Destino correto das lâmpadas é descontaminação

Cerca de cinco mil quilos (aproximadamente 7.000 unidades) de lâmpadas fluorescentes já foram coletadas pela Foxlux e de agora em diante serão encaminhadas para a descontaminação com a Apliquim Brasil Recicle (ABR). Antes, a importadora, que comercializa lâmpadas no Brasil desde 2009, triturava o material com equipamento próprio, ou de terceiros. “Nós achamos que o processo da Apliquim é mais profissional. Como o método de coleta do mercúrio é mais completo, temos a segurança de que a destinação esta sendo feita corretamente”, explica Diego Prestes, gerente de suporte e desenvolvimento de produtos da Foxlux.

A Foxlux importa as lâmpadas da China e Vietnã e distribui em lojas de todo o Brasil. Neste ano, a empresa colocou no mercado nacional cerca de 5 milhões de lâmpadas fluorescentes (cada lâmpada tem uma vida útil estimada de 6.000 horas). Desde 2010 a Foxlux tem o compromisso com os comerciantes (2.800 lojas distribuídas pelo terr itório nacional) de recolher as lâmpadas que distribui. A Foxlux oferece garantia de um ano, e recolhe todas as lâmpadas que apresentam problemas neste período. “Não queremos deixar o cliente final na mão. Sendo uma lâmpada nossa, vamos recolher. Queremos educar o consumidor, mostrar que ele não pode jogar a lâmpada no lixo comum e oferecer uma possibilidade de descarte correto”, garante Prestes.

A Foxlux está na vanguarda como empresa brasileira que realiza a logística reversa proposta pela Lei 12.305 de 2010. De acordo com a legislação, ainda pouco aplicada no país, os produtos que podem ser reciclados devem (depois de aproveitados pelo consumidor final) voltar ao produtor, para que ele se responsabilize pelo descarte adequado ou reciclagem dos materiais.

As cinco toneladas serão descontaminadas na central da Apliquim Brasil Recicle em Indaial (SC). “É imprescindível que mais empresas adotem esse comportamento, assumam a responsabilidade imposta pela lei e criem formas de fazerem seus produtos voltarem pela cadeia inversa do consumo. A lei ressalta que a pessoa jurídica que lucra com a fabricação de um produto, deve encarregar-se pelo seu destino final”, explica Mario Sebben, coordenador do Comitê Temático para Eletroeletrônicos do Banco de Resíduos da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais (FIERGS). “Só assim, com atitudes como esta da Foxlux, conseguiremos alcançar o desenvolvimento sustentável no Brasil”, prevê Sebben, que também é integrante do GTT Lâmpadas, grupo de trabalho encarregado de implementar os processos de logística reversa de lâmpadas no Brasil, junto do Ministério do Meio Ambiente.

“Se pensarmos que o mercúrio contido em cada lâmpada (0,15 miligramas) tem potencial para contaminar 15 mil litros de água, compreenderemos que através do descarte correto de 30 mil unidades podemos estar garantindo a preservação de 450 milhões de litros. Para se ter uma ideia do que isso representa, a vazão do Guaíba é de 1,4 milhão de litros por segundo”, explica Eduardo Sebben, biólogo, mestre em engenharia ambiental e diretor superintendente da Apliquim Brasil Recicle.

O mercúrio contido nas lâmpadas fluorescentes é um metal altamente tóxico que, quando descartado de forma incorreta pode contaminar solo e água e oferecer sérios riscos á saúde. Quando se acumula no organismo, o mercúrio é capaz de causar danos irreversíveis ao sistema nervoso central, com sintomas como tremores, perda de memória, dificuldade motora, de visão e audição. O metal é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das 10 substâncias mais nocivas para o ser humano.

UFRGS encaminha 30 mil lâmpadas para descontaminação

As 2.425 unidades inteiras e os 50 kg de lâmpadas fluorescentes quebradas, foram recolhidos na UFRGS (Av. Bento Gonçalves 9500, Bairro Agronomia) na última sexta-feira (22/11. Esta foi a 12ª coleta que a ABR realiza na Universidade neste ano, contabilizando um total de 35.284 peças recolhidas até novembro de 2013 (entre lâmpadas fluorescentes e reatores).

A diretora do Departamento do Meio Ambiente e Licenciamento da UFRGS e engenheira agrônoma Andrea Loguercio, explica por que a UFRGS realiza o descarte seletivo desde 2009. “Nos processos licitatórios estabelecemos uma série de pré-requisitos. O principal é a captura e recuperação total do mercúrio das lâmpadas, critério que a ABR atende. Até janeiro de 2014, estimamos que teremos encaminhado para o descarte correto 44.706 itens (entre diversos tipos de lâmpadas e reatores).

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