Revitalização do Arroio Dilúvio mobiliza prefeituras e universidades

A união de esforços entre as prefeituras de Porto Alegre e Viamão, com o conhecimento acadêmico das maiores universidades do Rio Grande do Sul, devolverá à população das duas cidades um Arroio Dilúvio limpo e revitalizado. Esta é a proposta do termo de cooperação entre as prefeituras de Porto Alegre e Viamão, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A meta é avançar nas ações do Programa de Revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio e recuperar seus 15 quilômetros de extensão, com intervenções integrando saneamento, erosão, inclusão social e educação ambiental.

A parceria foi formalizada sob as árvores do Parque Saint´Hilaire, para trazer a Porto Alegre e Viamão uma transformação inspirada no projeto do rio Cheonggyecheon, da cidade coreana de Seul, onde foram investidos mais de US$ 300 milhões. O projeto incluiu a retirada de um viaduto localizado sobre o rio e despoluição da água com canalização do esgoto cloacal. Ao final do processo, os 5,8 quilômetros de extensão foram transformados em espaço de convivência e lazer.

Para o prefeito José Fortunati, a proposta é ousada e baseia-se na cooperação para viabilizar o que será um marco de preservação ambiental nas duas cidades. “Cada vez mais precisamos focar os projetos no crescimento sustentável. O poder público e as universidades estão empenhados nessa revitalização, buscando apoio concreto da cidadania”, disse o prefeito, destacando que o esforço soma-se às políticas ambientais já praticadas no município, com destaque para o Projeto Integrado Socioambiental, que resultará no tratamento de 80% do esgoto de Porto Alegre e ajudará a devolver a balneabilidade do Lago Guaíba.

Fortunati defendeu, entretanto, um forte envolvimento da população no projeto do Arroio Dilúvio, conscientizando os moradores sobre as responsabilidades na preservação ambiental, uma vez que hoje são depositadas irregularmente toneladas de lixo e objetos na bacia. A necessidade de mobilziar os cidadãos foi reforçada pelo prefeito de Viamão, Alex Sander Boscaini. “Precisamos trabalhar a mentalidade das pessoas. Temos que mudar o conceito da relação com o arroio, integrando as redes municipais e estadual de ensino”, propôs Boscaini.

As equipes técnicas das universidades já desenvolveram um marco conceitual do programa, com diagnóstico inicial com os principais pontos a serem atendidos no Dilúvio, bem como uma projeção de futuro a partir da revitalização. O reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto, reforçou o compromisso da universidade no projeto. “O objetivo é colocar o que temos de melhor a serviço do Dilúvio e das comunidades de Viamão e Porto alegre”, afirmou. Para o reitor da PUCRS, Joaquim Clotet, o trabalho pela ecologia e pelo meio ambiente interessa todos os cidadãos. “A natureza é a nossa casa, por isso temos que cuidá-la preservando o bem estar da sociedade”, avaliou.

Após a assinatura do protocolo de cooperação, Fortunati, Boscaini e os reitores realizaram o plantio de mudas nativas no Parque Saint’Hilaire. Foram plantadas guabiroba, acoita-cavalo, cerejeira e guabijú.

Modelo de gestão

De acordo com a diretora do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais da PUCRS, Betina Blochtein, o grupo de trabalho com técnicos representando todos os parceiros trabalhará agora para desenvolver um projeto básico para definir efetivamente as obras que serão realizadas, e depois a captação de recursos.

Na prefeitura de Porto Alegre, o processo será coordenado pelo secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia.

“Vamos estruturar um modelo de gestão, definindo as responsabilidades no projeto, para depois captarmos recursos junto à iniciativa privada, poder público e fontes internacionais”, explicou Betina.

Conforme a professora, o projeto é complexo porque a fonte de problemas do arroio não é somente na sua extensão em Porto Alegre e Viamão, mas também nos demais pontos que compõem a bacia, com mais de 15 córregos.

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