A contaminação do ar pode causar doenças e morte. Este problema existe em todos os países das Américas, sejam ricos ou pobres.
As infecções respiratórias agudas (IRA) são a terceira causa principal de morte na América Latina e Caribe. Mais da metade destas mortes ocorrem em crianças. De fato, as IRA são o maior assassino de crianças menores de cinco anos na América Latina e Caribe. As pessoas de idade avançada também são mais suscetíveis a estas infecciones.
A asma é a causa principal de doença infantil crônica nos Estados Unidos é a causa principal de perdas de aulas entre os estudantes. As autoridades estadunidenses estimam que 4,8 milhões de menores de 18 anos padecem de asma. Milhões de crianças sofrem de asma nas Américas e cada vez mais crianças desenvolvem a doença.
Qualidade do ar nas Américas
Estudos recentes realizados pela OPAS revelam que mais de 100 milhões de pessoas na região das Américas estão expostas a níveis de contaminantes de ar urbanos que excedem os guias da OPAS. Mais de 100.000 pessoas sofrem mortes prematuras a cada ano devido à exposição a material particulado. Os principais contaminantes que é preciso vigiar de perto são:
material particulado fino
chumbo
óxidos de enxofre
óxidos de nitrogênio
monóxido de carbono
ozônio a nível terrestre
tóxicos
Outros estudos interessantes avaliam três fatores que são: a contaminação do ar, a exposição das pessoas aos contaminantes e as doenças que surgem por causa da exposição aos contaminantes. Estes estudos revelam que o maior dano à saúde em cidades da América Latina e Caribe provém do chumbo e do material particulado. Antes se adicionava chumbo à gasolina para que os motores dos veículos funcionassem sem problemas. As mudanças na indústria automobilística tornaram desnecessária a adição de chumbo e até prejudicial os modelos mais recentes de automóveis.
Muitos países das Américas proibiram o uso de gasolina com chumbo, o que se constituiu em um grande triunfo na região. Ainda que muitos países ainda não tenham proibido o uso do chumbo na gasolina, o próximo grande desafio é reduzir o material particulado no ar das Américas.
Mesmo que os países latino-americanos e do Caribe tivesse que investir grande quantidades de dinheiro para melhorar a qualidade do ar, os estudos que comparam custo-benefício da qualidade do ar mostram que é conveniente investir nesta melhoria.
Um estudo realizado na Cidade do México revelou que reduzir em 10% o material particulado e o ozônio a nível terrestre economizaria US$ 759 milhões anuais e evitaria as mortes de 266 bebês a cada ano. Se a Cidade do México pudesse cumprir os parâmetros dos guias da OPAS para a qualidade do ar, poderia economizar até US$ 2 bilhões anuais e salvaria a vida de 585 bebês!
Contaminação do ar exterior
Com freqüência a contaminação do ar exterior é conhecida como “contaminação do ar ambiental”. As cidades grandes e de tamanho médio sofrem mais com os efeitos da contaminação do ar ambiental. Isto se deve em grande parte à contaminação causada por muitas pessoas que vivem muito próximas umas das outras. Nestas cidades há veículos motorizados, edifícios e casas que utilizam combustível para cozinhar e para calefação, indústrias que fabricam produtos e muitas outras atividades.
Muitas áreas urbanas e industriais têm pobre qualidade de ar pobre e que varia dependendo do clima e da época do ano. Ainda que cada cidade seja única, compartilham muitas semelhanças no que diz respeito à fonte da contaminação. Na maioria das cidades mais de 70% da contaminação do ar ambiental provém dos veículos automotores – automóveis, caminhões e ônibus.
Embora a posse e uso do automóvel alcance os níveis mais altos do mundo nos Estados Unidos e Canadá, esta prática também está em crescimento na América Latina e Caribe. Dar manutenção a um automóvel para que queime combustível de maneira eficiente e emita a menor quantidade possível de gases pode fazer uma grande diferença na qualidade do ar exterior.
Para melhorar a qualidade do ar nas cidades é necessário que muitas pessoas e organizações trabalhem juntas. Em geral, os governos têm a responsabilidade de estabelecer as leis e políticas necessárias e colocá-las em prática. Muitos setores do governo trabalham juntos, englobando os ministérios de Energia, Indústria, Transporte, Comércio, Fazenda, Ambiente e Saúde.
Com freqüência, outras autoridades são as que fiscalizam o cumprimento das leis e regulamentações, tais como os líderes dos municípios, estados ou localidades. Aos governos locais são destinados projetos muito específicos. Outros membros e organizações da comunidade também desempenha um papel importante. Um dos projetos mais importantes é conscientizar as pessoas sobre seu papel na comunidade e assegurar-se de que os profissionais técnicos se mantenham atualizados com as mudanças na tecnologia. Também é fundamental manter as estações de monitoramento em bom estado e bem administradas, para obter bons dados.
Gestão da qualidade do ar urbano na América Latina
Vários países da região das Américas e Caribe têm adotado medidas especiais para melhorar a qualidade do ar. Pelo fato de que muitos desses países latino-americanos e caribenhos não contam com todos os recursos necessários para melhorar a qualidade do ar, as organizações estabeleceram programas para assegurar apoio. Há três programas regionais sobre qualidade do ar urbano.
Programas
Ar Limpo
A Iniciativa de Ar Limpo em Cidades da América Latina conta com o respaldo de uma sociedade de agências patrocinadoras, companhias e fundações privadas e organizações não governamentais. O Banco Mundial está encarregado da coordenação do programa.
Uma das principais metas desta iniciativa é desenvolver planos de ação para que as cidades melhorem sua qualidade do ar. Sete cidades participam atualmente deste projeto: Buenos Aires, Bogotá, Lima-Callao, Cidade do México, Rio de Janeiro, Santiago e São Paulo. Cada cidade avalia as distintas políticas e investimentos necessários para melhorar a qualidade do ar urbano.
Ar Puro
Na América Central, um programa chamado Ar Puro tem o apoio do Governo de Suíça. Sua meta é melhorar a qualidade do ar urbano melhorando o funcionamento dos automóveis. O projeto capacita a profissionais na indústria automobilística, estabelece programas para inspecionar veículos e desenvolve programas para manter o bom funcionamento dos automóveis.
O projeto também se dedica a compartilhar informação, de maneira que os cidadãos saibam quanto os automóveis contribuem para empobrecimento da qualidade do ar e que aprendam como podem contribuir com suas ações para mudar a situação.
Plano Regional
A OPAS vem desenvolvendo um Plano Regional sobre Qualidade do Ar Urbano e Saúde que sugere aos países ações que podem empreender para melhorar a qualidade do ar interior e exterior.
Este programa ajuda os países a estabelecerem políticas, criar parâmetros e elaborar leis. Também auxilia a obter e manter informação sobre ambiente e saúde. O projeto tem como objetivo educar, capacitar e criar uma maior consciência entre a população.
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