
Tradução: Maria C, Zinato (*)
O trienal Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo (United Nations World Water Development Report -WWDR) é uma realização de 24 agências das Nações Unidas compondo o UN-Water em parceria com governos e outros atores, e coordenado pelo Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP).
O segundo Relatório, Água, uma responsabilidade compartilhada (WWDR2, 2006), traz uma visão panorâmica global atualizada do estado e usos da água doce, problemas críticos relacionados à água e mecanismos usados pelas várias sociedades para enfrentá-los. Baseado na análise de especialistas, estudos de casos e centenas de elementos gráficos, é a mais abrangente realização, até o momento, de avaliação de água doce, como um mecanismo para monitorar mudanças nos recursos e seu gerenciamento e progresso no sentido do cumprimento das metas de desenvolvimento, particularmente as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG) das UN.
O WWDR2 foi oficialmente apresentado no Dia Mundial da Água, 22 de março de 2006, pelo coordenador do WWAP, Gordon Young, e representantes do UN-Water e parceiros nacionais. A versão em inglês do Relatório está acessível de graça na Internet.
Esta nova edição baseia-se nas conclusões do primeiro Relatório Água para Todos, Água para a Vida, publicado em 2003. O segundo Relatório apresenta um panorama detalhado dos recursos hídricos de todas as regiões e a maioria dos países do mundo, descrevendo os avanços realizados para se alcançar as MDG relacionadas aos recursos hídricos. O Relatório analisa uma ampla variedade de temas relevantes, dentre eles, o aumento da população e da urbanização, as mudanças nos ecossistemas, a produção de alimentos, a saúde, a indústria, a energia, assim como a gestão de riscos, o valor e o preço da água e o fortalecimento de conhecimentos e capacidades. Dezesseis estudos de caso examinam os desafios habituais que consideram a água um recurso e mostram as diversas facetas da crise de água e suas diferentes soluções de gestão.
Finalmente, o Relatório apresenta uma série de conclusões e recomendações para medidas futuras e promover o uso sustentável, a produtividade e a administração adequada dos, cada vez mais escassos, recursos hídricos.
O 2º Relatório destina-se ao público em geral e a todos os interessados ou implicados diretamente com a formulação e aplicação de políticas relacionadas com a água; a diretores, investigadores, professores, estudantes e, obviamente, a todos os usuários das águas.
Acesse o WWDR2 completo no: http://www.unesco.org/water
Ou solicite um exemplar no: http://publishing.unesco.org
Fonte da tradução: http://www.unesco.org/water
(*) Tradução: Maria do Carmo Zinato, editora do informativo Fonte d’Água e vice-presidente do IBEASA. E-mail: fontedagua-owner@yahoogrupos.com.br .
Compartilhando a água
Há mais de 3.800 declarações ou convenções uni, bi ou multilaterais sobre água: 286 são tratados, com 61 referindo-se a mais de 200 bacias hidrográficas transfronteiriças.
Água e Indústria
• Dados os incentivos apropriados, geralmente nota-se que a indústria pode cortar sua demanda de água de 40 a 90%, mesmo com técnicas e práticas atuais. Entretanto, as políticas de conservação de água precisam ser justas, factíveis e fiscalizadas.
Água para a alimentação, agricultura e qualidade de vida rural
• Apesar de corresponder a apenas 10% da água usada na agricultura, a irrigação é responsável por 70% de toda a retirada de água doce e, por isso, está sob forte escrutínio sempre que se discute governança da água doce.
• Atualmente, cerca de 13% da população mundial não tem acesso a alimentos suficientes para viver uma vida saudável e produtiva, ainda que a habilidade, tecnologia e os recursos necessários para se produzirem alimentos suficientes para cada homem, mulher e criança no mundo exista. Carências na saúde, recursos financeiros ou naturais, como solo e água, e falta de habilidades para fazer a ponte das atividades produtivas com os mercados mais remotos e assegurar empregos, estão todos intimamente ligados à pobreza.
Água e Energia
• Apenas cerca de 25% das represas do mundo estão envolvidas na produção de energia elétrica.
• A Europa usa 75% de seu potencial hidroelétrico, enquanto a África desenvolveu apenas 7%. Isso pode ser visto como a pedra angular possível para o futuro desenvolvimento na África.
Água e Assentamentos Humanos em um Mundo em Urbanização
• À medida que cresce a população urbana, muitas cidades importantes têm precisado retirar água doce de bacias cada vez mais distantes, já que as fontes superficiais e subterrâneas não mais atendem a demanda ou tornam-se poluídas ou chegam ao ponto de super-exploradas.
• Em 2000, mais de 900 milhões de moradores urbanos (aproximadamente um terço de todos os moradores urbanos do mundo) vivem em favelas. Um morador de favela deve ter acesso a uns 5 ou 10 litros de água por dia para seu uso. Um proprietário de classe média ou alta na mesma cidade, entretanto, chega a usar uns 50 a 150 litros por dia, se não mais.
Proteger e promover a saúde humana
• Estima-se que a fim de assegurar nossas necessidades básicas, cada indivíduo precisa de 20 a 50 litros de água, livre de contaminação cada dia e todo dia.
• A cobertura de saneamento em países em desenvolvimento (49%) é a metade daquela de países desenvolvidos (98%)
• Em Bangladesh apenas, mais de 4 milhões de poços foram instalados nos últimos vinte anos para garantir água potável segura a 95% da população. Entretanto, altas concentrações de arsênico foram encontradas nesses poços, provocando o maior envenenamento em massa da história.
Ecossistemas costeiros e de água doce
• O crescimento da população humana e a expansão das atividades econômicas estão coletivamente colocando enorme demanda sobre os ecossistemas costeiros e de água doce. Retiradas de água, por exemplo, aumentaram seis vezes desde 1900, o que corresponde a duas vezes a média do crescimento populacional.
• Espécies de água doce estão aparentemente mais ameaçadas pelas atividades humanas do que espécies em outros reinos. Em média, as populações de espécies de água doce caíram em cerca de 50%, entre 1970 e 2000, representando um declínio mais agudo do que o registrado em ambos os biomas terrestre e marinho.
Gerenciamento de Riscos: Assegurar os ganhos do desenvolvimento
• Países em desenvolvimento são desproporcionalmente afetados pelos desastres; suas perdas são cerca de 5 vezes mais altas por unidade do produto interno bruto (PIB) do que as dos países desenvolvidos.
• Durante o período de 10 anos de 1992 a 2001, cerca de 90% de todos os desastres naturais foram de origem meteorológica ou hidrológica.
O status do recurso
• Sistemas de água subterrânea, globalmente, provêem 25 a 40% da água potável do mundo.
• Os últimos 5 anos do século XX foram caracterizados por uma tendência geral de derretimento contínuo dos glaciais. Este declínio terá impactos tanto sobre a sustentabilidade dos recursos hídricos nas bacias, que dependem de glaciais, quanto nos seus ecossistemas.
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