Guatemala já tem organismo específico para cuidar da água

Cecy Oliveira – direto de Zaragoza (Espanha).

A convite da ONU-ÁGUA

Foto: Elisa Colón, assessora do Gabinete de Água da Guatemala. Aguaonline.

Mesmo com água abundante o país ainda não conseguiu universalizar os serviços de saneamento. Ter um organismo para definir, cooordenar e dar seguimento às políticas de recursos hídricos é considerada medida capaz de impulsionar a expansão e melhoria dos serviços.

Atualmente a Guatemala aproveita somente 25% do potencial hídrico para a agricultura – o país não produz nem o mínimo necessário para abastecer a população – e na área de energia apenas 19%. Grande parte da produção de energia se baseia em soluções que utilizam combustíveis fósseis.

Nas zonas urbanas 80% da população é abastecida através de redes públicas mas entre os habitantes da área rural (52% da população vive no campo) 53% contam com este serviço. No que se refere ao esgotamento sanitário, a cobertura é de 47% nas cidades e somente 17% nas zonas rurais.

Em 2008 o governo federal criou o Gabinete Específico de Água (GEA) presidido pelo vice-presidente da República e composto por 10 ministérios (Relações Exteriores, Finanças Públicas, Comunicações, Infraestrutura e Habitação, Educação, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Economia, Saúde Pública e Assistência Social, Energia e Mineração, Cultura e Esportes, Meio Ambiente e Recursos Renováveis), cinco secretarias (Comunicação Social, Coordenação Excutiva da Presidência, Planejamento e Programação da Presidência, Assuntos Agrários, Segurança Alimentar e Nutricional), dois Conselhos (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e Conselho da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres) e rede de gestão de riscos. A Guatemala está em uma zona afetadas por eventos climáticos extremos como furacões.

Mudanças significativas geradas pelo GEA

Segundo a assessora do Gabinete de Água da Guatemala, Elisa Colón, que apresentou o case no evento promovido pela ONU-Agua na cidade de Zaragoza (Espanha), entre as mudanças importantes após a implantação do GEA estão:

# Colocar a definição e continuidade das políticas de gestão e governança da água entre as prioridades da política nacional;

# Instituir uma instância de coordenação de mais alto nível, no centro do Governo Central, presidida pelo próprio vice-presidente;

# Articular a política nacional de água com as políticas social, de desenvolvimento rural, de meio ambiente e de mudanças climáticas;

# Fixar objetivos, metas e linhas estratégicas de ação comum para todas as agências do governo central e com isto estabelecer uma referência para a institucionalidade local:

# Contribuir para melhorar o desempenho institucional de ministérios e secretarias de estado agregando valor a suas ações em função de cumprirem tanto metas setoriais como objetivos superiores de caráter nacional.

Propostas para instrumentos econômicos que impusionem a economia verde

Estudiosos do tema recomendam as seguintes medidas para impulsionar o surgimento e desenvolvimento de uma economia verde:

# Impostos e taxas ambientais;

# Tarifas realistas para água e esgoto;

# Sobretaxas para atividades poluidoras, de impacto e baixa absorção de mão-de-obra;

# Subvenções;

# Mercados de direitos;

# Instrumentos baseados nos mercados, como pagamento por serviços ambientais (PSA);

# Certificação e participação do consumidor;

# Dispositivos para reconhecer sinais de escassez (intercâmbio de outorgas, de emissões e de compensações);

# Incentivos e reduções de impostos para tecnologias verdes (produção e importação).

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