Fábio de Castro – Agência FAPESP.
A FAPESP e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinaram um acordo de cooperação para desenvolvimento de pesquisas aplicadas no setor de recursos hídricos e saneamento.
O acordo prevê um investimento de até R$ 50 milhões, sendo metade de cada instituição, ao longo de cinco anos, voltados para o financiamento de projetos propostos por pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa paulistas e da empresa de saneamento. As chamadas de propostas serão divulgadas nos próximos dias.
O acordo prevê foco em sete temas de pesquisa: “Tecnologia de membranas filtrantes nas estações de tratamento de água e de esgoto”; “Alternativas de tratamento, disposição e utilização de lodo de estações de tratamento de água e estações de tratamento de ssgotos”; “Novas tecnologias para implantação, operação e manutenção de sistemas de distribuição de água e coleta de esgoto”; “Novas tecnologias para melhorias dos processos de operações unitárias”; “Monitoramento da qualidade da água”; “Eficiência energética”; e “Economia do saneamento”.
O acordo de cooperação se insere nas formas de apoio da FAPESP voltadas a pesquisas que visam à aplicação – o que corresponde a cerca de 16% de seu orçamento. A Fundação dedica metade de seus recursos à pesquisa acadêmica – isto é, proposta pelo pesquisador sem orientação externa – e aproximadamente 1/3 à formação de recursos humanos por meio de bolsas.
Para a coordenação das atividades da cooperação entre FAPESP e a Sabesp será formado um comitê gestor constituído por dois representantes de cada instituição. Entre os critérios que serão utilizados para seleção e análise de propostas de pesquisa está o potencial de implantação de resultados nos mercados interno e externo.
Segundo Gesner Oliveira, presidente da Sabesp, a filosofia por trás do acordo FAPESP-Sabesp é que a inovação é o motor do crescimento. “Vivemos um momento do saneamento em que a inovação é particularmente importante, por três razões: há um aumento das demandas ambientais, a regulação está mais rigorosa graças à atuação do Estado e há um ambiente mais competitivo, já que a Sabesp não atua como monopólio. Essas três circunstâncias mudaram o quadro e exigem um salto que só poderá ser efetuado com proatividade”, disse.
A necessidade de investir em pesquisa, segundo Oliveira, justifica-se por estatísticas encontradas na literatura internacional: as empresas que inovam apresentam indicadores melhores – especialmente em relação à produtividade, em média 50% maior.
“A Sabesp é a quinta maior empresa do mundo da área de saneamento e tem apenas 0,05% de seu faturamento aplicado em pesquisa e desenvolvimento. Queremos incrementar essa proporção. As maiores empresas, como a Veolin e a GDF-Suez, gastam respectivamente 0,46% e 0,22% de seus orçamentos com atividades voltadas à inovação”, explicou.
A meta da Sabesp, segundo Oliveira, é universalizar todos seus serviços até 2018. Por enquanto, 111 municípios têm 100% de atendimento de fornecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
O novo marco regulatório, estabelecido nos últimos anos, segundo Oliveira, ampliou o escopo do saneamento. O foco da empresa continuará sendo os serviços relacionados ao fornecimento de água e redes de esgoto. Mas também haverá espaço para ampliação dos serviços em áreas como drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e drenagem de resíduos.
Além do acordo com a FAPESP, a concessionária paulista acertou um convênio com a prefeitura de São José dos Campos (SP) para a criação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Tecnologias de Recursos Hídricos.
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