Com a proximidade da COP 16, que será realizada entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro em Cancun (México), o mundo retoma a discussão sobre as formas de se reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Nesse sentido, a indústria de resíduos sólidos ocupa uma posição única como potencial redutor, e pode contribuir com até 20% da meta global de redução prevista para 2020.
Segundo estudo realizado pela ISWA – International Solid Waste Association, dos mais de 1.800 projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) registrados na ONU – Organização das Nações Unidas, até 2009, 18% estão relacionados à gestão de resíduos, e devem gerar mais de 209 milhões de créditos de carbono até o final de 2012. A maioria desses projetos está distribuída entre Ásia e América Latina (44% e 42%, respectivamente), com destaque para Brasil e México.
Entre as iniciativas que mais podem contribuir para reduzir as emissões de GEE estão as ações de minimização na geração, reciclagem e recuperação energética, que também contribui de forma significativa para a geração de energia. As cerca de 130 milhões de toneladas de resíduos processados no mundo anualmente são responsáveis por produzir algo perto de 1.000 petajoules por ano.
“Como a maioria dos projetos registrados na ONU diz respeito à captação do gás metano produzido nos aterros sanitários para a geração de eletricidade e para o uso em sistemas de aquecimento e refrigeração, há um significativo potencial para iniciativas relacionadas à não geração, reciclagem, compostagem, valorização energética e digestão anaeróbia”, explica Carlos Silva Filho, diretor executivo da ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, entidade que representa a ISWA no Brasil. Ele salienta que a transferência de tecnologia sustentável para países em desenvolvimento é crucial para reduzir a emissão de GEE.
O estudo da ISWA mostra ainda que, para cada 10 Kg de alumínio reciclado, por exemplo, cerca de 60 Kg de CO2 equivalentes são poupados. No caso do plástico, essa relação é de 80 Kg de material para 50 Kg de CO2 equivalentes. “Quando avaliamos também os ganhos proporcionados pela compostagem, concluímos que cada tonelada de resíduos biodegradáveis coletados e compostados poupa a emissão de 60 Kg de CO2”, acrescenta o diretor executivo da ABRELPE.
Entre as recomendações da ISWA, e defendidas pela ABRELPE no Brasil, está a implementação dos princípios da hierarquia na gestão de resíduos, com a integração de ações no sentido de minimizar a geração de resíduos, incrementar a reciclagem, reaproveitar o resíduo como recurso e só depois encaminhá-lo para disposição em aterros sanitários.
Vaticano debate o futuro da água
A Pontificia Academia Scientifiarum do Vaticano, com o co-auspício da Water Assessment and Advisory – Global Network – WASA-GN além de outras instituições internacionais, promove um encontro com o objetivo de apresentar e analisar qual é o futuro da humanidade em relação com a água. A contribuição da WASA-GN será sobre o tema: “O desafio da gestão da água no século XXI”. O encontro será em Casina Pio IV, no dia 18 de dezembro e se prevê a publicação de um documento de distribuição mundial.
A WASA é uma organização internacional independente de credo político ou confessional, cuja finalidade é a criação de sinergias globais que favoreçam a gestão racional dos recursos hídricos no mundo. Para materializar este objetivo, WASA-GN criou uma rede mundial de instituições e especialistas nos temas da água e disciplinas interconectadas e propõe o estudo das causas da crise global da água e a formulação de modelos de gestão hídrica de maior racionalidade que os atuais.
A programação de encontro é a seguinte:
9h – Saudação: S.E.R. Marcelo Sanchez Sorondo – Chanceler da Pontificia Accademia delle Scienze.
9h30min. Introdução – Cardeal Giovanni Battista Re – “O valor simbólico e religioso da água”
— Sen. Paolo Scarpa Bonazza Buora – presidente da Comissão de Agricultura do Senado.
– Dr. Federico Vecchioni – Presidente da Confagricultura.
Chairman Prof. Sebastiano D’Anna – Diretor da Unidade Operativa de Neurologia e Stroke Unit Ospedale di Portogruaro.
RELATORIOS
10h – Giuseppe Altamore “O futuro da água – emergência e economia”- Jornalista e escritor, especialista da temática da água.
10h15min Carlos Fernandez-Jáuregui “O desafio da gestão da água no século XXI” Diretor da Water Assessment & Advisory – Global Network (WASA-GN).
10h30min. Antonio Massarutto “A água- um direito de todos, um dever de todos” – docente universitário e Diretor de Ricerca allo IEFE.
10h45min. Ignacio Rodríguez-Iturbe Prêmio Nobel da Água 2002 – “Ecohidrologia”
Professor de Engenharia Civil e Ambiental na Princeton University, New Jersey – EUA.
11h Anna Maria Martuccelli “A água: recurso chave para o desenvolvimento”- Diretora Geral ANBI, Associazione Nazionale Bonifiche Italiane
11h15min. Michele Pisante “Resiliência da água perante as mudanças climáticas” – Professora de Agronomia e Pro-reitora naa Ricerca Università degli Studi di Teramo.
11h30min. Pasquale Steduto “Alimentação e recursos hídricos: o desafio do futuro”
Chefe do Serviço de Água da FAO.
11h45min. Marco Catani “O papel da água no Diagnóstico na Neuroradiologia”
Psiquiatra do King’s College de Londres.
12h Mario Russolo “A terapia com Águas Termais na flogose das vias respiratórias”
Diretor do U.C.O. de Otorrinolaringologia
14h Concluões – On. Paolo De Castro -Presidente la Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da União Européia
– On. Giancarlo Galan – Ministro de Política Agrícola, Alimentar e Florestal.
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