D7 busca identidade comum em torno da água

Cecy Oliveira – direto de Medellín (Colômbia), a convite do D7.

Rhonda: Em busca de desafios e soluções.

De 1970 a 2008 as Américas tiveram prejuízos de mais de US$ 80 bilhões somente com eventos climáticos extremos, a maioria deles em ligação estreita com os recursos hídricos. Esta é apenas uma das tantas interfaces compartilhadas entre os países do hemisfério e que mostram vínculos indissociáveis que devem ser levados em conta na elaboração de planos e ações de prevenção, pronta resposta, emergência e contingências.

Se para enfrentar as adversidades climáticas a cooperação é importante ela é decisiva quando os países precisam fazer investimentos, realizar obras e compartilhar recursos hídricos muitas vezes escassos. No saneamento, na produção de energia, na agricultura, nos transportes e no turismo – apenas alguns dos usos da água – vale a máxima de que não adianta se preocupar somente com o que se passa do lado de cá da fronteira.

Por isso a novidade na metodologia dos Diálogos Interamericanos sobre Gestão das Águas tem sido primeiro conhecer a experiência da vizinhança e depois sentar à mesa e buscar os pontos comuns a partir dos quais podem ser desenvolvidos projetos e ações que buscam maximizar resultados sem necessidade de duplicar esforços. Na avaliação da organização do D7 essa metodologia de participação “permite que 1.000 vozes sejam ouvidas e ao mesmo tempo incorporadas num plano de ação que servirá de marco de referência para a promoção da cooperação na gestão das águas nas Américas”.

Nos dois primeiros dias (13 e 14/11) os debates buscarão identificar, através de perguntas-chave, os compromissos desde cada setor. Os seis temas serão trabalhados no dia 15, em forma de painel compartilhando os documentos elaborados por especialistas das Américas como base para a reflexão conjunta, sendo formadas em seguida as mesas de diálogo (world café), com um anfitrião voluntário. Os participantes se revezam para contribuir em todas as perguntas do tema, lançando idéias de possíveis acordos.

No dia 16 já será possível ter uma prévia do Diálogo, como resultado das primeiras avaliações, e se retoma o trabalho nos mesmo moldes nos dias subsequentes e com aportes a cada pré-conclusão até se obter, no último dia, na plenária, alguns consensos que farão parte do documento final. Entre as propostas que se esperaobter consenso está a formação do Observatório e do Fundo para a Gestão das Águas.

Identificar desafios e soluções para uma melhor gestão das águas continentais é a expectativa da presidente da Rede Interamericana de Recursos Hídricos RIRH, a engenheira especializada em Operação de Águas Residuais, Rhonda Harris, para o D7.

Ex-presidente da Federação Internacional de Água, com presença em mais de 90 países, Harris se orgulha dos avanços já conquistados mas considera que há muito que evoluir

“O D7 é um passo muito importante no processo de debates realmente interativos sobre o manejo do recurso água no hemisfério americano. Coletivamente, atingimos muitas metas e vencemos muitos obstáculos no tratamento dos assuntos que nos desafiam” disse. Destacou entre estes, a disponibilidade de água segura para saneamento e o crescimento da população e todos os seus efeitos para a proteção do ecossistema. “Espero que este encontro destaque e mostre nossos êxitos nas Américas e que também identifique os próximos desafios e soluções” concluiu.

Mais informações: http://d7.rirh.org/

Os principais temas

Os temas principais que estarão em debate no D7 são:

1. Adaptação a um ambiente em mudança;

2. Em busca de uma governança da água;

3. Para uma nova cultura da água;

4. Sustentabilidade financeira para a gestão da água;

5. Gestão da informação, conhecimento e tecnologia;

6. Enfrentando os desafios e as necessidades de gestão da água para o desenvolvimento sustentável e o compromisso entre as gerações atual e futura.

Diálogo produtivo

Facilitadores testam metodologia. Divulgação.

A metodologia a ser utilizada no D7 prevê a participação de 40 facilitadores que terão um papel fundamental para fazer com que o encontro produza resultados concretos.

Segundo Angélica Chavarriaga Lugo, capacitadora, “o grupo está integrado por profissionais da área ambiental, com conhecimento do tema, o que agrega um valor importante e maior compromisso”.

Os facilitadores atuarão em dinâmicas de grupo e durante três dias, coordenarão o debate das mesas de trabalho onde os participantes deverão gerar compromisso e acordos, que serão debatidos em um “world café”, com participação intersetorial e a plenária de conferências especializadas nos seis temas-chave do D7.

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