Feizal Samath, da IPS.
Colombo, 11/3/2910 – A escassez de água que afeta o Sri Lanka tem um impacto nefasto nas mulheres. Entre sua longa lista de tarefas domésticas, está a de garantir e administrar o fornecimento familiar de água, e, nas áreas rurais, a irrigação. Como esposa de um produtor de arroz e mãe de dois filhos, de nove e dois anos, Sanjeevani Bandara tem muitas tarefas para cumprir todos os dias. Embora antes conseguisse fazer tudo, agora deve se esforçar mais para realizar até as atividades mais básicas. Bandara perde cada vez mais tempo indo buscar água longe de sua casa.
Embora o volume anual de precipitações não tenha mudado no Sri Lanka, o especialista em agricultura Champa Navaratna disse que os padrões meteorológicos estão sofrendo alterações, com chuvas de alta intensidade durante breves períodos, que causam inundações e deslizamento de terra, e longas secas, que derivam em problemas hídricos. A especialista em água Kusum Athukorala, presidente da Rede de Mulheres Profissionais da Água (NetWater), com sede em Colombo, capital do país, disse que o impacto da escassez hídrica sobre as mulheres é um aspecto fundamental do problema. Segundo ela, isso “torna suas vidas mais difíceis, ainda mais por não serem parte do processo de tomada de decisões”.
Bandara, por exemplo, disse que, em sua aldeia de Kurunegala, na região central do país, os poços secam com muita frequência. Por isso, é obrigada a andar mais de dois quilômetros de bicicleta em busca de água, carregando cuidadosamente na volta, em uma vasilha de barro. “Tenho de ir seis vezes por dia pegar água para minha família”, contou, acrescentando que deixa o filho de dois anos com o marido ou uma amiga cada vez que sai. Segundo os ativistas, Bandara, de todo modo, pode se considerar com sorte, porque pelo menos tem a bicicleta para carregar a água. Muitas outras mulheres vão a pé de casa até a fonte e voltam. “Os homens a transportam em caminhões ou motocicletas”, disse a diretora do Kanla Rainwater Haversting Forum, Thanuja Ariyananda.
Cerca de 35% dos 20 milhões de habitantes do Sri Lanka recebem água encanada fornecida por uma agência do Estado. O restante usa poços ou rios. A água para cultivo, principalmente de arroz, é fornecida por um sistema de canais derivados de rios e outras correntes hídricas. Por tudo isto, garantir um fornecimento estável de água é um problema perene para a maioria das famílias do país, mas, nos últimos tempos, a situação ficou mais desesperadora.
Jeevani Fernando, ambientalista de Negombo, 30 quilômetros ao norte de Colombo, disse que há escassez de água em várias áreas de sua localidade. “Os rios estão secando e a água encanada que chega à maioria das casas diminui entre duas e três horas por dia”, afirmou. “Por isso, há muitos problemas para as mulheres, devido ao impacto nas crianças em idade escolar, seu alimento e sua educação, bem como na lavagem de roupas”, acrescentou.
Os especialistas afirmam que parte do problema está no fato de a capacidade das reservas que abastecem boa parte desses encanamentos ser limitada e não permitir aproveitar as chuvas de alta intensidade. Isto causa um fluxo residual para o oceano, o que também ocorre devido às inundações. “Também se forma lodo na reserva, o que reduz ainda mais sua capacidade”, explicou Navaratna. O fato de os governantes terem uma lenta resposta à crise não ajuda. Há algum tempo discutem programas para potencializar a coleta de chuvas, mas não vão além.
Athikorala também observou que os debates mantidos pelas autoridades nacionais ou de outras agências sobre a água raramente incluem as mulheres em suas preocupações. “Todos dão como certo a questão da água, inclusive as mulheres parlamentares”, disse. Sua resposta à falta de acesso ao líquido consiste em “fornecer água por encanamento, sem ver que os recursos hídricos são cada vez mais escassos”, acrescentou. As organizações não governamentais assumiram a responsabilidade de atuar. O Lanka Rainwater Harvesting Forum, por exemplo, tenta aliviar a carga das mulheres em relação à água doando a áreas específicas tanques de concreto armado, que colocam acima ou abaixo do solo.
Na temporada chuvosa, a água escorre para esses tanques, com capacidade para cinco mil litros, e pode ser usada com moderação por cerca de 50 dias quando chega a seca. Até agora, organizações como o Forum doaram um total de 35 mil tanques de água de chuva. Entretanto, estas são soluções provisórias, que abastecem uma população muito limitada. Enquanto isso, a crise hídrica parece estar ficando mais complexa. Ariyananda destacou que a qualidade da água também é um problema. Seu alto conteúdo mineral nas regiões centro-norte e oriental do país faz com que “os dentes das crianças percam a cor e, após um prolongado processo, os ossos ficam quebradiços”, disse.
Bandara, por sua vez, disse que é também por isso que ela tem de ir mais longe buscar água: a que tem em seu poço possui alta porcentagem de fluoruro. Em Magombo, Fernando se queixa da água salobra dos poços de seu distrito. “Isto coloca uma grande responsabilidade sobre as mulheres, no sentido de garantirem água potável e higiene para suas famílias”, acrescentou. Há, ainda, o lançamento de dejetos sólidos em rios, lagos e outros cursos de água. E o esgotamento dos recursos hídricos subterrâneos nas cidades, já que os poucos poços existentes estão contaminados por ficarem perto das fossas cépticas.
“Há uma necessidade urgente de proteger e recarregar os poços na cidade, inclusive para outros usos, como para a privada e banho, porque a água encanada será um problema no futuro. Aqui, a higiene e a saúde se tornam um problema mais sério e essa carga, novamente, recai sobre as mulheres”, disse Athukorala. IPS/Envolverde
(IPS/Envolverde)
Demarcada a área da ETE Esperança, no Paraná
Com a liberação do acesso à área da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Esperança, a construtora Gel Engenharia começou a demarcar a área para dar início à construção da ETE, que tem prazo de execução de 12 meses.
Para garantir a coleta e tratamento do esgoto na Bacia do Ribeirão Esperança, a obra tem um custo de R$ 32 milhões. Outros R$ 1,5 milhão estão assegurados para que o projeto atenda a reivindicações de órgãos ambientais.
Embora as discussões em torno da construção de uma ETE na Bacia do Esperança tenham se iniciado em 2005 com a participação da Promotoria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e do Conselho Municipal do Meio Ambiente – que tem representação da sociedade civil –, moradores das Chácaras São Miguel, vizinhas à Estação, se mobilizaram para tentar impedir a construção da obra, que terá capacidade para atender a 120 mil moradores que hoje se utilizam de fossas sépticas.
Por duas vezes, impediram a entrada de equipamentos no local. Na última quinta-feira (04/03), concordaram em liberar o acesso uma vez que havia ordem judicial para que a Polícia Militar garantisse segurança aos empregados da empreiteira. Em função dos protestos e de uma liminar concedida pela Justiça de Londrina, o início da obra teve atraso de dois meses.
Para reafirmar o comprometimento da Sanepar na adoção de medidas que reduzam ao máximo qualquer impacto ambiental e de odores, foi elaborado um Termo de Compromisso Ambiental a partir de exigências dos órgãos ambientais e dos moradores.
A área da ETE é de 100 mil m². Desse total, 75 mil m² são de cobertura vegetal. A Estação em si terá área construída de 25 mil m².
O Termo de Compromisso, que será assinado pela Sanepar, IAP, Ministério Público, Sema e Consemma, tem como base um documento já assinado pelo prefeito Homero Barbosa Neto e pelo presidente da Sanepar, Stênio Jacob, e como testemunhas Carlos Levy, secretário de Meio Ambiente, e Fernando Barros, presidente do Consemma.
De acordo com o documento, caberá à Sanepar fazer o controle de odores com a execução de cobertura nos pontos de geração de odor; implantar tecnologia para reaproveitamento do gás gerado no processo de tratamento de esgoto; implantação de cortina verde; monitoramento do Ribeirão Esperança à montante e à jusante do lançamento do efluente da ETE; desinfecção do efluente; remoção de nutrientes (tratamento terciário), por meio de metas progressivas conforme a legislação em vigor; integrar as ligações da rede às ações do Programa Se Ligue na Rede e do plano de saneamento ambiental.
À Prefeitura, caberá condicionar a concessão de habite-se e de renovação de alvará à correta ligação do esgoto onde houver rede coletora; proceder fiscalização e vistoria em parceria com o programa Se Ligue na Rede, exigindo a correta ligação de esgoto nas 84 microbacias do município; monitorar a qualidade das águas juntamente com o IAP, Sanepar e demais parceiros.
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