À procura de água no Universo

Cientistas falam na Assembléia da União Astronômica Internacional sobre a importância da busca da água para garantir o futuro da humanidade (ESA)

Washington Castilhos – Agência FAPESP.

Cientistas apontam que daqui a cerca de 1 bilhão de anos toda a água do planeta terá evaporado, devido às altas temperaturas. Até lá, os habitantes do planeta terão que encontrar outro lugar para viver.

“Em todo o sistema estelar há o que chamamos de zonas habitáveis. No momento, em nosso Sistema Solar, esta região é a Terra. Vênus está muito perto do Sol e, devido à elevada temperatura superficial, conta somente com vapor de água. Em Marte, há gelo subterrâneo”, disse o geólogo James Bell, professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, em palestra especial sobre o tema “Água em outros planetas”, realizada na 27ª Assembleia da União Astronômica Internacional (UAI), que termina na sexta-feira (14/8), no Rio de Janeiro.

Segundo Bell, há bilhões de anos, quando o Sol era muito mais fraco, Vênus ocupava a atual posição da Terra, que então era um lugar muito frio para abrigar vida. “Mas algo muito catastrófico ocorreu em Vênus e fez com que o planeta levasse 243 dias para girar uma única vez em torno do Sol”, disse.

Para o cientista, no futuro Marte estará na zona habitável. “No ano passado a Phoenix, uma missão da Nasa [agência espacial norte-americana] a Marte, pousou perto do polo norte do planeta e encontrou gelo muito próximo à superfície. As sondas Spirit e Opportunity também constataram a existência do elemento, depois de cinco anos de pesquisa em solo marciano”, relatou.

A descoberta de água em um determinado planeta pode sugerir que naquele lugar exista ou tenha existido vida e que possa ser um local habitável para o homem. No entanto, o pesquisador observa que onde há água nem sempre há vida.

“Há água em todos os lugares. Existem 100 bilhões de estrelas em nossa galáxia e 100 mil bilhões de planetas no Universo. Mesmo se existir vida em apenas um em cada 100 milhões de planetas, ainda assim podemos dizer que existe muita vida no Universo”, disse à Agência FAPESP. Segundo ele, existe evidência da existência de água (na forma de gelo) em Titã, maior lua de Saturno e a segunda maior do Sistema Solar, e em luas de Júpiter e de Netuno.

Dados recolhidos durante dois voos da sonda robótica Cassini pela lua Enceladus, de Saturno, sugerem mais evidências sobre a presença de água líquida sob a superfície desse mundo gelado. Imagens colhidas pela nave espacial não tripulada Galileo indicam a existência de água líquida sob a crosta congelada de Europa, lua de Júpiter.

Mesmo sob a superfície da Terra pode existir mais água do que se supõe. “Estima-se que exista, no interior do planeta, um volume equivalente a mais de um oceano de água”, disse a astrofísica Karen Meech, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, que falou, na Assembleia da UAI, sobre “A origem da água na Terra”.

“Provavelmente, a água veio de muitas fontes. A questão é saber quanto e quando. Pode ter vindo dos embriões dos asteroides ou dos cometas. As mais recentes teorias revelam que o surgimento da água está extremamente ligado à origem do Sistema Solar, mais especificamente à nuvem que o formou”, apontou Karen.

“Em um período de resfriamento da Terra houve uma condensação do vapor que se materializou em forma de chuva, com isso a água foi depositada nas partes mais baixas, surgindo assim os primeiros oceanos”, disse.

MG aperta o cerco contra desmatadores

A nova lei ambiental de Minas Gerais impõe limites à derrubada de mata nativa, em especial para produção de carvão vegetal. Com isso, a siderurgia mineira, líder em produção no país, poderá mudar seu perfil. “O setor guseiro é o patinho feito hoje, queremos transformá-lo num cisne” – explica o secretário estadual de meio ambiente José Carlos Carvalho. As indústrias terão um cronograma para reduzir progressivamente, até 5%, o consumo de produtos e subprodutos originados da vegetação nativa do Estado.

De 2009 a 2013, as indústrias poderão usar até 15% de produtos das florestas nativas. De 2014 a 2017, o limite cai para 10%, e a partir de 2018, a lei só permite 5%. Sendo que, novas empresas que se instalarem em Minas depois da nova lei já serão obrigadas a cumprir o limite de 5%.

Principais mudanças

Principais mudanças trazidas com a nova lei ambiental de Minas Gerais:

1. Cronograma para redução de consumo de produtos de mata nativa:

De 2009 a 2013 – 15%; de 2014 a 2017 – 10%; a partir de 2018 – 5%; novas indústrias – 5%

2. Regra de replantio

De 12 a 15% – três árvores plantadas para cada nativa derrubada; de 5% a 12%- duas árvores plantadas para cada derrubada; até 5% – reposição de uma para uma.

3. Punição

No ano seguinte empresa poderá ser obrigada a reduzir a capacidade de produção proporcionalmente ao excesso de consumo do ano anterior. Se for reincidente, a empresa poderá ser fechada.

4.Monitoramento Eletrônico

Transportadoras terão que instalar chip nos caminhões que serão monitorados via satélite para que o estado saiba de onde sai a carga e em qual empresa foi entregue.

O novo Código Ambiental de Minas também altera o transporte do carvão. Os caminhões serão obrigados a circular com um chip que permite monitoração via satélite para o acompanhamento da trajetória da carga e identificação dos pontos de parada. Sem o monitoramento, os caminhões param e misturam carvão de floresta plantada com carvão de floresta nativa. Como chip, o estado vai saber onde o caminhão foi carregado e em que empresa entregou a carga.

A regra de replantio também ficou mais dura. A empresa que usar de 12 a 15% de mata nativa, para cada árvore derrubada, terá que plantar outras três. Para a faixa entre 5 e 12%,a reposição continua sendo o dobro do consumido. E se a empresa atingir o limite de 5% de consumo de matéria-prima florestal nativa, a reposição é de um para um. E quem não cumprir os novos limites, ou a regra de replantio, será punido com mais rigor: a empresa poderá ter que reduzir a produção proporcionalmente ao que foi consumido em excesso no ano anterior. Se for reincidente, a empresa poderá ser fechada.

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