Biologia marinha vista de perto

Foto: Alvaro E. Migotto. Coral azooxantelado. Banco de imagens Cifonauta. Disponível em: http://cifonauta.cebimar.usp.br/photo/3825/ Acesso em: 2011-10-19.

Agência FAPESP.

O Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) lançou o Cifonauta – um banco com mais de 11 mil imagens, 260 vídeos e panorâmicas e seleção de fotos sobre temas de interesse de biólogos e pesquisadores que estudam o meio ambiente marinho e do público, em geral.

O objetivo do projeto, criado pelos pesquisadores Álvaro Esteves Migotto e Bruno Vellutini, é compartilhar informações científicas e divulgar a biodiversidade marinha por meio de imagens.

O processo de montagem do banco de imagens durou cerca de dois anos, entre o início das programações e as fases de teste em sistema fechado. O conteúdo apresenta referências bibliográficas, com uma ficha técnica do organismo contendo seu tamanho, local de origem e nome científico, por exemplo.

A estrutura de buscas se dá por meio de diversos marcadores ou pela classificação taxonômica – divisão por reino, filo, classe, até chegar à espécie desejada.

O conteúdo do banco está sob a licença de uso Creative Commons, que permite a divulgação do conteúdo desde que dados os devidos créditos do trabalho e que seja utilizado para fins não comerciais, sem necessidade de pedir autorização para isso.

As fotos veiculadas no banco de imagens são feitas com diversas técnicas. Normalmente câmeras digitais são acopladas em microscópios ópticos ou eletrônicos, dependendo do organismo fotografado, podendo ser aumentada a resolução em até mil vezes.

Outra técnica, pouco utilizada por ter um custo bastante elevado, consiste no uso de um microscópio eletrônico de varredura (MEV), utilizando-se de um feixe de elétrons para realizar a fotografia, por meio de um processo altamente sofisticado.

“Temos uma costa oceânica imensa e conhecemos muito pouco sobre ela. É neste sentido que as imagens são bons instrumentos de divulgação para a biologia marinha, pois despertam a curiosidade e a reflexão sobre a enorme diversidade dos oceanos”, disse Vellutini.

Mais informações: http://cifonauta.cebimar.usp.br.

Rio Iguaçu – a hora de agir

A falta de coleta e tratamento de esgoto colocam em risco a saúde da bacia do Alto Iguaçu, onde ficam as nascentes do principal rio do Paraná, o Rio Iguaçu, em Curitiba e Região Metropolitana.

A conclusão está no estudo “Um olhar crítico sobre a bacia hidrográfica do Alto Iguaçu” realizado por técnicos do projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) em parceria com GIA, um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ao problema apontado no estudo se somam alguns outros, derivados da alta densidade demográfica da região, como a ocupação irregular de área de mananciais e de inundação, e a devastação das áreas de mata ciliar. “Uma coisa gera outra”, afirma o coordenador técnico do Águas do Amanhã, especialista em qualidade da água e professor da UFPR, Antonio Ostrensky.

O estudo compila e reúne dados sobre a situação e os problemas que afetam a bacia do Alto Iguaçu, e identifica as regiões ambientalmente mais críticas, que precisarão de uma atenção especial do Poder Público. “Não existia uma informação integrada. Os índices de medição da qualidade da água, por exemplo, não dialogavam com os de preservação da mata ciliar”, explica Ostrensky.

Para avaliar a situação da bacia do Alto Iguaçu e as áreas de maior dano ambiental, foi criado um ‘Índice de Risco Ambiental’, que permite medir e acompanhar a risco ambiental de toda a região, além de avaliar se a qualidade da água está melhorando ou piorando ao longo do tempo. “Por este índice vamos poder saber se as ações para a melhoria da qualidade da água estão realmente surtindo efeito ou se caminhamos para uma situação irreversível”, informa Ostrensky.

De acordo com o professor, o grande desafio agora é mobilizar a sociedade e, principalmente, as instituições públicas para olhar para a gestão dos recursos hídricos e não deixar que o problema tome proporções maiores.

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