sanasa, de Campinas (SP).
Lina Adani cita com orgulho que em oito anos a empresa investiu R$ 23 milhões no controle de perdas e economizou R$ 77 milhões conseguindo baixar o percentual de perdas de faturamento de 34,6% para 26,6%. E mais: deixou de captar 80 milhões de m³ de água em uma bacia compartilhada que já apresenta problemas, especialmente em épocas de estiagem.
Outra vantagem, segundo ela é que o sistema de Campinas tem condições de atender a toda a demanda atual e futura suportando até um crescimento de mais 250 mil pessoas. Com isso todo o esforço poderá se concentrar no tratamento de esgoto cujo índice atual é de apenas 10%.
A especialista destaca como fundamental para o sucesso a permanência e institucionalização do programa e também essa possibilidade do setor buscar indicadores comuns e trocar experiências e até exportar know-how nesta área, através de eventos, como os seminários internacionais.
Essa é também a opinião do especialista Francisco Paracampos, da Sabesp. Ele diz que países como o Japão ou os que integram a Comunidade Européia, bastante avançados nesta área, consideram normal uma perda de 140 a 150 litros/dia/ligação ou o equivalente a cerca de meia hora da produção de 24 horas.
Paracampos destaca que para um bom programa de perdas o essencial é ter um conhecimento aprofundado de cada um dos sistemas da empresa pois são essas informações que vão definir as estratégias e medidas a serem tomadas. Ele não concorda com comparações entre empresas pois cada sistema tem sua identidade, problemas e soluções próprias. E reconhece que hoje o país vem se dedicando com bastante energia a melhorar seus sistemas operacionais e comerciais. “Estamos caminhando para indicadores mais confiáveis que permitam identificar melhor os problemas, isto é, onde estão as perdas, como elas acontecem e analisar o custo-benefício de investir em reformulações” informa.
Ele exemplifica com casos em que a carência de mananciais obriga a um investimento pesado nessa área, como aconteceu no sul do Japão, na Arábia Saudita ou na Palestina em que as perdas estão diretamente relacionadas com a própria garantia de abastecimento. No caso do Brasil, onde a meta principal ainda é a universalização os programas de controle de perdas não têm estado entre as prioridades de muitas empresas e governos. Além disso, o próprio setor não tem tido recursos disponíveis nem mesmo para a expansão de redes, pouco sobrando para a renovação da malha de distribuição, um dos pilares do controle de perdas físicas.
O especialista diz que a lado da substituição das redes antigas está o controle de pressão da água nas canalizações pois as altas bruscas e as oscilações estão entre as principais causas dos vazamentos.
No que se refere às outras perdas, chamadas de “aparentes (não físicas)”, os “vilões” são a desestruturação dos sistemas comerciais das empresas, incluindo cadastros, medição e submedição e falta de controle e prevenção de vazamentos. Ele afirma que o Brasil domina a tecnologia disponível no mercado e hoje os novos sistemas já estão sendo implantados com automação e válvulas e equipamentos que produzem excelentes resultados. Até mesmo a redução do consumo de energia – um dos principais insumos do saneamento – já começa a entrar no rol das preocupação dos operadores que buscam equipamentos e produtos que tenham uma melhor performance com menos gasto de energia.
Seminário
Conforme o especialista do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS), e coordenador do Seminário que se realizará em Recife, Ernani Círiaco de Miranda, as elevadas perdas nos sistema produzem impactos negativos de diversas naturezas, como: no meio ambiente (maior demanda de água); nos custos (maior necessidade de investimentos em novas instalações de produção e de distribuição de água, maiores custos operacionais no tratamento); nas receitas (redução do faturamento, diminuindo geração de caixa das empresas); na distribuição regional relacionada com a disponibilidade hídrica (por exemplo, no Nordeste, onde há escassez de recursos hídricos e no Sudeste, onde se concentra a maior parte da população).
Ele ressalta que ações importantes vêm sendo desenvolvidas, nos últimos anos, no âmbito do combate às perdas, o que tem contribuído para a sua redução gradual como o PNCDA – Programa de Combate ao Desperdício de Água e o PMSS – Programa de Modernização do Setor Saneamento, além da outorga e cobrança pelo uso da água, bem como a regulação tarifária e da prestação dos serviços.
Miranda destaca entre os objetivos do Seminário a difusão de experiências exitosas e de tecnologias apropriadas de diversos países e a capacitação de técnicos das entidades prestadoras de serviços de saneamento do país, bem como de outras entidades com atuação no setor. E ressalta que o conteúdo vai abordar cinco itens básicos:
o que fazer – as principais ações implementadas;
como fazer – a gestão dos programas e os contratos de risco;
resultados obtidos – evolução dos índices nos últimos anos;
sustentabilidade – o planejamento e as garantias de continuidade;
dispositivos de regulação e controle externos –aspectos da regulação e fiscalização dos serviços.
Entre os especialistas presentes ao seminário estão confirmados Mr. Ian Stephens, líder da equipe de regulação econômica da OFWAT; Dr. Francisco Dario Bustamante, subgerente de acueducto da EEPPM (Medelin/Colômbia) e Dr. Jerson Kelman, Presidente da ANA. Maiores informações e inscrições para o seminário: www.snis.gov.br/perdas2002
SAE Gov. Valadares
Com um evento a ser realizado nos dias 28 e 29 de novembro, em Belo Horizonte, a Assemae vai comemorar os 50 anos de criação do SAAE de Governador Valadares, a primeira autarquia municipal de saneamento do País.
Durante o evento, serão homenageados trabalhadores, prefeitos, pesquisadores e profissionais vinculados às autarquias que tiveram atuação marcante na construção do modelo municipal de saneamento no Estado. Entre os objetivos do encontro estão a discussão de temas importantes para o setor, como financiamentos, controle social, a nova portaria de qualidade da água, cobrança pelo uso da água, criação de consórcios municipais, gestão pública e privada.
Fonte: Assemae
Grupo de perdas
Sanasa é modelo no controle de perdas
A Assemae é uma das entidades que integra o Grupo Oficial de Trabalho sobre Perdas D´Água, constituído para assessorar a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República – SEDU/PR, por intermédio da Unidade de Gerenciamento do Programa de Modernização do Setor Saneamento – UGP/PMSS no planejamento, implementação e avaliação dos programas, projetos e ações relativas à redução e controle de perdas em sistemas de abastecimento de água.
O consultor e ex-presidente da Assemae, Marcos Montenegro, Nery Chilanti, da Comusa, de Novo Hamburgo, e Rosane Radunz Coimbra, do DMAE, de Porto Alegre, RS, são os representantes da Associação no Grupo. Além da Assemae, integram o grupo, a Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais – Aesbe, Associação dos Fabricantes de Materiais para Saneamento – Asfamas; Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH; o Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT; a Agência Nacional de Águas – ANA; Caixa Econômica Federal; Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – ABES; o Programa de Conservação de Energia Elétrica – Procel, da Eletrobrás; Inmetro; a Associação Brasileira de Consultores em Engenharia – ABCE e a Associação Brasileira de Concessionárias de Serviços Públicos – Abcon.
Maiores informações podem ser obtidas no site www.pncda.gov.br

Lixo e Cidadania
O III Encontro Nacional dos Fóruns Estaduais Lixo e Cidadania, será nos dias 13 e 14 de novembro, em Belo Horizonte – MG do 1º Festival Lixo e Cidadania da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável de Belo Horizonte) .
Todas as atividades ocorrerão dentro de uma ambientação criada especialmente para o evento “A Cidade Reciclada” produzida por uma equipe de artistas plásticos, coordenada por Léo Pilo (coordenador de Oficinas da ASMARE). Estima-se a participação de cerca de 6.000 pessoas durante os 3 dias de duração do Festival.
Cagece investe R$ 43 milhões
A Caixa Econômica Federal assinou, nesta terça-feira, dia 15 de outubro, contrato com Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE ), com o aval do Governo do Estado, para viabilizar obras públicas de melhoria nas redes de água e esgoto de vários municípios cearenses.
Serão investidos R$ 43 milhões, dos quais R$ 38,7 milhões são provenientes do orçamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e mais R$ 4,3 milhões na forma de contrapartida do governo do estado, que, neste caso, poderá ser em recursos ou serviços. A operação faz parte do programa Pró-Saneamento e vai beneficiar 178.200 pessoas nos municípios de Pacatuba, Maranguape (Distrito de Lajes), Redenção (Distrito de Antônio Diogo), Aracati, Jaguaribe, Maracanaú, Maranguape, e Fortaleza (capital, Bairro Itaoca e Ilhas do Sanear).
Desde a retomada dos financiamentos com recursos do FGTS, em junho deste ano, já foram investidos R$ 188,4 milhões do Fundo em contratos com as companhias públicas CAESB (Distrito Federal), Embasa (Bahia), Copasa (Minas Gerais) e a companhia privada Águas de Limeira (São Paulo). Do total de recursos do FGTS já destinados para o Saneamento, R$ 146 milhões foram aplicados em operações com a própria CAIXA e R$ 42,4 milhões com outros instituições financeiras.
Algumas alterações na forma de aplicação dos recursos do FGTS foram implementadas para possibilitar a participação setor privado. No Pró-Saneamento, por exemplo, foi aberta a possibilidade de estruturação de operações pelas Companhias de Saneamento, em conjunto com Companhias Securitizadoras, que resultem em emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários – CRI, que poderão ser adquiridos pelo FGTS.
Da mesma forma, no Programa de Financiamento às Concessionárias do Setor Privado – FCP/SAN, foram criadas as modalidades de financiamento para tratamento de resíduos sólidos e financiamento a Sociedades com Propósitos Específicos – SPE, que poderão melhorar sensivelmente a participação do programa no volume de contratações na área de saneamento.
Do ponto de vista da CAIXA, no papel de Agente Operador do FGTS e um dos principais repassadores de recursos para a área de saneamento, tais medidas vêm criar a oportunidade de agregação de outros parceiros na aplicação dos recursos do FGTS em serviços de melhoria das condições do saneamento básico no Brasil.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Caixa
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