
Quando se trata de retratar a água não há limites para a criatividade. Nos 22 trabalhos da Exposição que o curso de Artes Visuais da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) promoveu até o dia 1o. de outubro a água pode ser vista sobre diferentes ângulos. Escultura, fotografia, pintura, performance, vídeo e instalações foram usados para expressar sentimentos de beleza, fragilidade, lamento ou protesto.
Alguns chamaram a atenção pela dramaticidade, como o que expôs um esqueleto humano tentando chegar a um cofre onde estava guardada uma preciosa amostra de água. Ou as fotos de bonecos de gelo derretendo ao sol, simbolizando que o corpo humano é 70% água e que dela depende para manter a vida.
Alegres guarda-chuvas, cobertos com copinhos de cafezinho, canudinhos de plástico ou imagens coloridas alertam sobre o quanto é consumido de material que vai permanecer por centenas de anos na natureza. Garrafas PET podem se transformar em brinquedos nas mãos das crianças mas não deixam de mostrar que o mundo está inundado por materiais plásticos. O vestido todo confeccionado com sacos de lixo serviu de fantasia para uma performance em que uma artista, representando as águas, mostrou o lado perverso da poluição e fez seu lamento arrancar aplausos da platéia.
Em um lençol de areia, garrafas de variadas cores revelavam as múltiplas visões da água. Os usos principais da água foram retratados através de figuras e rótulos. É importante saber como ela está presente nas mais variadas atividades, do turismo ao comércio, da agricultura à energia, da beleza paisagística à dessedentação de animais. E que o melhor modo de usar a água é garantir que ela estará presente para as futuras gerações em quantidade e qualidade adequadas. Também ali, em cada rótulo estão as advertências sobre o mau uso, o desperdício, a irresponsabilidade.
Uma mangueira jorrando já se tornou símbolo do desperdício mas ela serve também para mostrar o arco-íris que uma gota de água encerra e que tarefa monumental é tentar reproduzir esta beleza,
É bom lembrar, também, que na história da arte a água sempre esteve presente e que grandes mestres, como Monet, se esmeraram em deixar imagens que desafiam o tempo e que transportam para o mundo mágico de luzes e sombras que a água ajuda a refletir.
A exposição, promovida pelo projeto de Extensão Arte e Interculturalidade – Um Fazer Especial, do Cursos de Artes Visuais da Ulbra/Canoas e Coordenação de Cultura, integrou a programação da XVII Semana Interamericana da Água do Rio Grande do Sul, coordenada pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RS) e teve o apoio da Aguaonline, Instituto Brasileiro de Estudos e Ações em Saneamento Ambiental e Gestão de Recursos Hídricos (Ibeasa) e da Amanco S/A.
Obras e autores I
1- Ana Bandeira – Água a Essência da vida. Apresentação de dois desenho de observação no Rio Guaíba entre o Cais do Porto e o Gasômetro, apartir do tema poluição. Materiais: Papel tripex , grafite aquarelável, lápis dermatográfico e caneta nanquim.
2- Caroline Dias – Projeto Água Titulo: Sou Vida. Escultura de arame de uma mulher grávida em tamanho natural. Dentro um bebê em sua bolsa d’água e uma mangueira que percorre todo o corpo com um liquido colorido em movimento. Materiais: arame, mangueira, água, bola, bebê.
3-Clô Carvalho:
a) Espelhos d’água. A obra tem por objetivo levar o expectador a refletir sobre o que era a água em seu estado natural, assim como a trajetória de seu uso pelo homem. Materiais: móvel medindo 30x40x40, contendo quatro gavetas com o fundo forrado com espelhos. Dentro estão colocadas imagens impressas em transparência mostrando situações que envolvem a água.
b) Instalação em guarda-chuvas. Foram usadas diversas técnicas tendo como base a colagem de imagens, de copinhos plásticos, canudinhos de refrigerante e pintura com tinta esmalte. Através da repetição de imagens, da repetição do gesto na realização do trabalho, resgatando materiais descartados no meio- ambiente convido o espectador a refletir sobre as repetidas agressões contra a natureza cometidas no dia-a-dia.
4)Daniela Karg e Pedro Henrique Karg – foto, teatro e dança. Performance.
5)Eduardo Ayres Soares e Rosangela Terezinha Barbosa da Rosa – O Valor da Ignorância. Tema especifico: A Importância (Valor) da Água 2m² – Tridimensional. Materiais: Uma taça e uma garrafa de água. Cofre. Esqueleto Humano feito de Acrilico. Correntes. Cadeados. Cédulas de Dinheiro.
6 -Eliana Nunes – Não ao desperdício da água. Através do chuveiro mostrar como a água e preciosa e importante na nossa vida.
7- Eliane de Oliveira Silva – Nada acontece sozinho . é composto por 2 fotos no tamanho 115cm x 115cm montados em MDF, uma foto é composta por 16 imagens 30cm x 30cm mostrando a seqüência do degelo de bonecos de gelo, a segunda foto é o close de uma imagem já no final do degelo, representando corpos em decomposição, desidratados.
Desvendando segredos

Que tal abrir uma gaveta para ver como está sua relação com água. É fragmentada? Dramática? Ou a considera uma jóia?
Esta foi outra proposta da exposição que ofereceu também uma bela escultura de uma gota em pedra sabão. Ao lado, um fossil de uma garrafa PET advertia que o futuro pode ser muito sombrio se apenas o que restar forem esses traços não degradáveis.
Obras e autores II
8. Jauana Ferreira – Sapinhos na lagoa Pintura em tela de vários sapinhos tristes na beira de um riozinho todo poluído.
9. Karina Leonhartd e MaríliaJunqueira – Mandala Líquida. O trabalho consiste em representar uma mandala em forma líquida, através do elemento natural ÁGUA.
10. Luisa Sousa – Manequim com o globo terrestre atirando-o no vaso sanitário. Na BUSCA por conforto e riquezas estamos colocando o planeta na na privada.
11. Maria da Glória Jesus de Oliveira -Peixes. Pintura em acrílico. Dois peixes em água poluída.
12. Mariana Schnorr Thomas – trabalho coletivo. Desperdício mortal Objetivo: Mostrar ao público que o desperdício de água é para o planeta o sangue que é para o corpo humano. A água que sairá de uma torneira presa ao globo tendo a cor avermelhada, simbolizando o sangue, como um corpo humano que vai morrendo a medida que perde seu sangue. COMPONENTES: Mariana Schnorr Thomas (professora da E.E.E.M.José Gomes de Vasconcellos Jardim. Alunos: Eduarda Salomon, Catiane Ramos, Alexandra Severo, Flavia da Silva, Stefane da Costa, Giovanna dos Santos, Angélica Pacheco, Jéssica Dias, Letícia da Rosa, Taina Leite, Natália Cristi, Natália Rosa, Renata Santos e Walesca Amorim). Joel Machado (mecânico).
13. Roberta Dias Fagundes – trabalho coletivo. Confecção de materiais com garrafas PET. Componentes: Ana Júlia Ribeiro Pereira, Bárbara Garcia de Souza, Bruna Marques da Silva, Eduarda Dias Martins, Flávio Barbosa da Silva, Gabriel Maria Franco, Juliana Domingues Vargas, Jullya Mack Cézar
Luísa Veber Reis, Pablo Ribeiro Albernais
Renato Barbosa da Silva, Thamyres Menezes da Silva, Thauana Julia, Fagundes Antunes.
14. Tatiana da Silva e Mariéle Essvein de Castro – Poluição? Não para quem vê com outros olhos.. Pinturas na água representando a poluição.
15. Vanderlei –
a) Gota de água. Escultura.
b) Fóssil do futuro – escultura.
16. Cecy Oliveira –
a) Desperdício Quatro imagens de uma mangueira jorrando. Pintura em acrílico sobre tela e reprodiuções.
b) Múltiplas visões da água Instalação utilizando garrafas PET, areia e sal colorido. Colgame sobre PET.
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