
Thalif Deen – IPS/Envolverde.
Estocolmo, Suécia, 10/9/2010, (IPS) – Um tema central de discussão na conferência internacional realizada na capital da Suécia poderia ser resumido em duas palavras: água suja. Paradoxalmente, a sede deste vibrante debate, centrado principalmente no efeito poluente dos dejetos industriais e humanos, é uma cidade reconhecida como capital da “água de primeira classe”.
E com todo direito, segundo Gosta Lindh, diretora-gerente da municipal Companhia de Água de Estocolmo. Ao contrário dos habitantes da maior parte do mundo, “somos abençoados com um fornecimento quase ilimitado de água boa, limpa e potável”, disse, orgulhosa. A empresa, que atende cerca de 1,2 milhão de consumidores, defende métodos ecológicos: recicla o esgoto e promove o uso de lodo como fertilizante na agricultura, em lugar de produtos químicos, para não contaminar os rios.
Entretanto, o resto do mundo está bem atrás de uma cidade que ganhou o primeiro Prêmio Capital Verde da Europa 2010, concedido pela Comissão Europeia. Na vigésima Semana Mundial da Água, organizada pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI), as discussões se centram no impacto do líquido contaminado na vida humana.
O tema da conferência foi “Respondendo aos desafios globais: o desafio da qualidade da água”. E a qualidade importa, disse Achim Steiner, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). “Ter um copo de água não é algo bom se ameaça sua saúde”, afirmou.
Por sua vez, Clarissa Brocklehurst, chefe de Água, Saneamento e Higiene no Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), disse que cerca de 1,8 milhão de pessoas, na maioria menores de cinco anos, morrem por ano de doenças diarreicas causadas por água suja. Isso corresponde a uma morte a cada 20 segundos. E mais da metade dos leitos hospitalares do mundo está ocupada por pacientes com enfermidades provocadas por água contaminada.
As estatísticas do SIWI são igualmente preocupantes. A cada dia, aproximadamente dois milhões de toneladas de dejetos humanos são lançados nos recursos hídricos. E 70% do lixo industrial nos países do Sul em desenvolvimento são lançados sem tratamento na água, contaminando o fornecimento.
Rita Colwell, ganhadora do Prêmio Estocolmo de Água 2010, disse que as falhas na qualidade da água, junto com problemas derivados da mudança climática, podem causar desastrosos focos de doenças, como a cólera. Enfermidades, bactérias e vírus transmitidos pela água reduzem a capacidade de trabalho e as funções diárias das pessoas, o que pode causar transtorno social e econômico, além de frear o potencial de um país, alertou.
“A água segura é absolutamente fundamental para a estabilidade econômica e social, e inclusive para a segurança nacional”, disse Rita, professora da Universidade de Maryland e na Escola de Saúde da Universidade Johns Hopkins, ambas nos Estados Unidos. Foi premiada pelo SIWI por sua pesquisa pioneira na prevenção de enfermidades infecciosas transmitidas pela água, que ajudou a proteger milhões de vidas, principalmente no Sul em desenvolvimento.
Em seu informe “Água Enferma”, o Pnuma, com sede em Nairóbi, diz que a grande quantidade de água suja no mundo faz com que mais pessoas morram hoje por causa dela do que em razão de toda forma de violência, incluindo as guerras “A água suja também é um fator importante para o surgimento das zonas mortas sem oxigênio nos mares e oceanos de todo o mundo”, alertou.
Segundo o estudo, divulgado em março, mais de 900 milhões de pessoas carecem de acesso a água potável, e cerca de 2,6 bilhões não têm saneamento básico. O informe diz que limpar a água suja e deixá-la potável e um recurso economicamente atraente é um dos grandes desafios do Século 21.
O estudo propõe uma série de medidas, entre elas reduzir o “escorrimento agrícola” – lançamento em rios e riachos da água usada na agricultura, contaminada com fertilizantes ou outros produtos químicos – e melhorar o manejo dos dejetos humanos. O trabalho também propõe a adoção de sistemas de reciclagem e investimento em obras sanitárias.
Na Semana Mundial da Água, a ITT Corporation prometeu US$ 10,5 milhões entre 2011 e 2013 para ajudar um milhão de pessoas em todo o mundo a terem acesso a água potável e saneamento. Por meio do programa ITT Watermark, a companhia se associará com reconhecidas organizações internacionais sem fins lucrativos, como Água para as Pessoas, Mercy Corpos e Fundação pelo Desenvolvimento das Mulheres da China. Os países que serão beneficiados são Birmânia, China, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, República Democrática do Congo e Sri Lanka.
Corinthians leva meio ambiente para o futebol
O projeto de educação socioambiental Jogando pelo Meio Ambiente, iniciativa do Banco Cruzeiro do Sul em parceria com o Sport Club Corinthians Paulista, iniciou o plantio de mudas correspondente ao desempenho do time na temporada 2010. As árvores plantadas formarão a Reserva Florestal Corinthians Banco Cruzeiro do Sul.
A área está localizada escolhida tem 103 mil m² em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo, região próxima à cidade de Sorocaba. Com a proposta de plantar 100 árvores a cada jogo e mais 100 a cada gol do Timão, o projeto já garantiu cerca de 16 mil mudas, referentes a 43 jogos (4.300 árvores) e 74 gols (7.400 árvores) desde o início do ano até o final de julho de 2010.
Além disso, serão plantadas mais 1.046 árvores por conta de carboneutralização das emissões dos jogos do Corinthians no mesmo período e outras 2.924 por conta da carboneutralização do Banco Cruzeiro do Sul ao longo do ano de 2010. Caso a média de gols se mantenha a mesma até o momento, a expectativa é que sejam plantadas cerca de 26 mil árvores até o final do ano.
Os jogadores Dentinho e Bruno César lideram o ranking de gols do Corinthians em 2010. Ambos marcaram 9 gols e, portanto, já colaboram com 900 árvores cada um para a Reserva Florestal Corinthians Banco Cruzeiro do Sul.

Leave a Reply