Desastres naturais roubam vidas e recursos na América Latina

Há evidência científica crescente que confirma que as mudanças climáticas aumentam a intensidade dos ciclones e das tormentas tropicais principalmente através de seu efeito sobre a elevação da temperatura atmosférica e da superfície do mar. Se este comportamento se agudizar nas próximas décadas, os países da região e principalmente da América Central, da região Andina e do Caribe, deverão enfrentar as consequências de precipitações mais fortes e secas mais severas.

O incremento das catástrofes climáticas e a permanente ameaça sísmica a que esta exposta a América Latina e o Caribe ressaltam as vulnerabilidades existentes nestas sociedades nos âmbitos social, económico e ambiental, ampliando substancialmente o risco associado a desastres naturais. Esta inevitável circunstância deve ser considerada como um condicionante do desenvolvimento e ser internalizada de maneira efetiva nas políticas de desenvolvimento econômico e social dos países da região. Neste campo urgem fóruns e processos de negociação ambiciosos e exitosos no âmbito global e também uma melhor quantificação do impacto econômico e social dos desastres sobre as economias.

Nas três regiões citadas o impacto direto de tormentas tropicais, e as consequências indiretas representam ano a ano inundações, deslizamentos de terra e secas que somaram em 2010 não menos de 10 milhões de pessoas afetadas e perdas superiores aos US$ 10 milhões. A atividade sísmica na região, terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, somam o maior custo econômico na região e são responsáveis pela maior quantidade de mortes.

Durante 2010 a CEPAL participou juntamente com os governos e a comunidade de organismos Internacionais na valoração do impacto de tormentas tropicais e abalos climáticos em El Salvador e Guatemala (furacão Agatha), Santa Lucia (furacão Tomás) e Bolívia (Efeitos ENSO- El Niño e La Niña) e na avaliação do impacto de terremoto do Haiti , sismo que deixou mais de 222.579 mortes.

Este incremento das ameaças mostra as vulnerabilidades existentes nestas sociedades nos âmbitos social, econômico e ambiental, ampliando substancialmente o risco associado a desastres naturais. As causas da maior intensidade destes fenômenos tiveram sua origem em processos de industrialização das nações hoje desenvolvidas. São, entretanto, como a Guatemala, muito ameaçadas pelas próprias mudanças climáticas e tornam-se muito vulneráveis devido à insuficiências na institucionalidade para um desenvolvimento resiliente para internalizar as externalidades provocadas pelas mudanças climáticas por pelos verdadeiros causadores dela.

O quadro acima resume o impacto de desastres na América Latina e Caribe ao longo das últimas quatro décadas. De outra parte a heterogeneidade regional fica em evidência ao se medir o impacto dos desastres nas distintas subregiões da América Latina e Caribe evidenciando, consequências mais severas nas subregiões com países de menor tamanho, menor desenvolvimento relativo, maior dependência do meio ambiente para sua produção e menor diversificação e tecnicidade da mesma.

O peso destes recursos perdidos sobre as economias se ilustra parcialmente se se compara seu custo com o produto interno bruto. Novamente nesta comparação as diferenças entre as subregiões são notáveis.

Desde o ponto de vista nacional, os planos de desenvolvimento devem incluir como um dos pilares fundamentais a gestão de risco de maneira a reduzir a exposição tanto do capital físico e humano e tornar mais resistentes estes países. Este último ponto tem sido enfatizado pela CEPAL, derivado de sua experiência avaliando desastres naturais há 40 anos. É importante destacar que fruto das experiências destas avaliações a CEPAL desenvolvidos uma metodologia para a estimativa dos impactos social e econômico de desastres naturais que na atualidade se aplica em nível mundial. Estas avaliações permitem uma quantificação dos danos e perdas nos setores produtivos, sociais, de infraestrutura e transversais (por exemplo considerações de gênero e ambientais) que é o ponto de partida para a elaboração de projetos de recuperação específicos os quais devem incluir a gestão de risco como parte de uma estratégia que considere o desenvolvimento sustentável.

Outra forma de por em perspectiva o impacto dos desastres no acervo e fluxos do

país é comparar o montante do impacto – que na maioria dos casos requerem recursos

externos de ajuda desde a emergência até a reconstrução– com os recursos de investimentos estrangeiros diretos que recebem os países.

Os danos econômicos em 2010 alcançaram um montante de mais de US$ 49 bilhões. Na questão do total dos danos e perdas e pelo número de pessoas falecidas o impacto es diferente entre países, sendo Chile, Haiti e Brasil os que mais sofreram na região. Em termos econômicos o impacto é muito mais considerável em termos absolutos para México, Brasil ou Colômbia e, em termos relativos em Santa Lucia pelo tamanho desse país.

Estes eventos têm sido paradigmáticos e definido mudanças na orientação política e deveriam levar a reformas nas políticas de gestão de risco mediante instrumentos de adaptação e mitigação, que gerariam sinergias com as medidas necessárias para enfrentar os processos de mudanças climáticas e deveriam ser, além disso, consistentes e reforçar os objetivos de desenvolvimento econômico e social.

Estimando as perdas

Desde 1972 – a partir do terremoto de Manágua- os governos de um bom número de países da América Latina Caribe- estão demandando uma quantificação do impacto de desastres uma vez que os efeitos tem afetado sua capacidade de crescimento, bem-estar de seus cidadãos e o meio ambiente.

Ao longo deste período de quase 40 anos não somente foi desenvolvida uma metodologia

internacionalmente reconhecida mas foram se acumulando evidências quantitativas do efeito deletério que têm os eventos naturais extremos em hábitats e sociedades mal preparadas para enfrentar tais ameaças. Nos anos mais recentes ficou evidente que a recorrência e força de tais eventos junto com a deterioração ambiental, a penetração antrópica nos hábitats, o crescimento demográfico e a urbanização e uma inadequação do território – em particular nas zonas costeiras, ladeiras instáveis e bacias degradadas — gera impactos econômicos e sociais crescentemente severos.

Em períodos de ciclos de crescimento baixo ou de crise econômica e reduzida capacidade fiscal e de renda nos países os requisitos para a recuperação e reconstrução pós-desastre tem sido dificultados ou postergados; e em termos gerais foram sempre incompletas e sem incorporar medidas necessárias para compensar as ameaças sofridas. A gestão do risco frente às ameaças de eventos naturais portanto tem sido por décadas insuficiente.

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