
Cecy Oliveira
Especial direto de Zamora (México)*.
Eles vieram de várias partes do México. São professores, biólogos, engenheiros, comunicadores e de mais uma dezena de especialidades movidos por um interesse comum: relatar e descobrir experiências bem-sucedidas, dar e receber lições sobre fracassos e sucessos buscar respostas a perguntas inquietantes.
A causa que move a todos é trabalhar para construir uma nova cultura, um novo modo de olhar este recurso que especialmente neste país é muitas vezes escasso e fugidio.
Este movimento, que como a Semana da Água no Rio Grande do Sul foi tomando forma depois da Rio-92, hoje se transformou em uma política pública de Estado, com orçamento e tudo, como relata a professora Luz del Carmen Melo Gonzales, coordenadora da promoção pelo Sistema de Água e Esgoto de Zamora (SAPAZ), Estado de Michoacan, a cerca de 350 quilômetros da Cidade do México.
Zamora é famosa por sua imensa catedral gótica e suas plantações de framboesa e durante cinco dias recebeu visitantes e especialistas no VIII Encontro Nacional por uma Nova Cultura da Água para trocar experiências sobre como atuar junto às comunidades para mudar uma cultura, que como na maioria dos países latino-americanos, foi plasmada durante séculos sob o signo da abundância e desperdício.
E em muitas partes do país a realidade começa a se tornar sombria pois a maioria dos mananciais subterrâneos está super-explorada e em muitas regiões as chuvas são cada vez mais escassas. Além disso, a poluição e a crescente urbanização estão inviabilizando o uso das fontes superficiais.
Ao lado dos debates e palestras o VIII ENCA tem a presença constante da comunidade, alvo maior das atividades desenvolvidas no que se convencionou por aqui de “uma nova cultura da água”.
O mais emocionante são as mensagens singelas e fortes elaboradas com capricho pelas crianças. Agitadas elas percorrem com olhar atento o manancial de informações que está nos estandes, nas “oficinas”, nos cartazes, nos murais e nas telas de grafite que vão sendo desenhadas pelos grafiteiros e nas músicas apresentadas ao vivo.
Cobertura especial

* Cecy Oliveira viajou a Zamora (México) a convite da Associação Nacional de Empresas de Saneamento do México (ANEAS) e participou como palestrante do painel: O Papel dos Meios de Comunicação na Promoção de uma Nova Cultura da Água.
A arte das ruas por uma boa causa
Das travessuras feitas de maneira escondida e reprimida como uma expressão de rebeldia eles se transformaram em artistas e empresários de seu próprio negócio, como José de Jesus Valdez Espinosa e outros que exercem agora sua ” expresión kayejera” (expressão das ruas).
Eles agora se dedicam a desenhos gráfico, graffiti e artesanato. Este último utilizando seu próprio material, como as latas de spray vazias que viram um original cofrinho servindo inclusive como lembranças de eventos.
O trabalho com os grafiteiros em Zamora resultou no embelezamento da cidade, na criação de um grupo dedicado à arte das ruas (street art) com uma visão ambiental e em promotores da nova cultura da água que todo o México está buscando desenvolver.

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