O valor ecológico da água

A água é indispensável para a manutenção dos ecossistemas e devemos manejá-la de maneira integral!

Para começar a refletir sobre o valor ecológico da água é necessário uma aproximação com os três conceitos que se inserem nesta expressão:

Quando falamos do valor nos referimos a certas qualidades que fazem com que uma pessoa ou coisa seja apreciada. Esta palavra também se usa para designar preços ou equivalência em dinheiro, ou para sublinhar o alcance ou significado de um feito ou de uma ação.

A ecologia é o conjunto de ciências que estudam as relações entre os seres vivos e o entorno onde se encontram. O mais importante no conceito de ecologia é que sua análise não se concentra nos organismos por si mesmos nem no meio que os rodeia, mas em suas inter-relações. A unidade básica dos estudos ecológicos é o ecossistema, quer dizer, o sistema que está formado por organismos de diversas espécies e o ambiente circundante.

Finalmente, a água. Esse corpo extraordinário que se encontra em estado líquido a temperatura e pressão ordinárias e cujas moléculas se compõem de um átomo de oxigênio e dois de hidrogênio (H2O), com uma grande capacidade para dissolver diversas substâncias sejam estas sólidas, líquidas ou gasosas. Pode passar ao estado sólido e gasoso, se congela a zero grau centígrado e ferve a 100 graus centígrados quando a pressão atmosférica é normal.

Ao fazer referência ao valor ecológico da água estamos buscando examinar as qualidades que possui a água desde a perspectiva dos ecossistemas e avaliando o significado e alcance que tem para os seres vivos, a flora e a fauna, em suma, para a vida, desde uma perspectiva planetária, global e integradora.

O conceito de valor também indica como apreciamos este papel e a maneira como manifestamos tal apreço.

O ciclo da água

A água é necessária não somente como um suporte pontual para a vida da fauna e a flora, mas também como motor de um conjunto de movimentos cíclicos de renovação e transformação que conformam o chamado ciclo da água ou ciclo hidrológico.

A água tem como característica interessante seu extraordinário grau de mobilidade: passa do estado líquido ao estado gasoso, retorna ao estado líquido, pode passar novamente ao estado sólido e continua assim em um processo permanente de mudanças que se relaciona com a energia.

A água é a mestra do reciclado, da autoconversão e da autopurificação.

Vejamos como ocorre o processo. As águas oceânicas ou continentais passam ao estado gasoso mediante a evaporação, graças à energia que recebem do sol. Os níveis de evaporação dependem da temperatura e da quantidade de vapor ou umidade que se encontre no ar circundante. Também existe uma importante evaporação que provém das plantas, que neste caso se denomina transpiração.

O processo inverso à evaporação é a condensação. O vapor volta a se converter em água quando o ar saturado com umidade absorve mais umidade por parte de outras substâncias ou quando há uma gota na temperatura do ar saturada com umidade. O vapor se condensa no ar e forma minúsculas gotas de água; estas por sua vez formam as nuvens.

O ar que contém vapor ou nuvens é transportado pelo vento de um lugar a outro, por este motivo, o vento desempenha um papel importante na possibilidade de que chova ou não em um lugar.

Como as minúsculas gotas que constituem as nuvens não têm possibilidade de cair na terra por seu pequeno tamanho, é possível que se convertam de novo em vapor. Se calcula que cada milhão dessas minúsculas gotinhas podem formar tão somente uma gota de chuva. Estas gotas grandes são as que caem na superfície terrestre em forma de precipitação. De acordo com as condições climáticas, as gotas se unem, às vezes, com cristais de gelo e formam flocos de neve que podem se converter em água à medida que caem na terra ou se precipitam em forma de granizo.

Quando chove, a água não desliza pela superfície unicamente, mas parte dela é absorvida pela terra. A possibilidade de que o solo absorva a água depende de diversas circunstâncias, entre elas, o grau de porosidade do solo, a vegetação existente e as camadas que resultam impenetráveis. Por exemplo, nas cidades, o asfalto não permite que a água seja absorvida pelo solo. Em todo este processo existe também a possibilidade de que sejam criadas fontes naturais de água, particularmente quando a chuva é retida nas camadas rochosas.

A água superficial é aquela que flui sobre a superfície da terra, como os rios, ou que se encontra em um lugar concreto, como os lagos ou áreas úmidas.

Assim, o ciclo da água transcorre em diversas etapas: a evaporação ou transpiração, a condensação, o transporte, as precipitações, a infiltração e o movimento de águas superficiais ou subterrâneas.

Em cada um destes momentos, a água representa um grande valor ecológico, uma vez que estabelece as bases para que os diversos ecossistemas, sejam eles aquáticos ou terrestres, tenham possibilidades de vida.

Bacias hidrográficas I

Uma maneira global de trabalhar a temática da água se relaciona com o conceito de bacias hidrográficas, que são aqueles lugares da superfície terrestre cujas águas superficiais se dirigem a um ponto de confluência.

Cada bacia tem condições específicas de clima, relevo, vegetação, etc., que determinam as condições do ciclo da água. Por sua vez, a gestão de uma bacia hidrográfica é parte de um conceito mais amplo que se denomina de ordenação ambiental do território e que inclui todos os elementos de manejo dos ecossistemas em uma visão integral para o desenvolvimento sustentável.

A Presença e a influência da água

É importante observar os lugares onde se encontra a água, seus caminhos, sua influência sobre os diversos ecossistemas, sejam estes aquáticos ou terrestres, distribuição no espaço e no tempo, e sua utilidade para os seres humanos.

No solo, a água cumpre um papel essencial uma vez que nutre a flora e exerce notável influência sobre os sólidos que estão contidos nele. Na vegetação, a quantidade de água vai desde 80% nas folhas até 60% nos tecidos que se denominam lenhosos. Nas frutas, a presença da água é muito alta, nas uvas ou nos tomates, por exemplo, o conteúdo de água é até de 95%, mas em outros frutos pode ter uma presença menor, como é o caso dos chamados frutos secos, como o amendoim, que contêm apenas 5% de água.

Na fauna, a água também tem uma presença muito significativa. No que se refere aos seres humanos, é de destacar que seu peso corporal se caracteriza por conter aproximadamente 70% de água, distribuída de maneira diversa no corpo; a saliva e o suor contêm cerca de 95% de água e os ossos do esqueleto aproximadamente 10%. É sabido que os seres humanos não podem viver mais de três dias sem água, ainda que se possa permanecer muito mais tempo sem alimentos sólidos.

No planeta Terra há três espaços claramente diferenciados: a litosfera ou parte sólida; a atmosfera, que é uma massa de tipo gasoso; e a hidrosfera, quer dizer, a massa líquida. Esta massa líquida conforma os oceanos ou as águas continentais, como rios, lagos ou lagunas, ou se pode encontrar no subsolo, na forma de águas subterrâneas.

O que se conhece como biosfera, a chamada esfera da vida, se localiza precisamente na intercessão dos três espaços mencionados.

Para que no planeta Terra possa haver a vida em geral e a vida humana em particular, se requer que exista oxigênio, que contemos com água e que haja um suporte terrestre.

A água e alguns detalhes

Quando as águas oceânicas evaporam, os vapores resultantes já não têm sal, de maneira que nesse momento se realiza uma valiosa transformação da água salgada em água doce, a qual é transportada posteriormente para as superfícies continentais.

Os ecossistemas dependentes de fluxos de energias e de ciclos de nutrientes essenciais, são providos pela água graças a sua capacidade de dissolvê-los e transportá-los. Sem a água não funcionariam os ciclos biológicos, geológicos, nem químicos que permitem a vida.

A presença da água equilibra o calor do nosso planeta ao transportar calor de umas a outras latitudes e consegue que as variações térmicas sejam menores.

Tudo isto destaca a enorme importância de manter um bom equilíbrio global da água, já que todos os processos mencionados têm uma permanente interação e uma decisiva influência mútua. Por exemplo, de nada serviria fazer a gestão dos recursos hídricos em uma pequena localidade, de maneira isolada, se no seu entorno as atividades estão desequilibradas.

Por este motivo, é preciso que se respeite e cuide o ciclo da água em todo o planeta Terra e que se considerem os elementos de suas diversas etapas para conseguir que continue sendo o valioso motor e base da vida.

Bacias hidrográficas II

O critério de manejo de bacias nos leva a trabalhar naquilo que alguns denominam a unidade ecológica menor, onde se realiza o ciclo da água. Por isso, é importante ter claras as múltiplas relações que existem nestas unidades e das quais depende o bom manejo da água e, consequentemente, a possibilidade de relacionarmos adequadamente com a base de vida.

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