Américas ainda tem 235 milhões de pessoas sem acesso à água segura

Cecy Oliveira – diretamente de Punta Kana (República Dominicana).

Foto: Diretora da OPAS: “Falta de saneamento é uma verdadeira tragédia”.

Dos 900 milhões de habitantes das três América pelo menos 235 milhões ainda não contam com serviços adequados de saneamento. Esta carência é uma verdadeira tragédia segundo a diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), a médica argentina Mirta Roses Periago. Ela fez um resumo da atuação da entidade e discursou na abertura do XXXII Congresso da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (AIDIS), que se realiza na cidade de Punta Kana, na República Dominicana.

A falta de acesso ao saneamento é uma das principais causas de um novo surto de cólera que está afetando o vizinho Haiti. Grande parte das províncias fronteiriças estão em estado de alerta e as autoridades sanitárias dominicana estão fazendo um forte apelo por doação de cloro granulado uma vez que os estoques que havia foram repassados aos haitianos.

A diretora da OPAS disse que milhões de latino-americanos e caribenhos carecem de saneamento adequado o que tem originado milhares de casos de diarréia por ano, a segunda maior causa de mortalidade infantil só superada pelas doenças respiratórias.

Ela mencionou também a expansão da dengue e os efeitos das mudanças climáticas que tem devastado o Caribe, uma das regiões mais vuilnerável a desastres naturais do planeta.

Em seu discurso na abertura do Congresso da AIDIS Mirta Roses disse que ” celebrar um futuro com água e saneamento para todos supõe comemorar a vida e o compromisso com os grandes valores de equidade, solidariedade, direitos e princípios que emanam da liberdade. Princípios e valores que devem ver-se refletidos no técnico e no político”.

Em entrevista exclusiva à Aguaonline a diretora da OPAS destacou entre as iniciativas exitosas a expansão da proposta de Municípios Saudáveis e a celebração do Dia Interamericano da Água. Neste último o Rio Grande do Sul foi pioneiro no Brasil tendo iniciado a celebração em 1993 estendendo as atividades no que se consagrou como a Semana da Água, promovida anualmente no mês de outubro.

Banco Mundial destaca mudanças climáticas como risco aos países em desenvolvimento

Os países em desenvolvimento, que devem absorver de 75% a 80% dos custos relacionados a danos causados pelas mudanças climáticas, estão no centro das atenções do Banco Mundial através do seu 32° Relatório sobre Desenvolvimento Mundial de 2010 – Desenvolvimento e mudança climática, publicado no Brasil ‘pela Editora Unesp.

Tendo a perspectiva de que a redução da pobreza e o desenvolvimento sustentável continuam a ser prioridades globais, o relatório destaca que são justamente os países em desenvolvimento que mais dependem diretamente dos recursos naturais sensíveis ao clima para gerar renda e bem-estar, além de serem os que mais carecem de capacidade técnica e financeira para gerenciar o risco climático. Riscos que prejudicam não só os ganhos conquistados como também as perspectivas de desenvolvimento, tornando ainda mais difícil que se alcance as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Ao trazer dados em tabelas, quadros, mapas e indicadores, o Relatório sobre o ‘Desenvolvimento Mundial’ trabalha com a ideia de sustentabilidade e pensamento “verde” em cada indivíduo, dinamizando ações que resolvam os problemas gerados pela mudança climática. Reforça assim a imagem de um mundo “inteligente com relação ao clima”, que só será alcançado se todos agirem agora, juntos e de modo diferente. Isto porque nenhum país está imune às alterações climáticas e nem é capaz de enfrentar, sozinho, os desafios que surgirem ao longo dos anos, já que isso envolve decisões políticas, mudanças tecnológicas e conseqüências de grande abrangência.

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