
Foto: Luiz Amore, assessor internacional da Agência nacional de Águas.
Cobertura especial.
Cecy Oliveira – direto de Montevideu.
A preocupação comum com a preservação de recursos transfronteiriços tem impulsionado encontros e ações multilaterais entre o Brasil e os países latino-americanos, mesmo que não existam fronteiras diretas compartilhadas, como é o caso do Equador. “Embora não seja país limítrofe, o Equador compartilha recursos hídricos com o Brasil” ressalta o assessor internacional da Agência Nacional de Águas (ANA), Luiz Amore, ao explicar que o avanço que o país atingiu no planejamento, monitoramento e gestão de suas águas está sendo e ainda pode ser melhor aproveitado pelos países vizinhos que ainda não estão totalmente estruturados nesta área.
Um dos grandes projetos conjuntos executados foi o Programa Aquífero Guarani que resultou em um acordo quadripartite de proteção e ao mesmo tempo aprofundou o conhecimento sobre este aquífero que se estende pelo território dos quatro países da região sul do continente: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Outros programas conjuntos beneficiam bacias como a Amazônica e a do Rio da Prata.
“Este know-how brasileiro também está chegando aos países de língua portuguesa e ao BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul) informa Amore. Também o México vem trocando experiências no que se refere a estatísticas (indicadores) e codificação de bacias.
O assessor da ANA informa, também, que atualmente todas as bacias hidrográficas brasileiras integram a rede de monitoramento e um sistema de alerta para eventos extremos ligados aos recursos hídricos, sejam secas ou enchentes.
Rede latino-americana
Dispondo já de uma rede de monitoramento hídrico com mais de 5.000 estações conectadas em todo o território nacional o Brasil criou na ANA a chamada “sala de situação” de onde pode ser acompanhada a situação dos principais mananciais e gerar alertas para prevenir os efeitos perversos de eventos extremos. Segundo Luiz Amore ali são modelados os dados recebidos, seja por meio de satélite, celular ou planilhas, e em caso de necessidade repassados à Defesa Civil dos Estados. “A cooperação também acontece com os Estados que estão aperfeiçoando sua estrutura de coleta de dados” explica.
Um dos objetivos é que uma rede hidrometeorológica possa futuramente cobrir toda a América Latina uma vez que, como ressalta o assessor, “as águas e o clima não respeitam fronteiras políticas”.
Cooperações em andamento
Atualmente estão sendo desenvolvidos projetos de cooperação em várias áreas de gestão das águas com os seguintes países:
1) Cooperação bilateral:
Peru, Equador, Uruguai, Honduras, Guatemala, México, Colômbia, Argentina e França.
2) Cooperação trilateral
Moçambique e Alemanha.
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