Universidade desenvolve biocompósitos a partir de fibras naturais

A Universidade São Francisco, por meio do programa de pós-graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais, vem desenvolvendo materiais compósitos a partir da mistura de fibras naturais e resíduos de madeira com resinas plásticas. Trata-se de uma nova geração de materiais denominados biocompósitos que podem ser utilizados na fabricação de diversos utensílios, móveis ou até mesmo componentes para a indústria automobilística, aeronáutica e eletroeletrônica em substituição à madeira e aos materiais plásticos convencionais.

Segundo o coordenador do Programa de Pós Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da USF, Carlos Alberto Corrêa, que também é o responsável pela realização desta pesquisa, cerca de 70% dos materiais plásticos ainda são destinados para aplicações em embalagens e produtos descartáveis, de vida curta e elevado impacto ambiental.

Segundo ele, as matérias-primas utilizadas atualmente na produção de plásticos também são muito dependentes do petróleo, por isso é importante buscar alternativas mais viáveis tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. ”Na área da engenharia hoje é muito importante a questão da sustentabilidade, ou seja, utilização de fontes renováveis de matérias-primas que não comprometam a subsistência das gerações futuras”, destaca o professor.

As fibras naturais, de origem vegetal, são abundantes em nosso país e tornam os plásticos muito mais resistentes possibilitando a sua aplicação em componentes estruturais com maior durabilidade e reduzido impacto ambiental. Os biocompósitos desenvolvidos nos laboratórios da USF, localizado no campus de Itatiba (SP), são produzidos utilizando de 30 a 40% em massa de resíduos de farinha de madeira e sisal. Além de leves, resistentes e mais baratos, também são totalmente recicláveis.

A pesquisa da Universidade São Francisco é financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), e tem sido desenvolvida em parceria com a Universidade de Toronto, no Canadá. “Os canadenses preocupam-se com a questão ambiental há muito mais tempo do que nós que somos ricos em recursos naturais e ainda não sofremos os impactos adversos da industrialização”, relata o professor da USF, ao retornar de uma conferência internacional sobre biocompósitos em Toronto.

No Brasil, explica, já existem indústrias interessadas nestes biocompósitos. No exterior, a Toyota já iniciou alguns testes para a fabricação de componentes automobilísiticos a partir de biocompósitos. “O uso deste material reduz inclusive o consumo de energia, já que é processado a temperaturas bem abaixo das do aço e do alumínio. “Tudo isso consome energia, além de gerar gases do efeito estufa. Se pudermos ao menos produzir carros menos poluentes desde a sua concepção e uso ao descarte, já é um bom começo, já que tudo indica que não conseguiremos viver sem essas máquinas que nos dão sensação de poder e liberdade”, conclui.

Câmara Federal de Compensação Ambiental retoma atividades

Já com a sua nova composição, que inclui representantes da sociedade civil, a Câmara Federal de Compensação Ambiental (CFCA) realiza sua primeira reunião no dia 20/08, no Ministério do Meio Ambiente. Em pauta, o regimento interno e o início das discussões sobre as novas regras para o cálculo do valor da compensação ambiental. A idéia é que governo e sociedade se reúnam mensalmente para deliberar sobre a utilização desses recursos, pagos pelo empreendedor para compensar o impacto ambiental causado pela obra.

De acordo com portaria publicada em julho no Diário Oficial, além do Ministério do Meio Ambiente, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Câmara para a ser composta por representantes da sociedade civil da Abema, Anamma, Confederação Nacional da Indústrias (CNI), Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Fboms). A idéia de ampliar a composição foi do ministro Carlos Minc, para dar mais representatividade ao colegiado.

A CFCA será responsável por propor critérios de graduação de impactos ambientais para fim de cálculo do valor devido a título de compensação ambiental, bem como examinar e decidir sobre a aplicação dos recursos e medidas destinados à compensação ambiental a serem utilizados nas unidades de conservação existentes ou a serem criadas, apresentadas pelo Instituto Chico Mendes e pelos demais órgãos ambientais. Para este ano, a Câmara terá que deliberar sobre R$ 200 milhões destinados às unidades de conservação.

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