(ONU) O vice-secretário geral da ONU, Jan Eliasson, está lançando um alerta urgente para pôr fim à crise que deixa 2,5 bilhões de pessoas sem usufruir de serviços de esgotamento sanitário básico e para mudar uma situação em que há mais pessoas usando telefone celular no mundo do que sanitários.
A chamada à ação tem por objetivo centrar-se na melhoria da higiene, a mudança das normas sociais, uma melhor gestão dos dejetos humanos e águas residuais, e eliminando por completo em 2025 a prática de defecar ao ar livre, o que perpetua o círculo vicioso de doença e pobreza arraigada.
“Estou decidido a dinamizar a ação que conduza a resultados”, disse Eliasson. “Faço um apelo a todos os atores – organizações governamentais, sociedade civil e empresas – a que se comprometam com a ação e mobilizem os recursos para incrementar rapidamente o acesso aos serviços de esgotamento sanitário básico”.
“Sejamos realistas – se trata de um problema sobre o qual as pessoas não gostam de falar. Mas se trata de garantir a boa saúde, um meio ambiente limpo e a dignidade humana fundamental para milhões de pessoas – e o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Com pouco mais de 1.000 dias para a ação antes da data limite dos ODMs para 2015, temos uma oportunidade única para oferecer uma mudança geracional”.
A meta dos ODMs que consiste em reduzir à metade a proporção de pessoas sem acesso a serviços de esgotamento sanitário contribuiu para elevar os números de cobertura, e 1,8 milhões de pessoas obtiveram acesso a melhores serviços de esgotamento sanitário desde 1990, mas ainda resta um longo caminho a percorrer. Felizmente a meta dos ODMs de reduzir em 50% a proporção de pessoas sem acesso a fontes melhoradas de água foi atingida.
Dos 7 bilhões de pessoas no mundo, 6 bilhões têm telefones celulares. Entretanto, só 4,5 bilhões têm acesso a banheiros ou latrinas – o que significa que 2,5 bilhões de pessoas, principalmente nas zonas rurais, não têm esgotamento sanitário adequado. Além disso, 1,1 bilhão ainda defecam ao ar livre.
Os países onde mais se adota essa prática são os mesmos com maior número de mortes de crianças menores de cinco anos, com altos níveis de desnutrição e pobreza e grandes disparidades de riqueza.
“Apoiamos firmemente este esforço para aumentar o enfoque em esgotamento sanitário”, disse o diretor executivo adjunto da UNICEF, Martin Mogwanja, que assinalou que o fim de defecação ao ar livre contribuirá para a redução da diarreia em 36%. É bom lembrar que a diarreia mata 750.000 de crianças menores de cinco anos anualmente.
“Podemos reduzir os casos de diarreia em crianças menores de cinco anos em 1/3, simplesmente mediante a ampliação do acesso das comunidades a serviços de esgotamento sanitário e à eliminação da defecação ao ar livre”, disse aos jornalistas no lançamento do alerta na Sede da ONU. “De fato, a diarreia é a segunda maior causa de morte de menores de cinco anos do mundo em desenvolvimento e isto se deve em grande parte pela falta de esgotamento sanitário e higiene inadequada”.
Ele próprio foi testemunha do flagelo que é defecar ao ar livre ao trabalhar em um projeto de esgotamento sanitário integral nas zonas afetadas pelas inundações, junto com sócios não governamentais e governamentais. Em menos de dois anos, mais de 6 milhões de pessoas obtiveram acesso a banheiros.
“Mas o esforço não teve êxito somente pela construção de latrinas, mas por fazer com que o problema fosse reconhecido e se falasse sobre ele”, afirmou.
Romper o ciclo de pobreza
O setor privado também desempenha um papel importante nesta transformação, disse, mediante a participação nas atividades de comercialização de esgotamento sanitário, e o desenvolvimento de uma cadeia de acesso que assegure que as pessoas disponham dos produtos adequados, no lugar e momento certos.
“Isto também pode melhorar a segurança das mulheres e meninas, que com frequência são vítimas quando estão sós ao ar livre. E proporcionar serviços seguros e privado também pode ajudar as meninas a permanecer na escola que sabemos pode aumentar seus ganhos futuros e ajudar a romper o ciclo da pobreza”.
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