
Ministra da Espanha quer órgão da ONU para a Água.
Cecy Oliveira – direto da Cidade do México na cobertura do IV Fórum Mundial da Água
A Espanha vai apresentar uma proposta para sediar um órgão especial da ONU para a Década da Água com o objetivo de centralizar e dar melhor operacionalidade aos diversos programas internacionais que têm como foco a água e que estão sendo desenvolvidos pela entidade. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva à qual esteve presente a editora da Aguaonline, Cecy Oliveira, que realiza a cobertura do IV Fórum Mundial da Água, na Cidade do México, pela ministra do Meio Ambiente da Espanha, Cristina Narbona.
Este centro teria a incumbência de impulsionar os vários programas internacionais espalhadas por mais de 10 agências da ONU para concentrar os esforços na solução dos problemas relacionados à água e ao saneamento.
A ministra disse ainda que é preciso haver uma distinção entre o que se relaciona com o direito ao acesso à água para manutenção da vida – ou seja: a uma ração diária de 30 a 40 litros por pessoa – e o uso da água tratada para atividades econômicas ou da água dos mananciais para irrigação. Segundo ela essa noção de direito humano é a que a Espanha defende. Ressaltou no entanto que uma declaração da União Européia pode não contemplar esse conceito. “Vamos trabalhar nos próximos dois dias com os demais ministros para que possamos alcançar uma declaração mais enfática. Mas a Espanha continuará defendendo essa visão”, afirmou.
Três acordos na área da água deverão ser assinados pelo governo espanhol durante as ativdades do Fórum. Um deles será sobre uma associação estratégica da América Latina e União Européia em matéria de recursos hídricos e saneamento em que Espanha e Portugal têm um papel importante como líderes desta iniciativa regional fixada pela União Européia.
Outro campo de ação da Espanha será a formação da Rede de Operadores de Água entre os dois continentes. Parcerias nesta área já estão em desenvolvimento com o México e o Brasil. Um projeto desenvolvido com o Governo do Rio Grande do Sul possibilitou a realização de um projeto, no valor de US$ 1 milhão, doado pelo governo espanhol, para a realização de uma base de dados sobre as condições de saneamento dos 226 municípios gaúchos com menos de 5 mil habitantes.
Esta base de dados já possibilitou o início de um programa de atendimento aos municípios em condições mais críticas com a realização de projetos nas áreas de água, esgoto e drenagem.
Frases

“Embora o petróleo seja muito importante, a água é muito mais importante. Água é vida. Sendo assim, devemos priorizar a água em detrimento do petróleo”,
Michel Camdessus, conselheiro da ONU e ex-diretor-gerente do FMI.
“É uma arma de destruição em massa que assassina milhões de pessoas, destrói ecossistemas e ameaça economias”,
Aaron Wolf, professor da Universidade do Estado do Oregon (EUA), especialista em resolução de conflitos hídricos, se referindo-se à água poluída.
Um dos momentos mais emotivos foi a apresentação das crianças da Etiópia,Quênia, Malawi, Nigéria e Togo, que deram uma mensagem ao mundo: “Estão prontos para escutar nossa mensagem e responder a nosso chamado?
Muitas crianças deixam a escola por falta de acesso a serviços de saneamento, muitos morrem por falta de acesso a serviços de saneamento, sem água e saneamento nas escolas, não poderemos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estão prontos para trabalhar conosco?”.
Comunicação é ferramenta importante na mobilização
Painel sobre Questões Transversais em Políticas de Água analisou o papel da Comunicação
Uma megaestrutura de salas de imprensa e o credenciamento de 1.300 jornalistas para a cobertura da IV Fórum Mundial da Água mostram a importância do papel dos meios de comunicação para as batalhas pela água.
Em pelo menos dois painéis do Fórum o tema dos meios de comunicação, incluindo do cinema à publicidade, do rádio, tv, jornais, revistas à internet chamou a atenção.
Em dois deles, um dos quais teve a participação da editora da Aguaonline, jornalista Cecy Oliveira – que integra o Comitê Executivo da Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH) – foi enfatizada a necessidade do engajamento das agências de publicidade no esforço pela publicização dos temas relacionados com os recursos hídricos.
As peças criadas pela Agência Novacentro, de Porto Alegre, e doadas ao Instituto Brasileiros de Estudos e Ações em Saneamento Ambiental (IBEASA) receberam elogios dos participantes do painel que analisou os Planos Nacionais do Brasil e do México e a participação da comunidade.
Cecy Oliveira citou a pesquisa realizada pelo Ibope demonstrando que os brasileiros desconhecem o trabalho dos Comitê de bacias e que é necessário uma maior decodificação do linguajar técnico para ampliar o entendimento e a participação da população no gerenciamento hídrico. “As pessoas precisam entender as relações entre a água da natureza e a água do consumo e nesse sentido os anúncios elaborados pela equipe de criação da Novacentro ajudam a fazer a correlação entre esses dois pontos” , ressaltou. Ela lembrou a experiência de cinco anos na coordenação da Semana Interamericana da Água no Rio Grande do Sul onde firmou convicção de que as pessoas estão dispostas a participar da mobilização desde que possam fazer isto na sua casa, no seu local de trabalho. “O importante é que sintam que a preservação dos mananciais não é só uma tarefa do governo”.

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