Opinião dos Leitores

Marcos Gugliotti

Comentário:

“A tecnologia dos filmes monomoleculares de surfactantes tem sido aplicada há mais de 50 anos, porém em caráter experimental. O primeiro produto viável comercialmente chegou ao mercado internacional no ano de 2002. O produto da Lótus Química Ambiental, ainda em desenvolvimento, é o segundo produto no mundo que tem demonstrado ser viável comercialmente para a redução da evaporação, além de possuir vantagens em relação ao produto comercializado no exterior. Conforme mencionado na reportagem, este método é considerado uma “tecnologia ambientalmente saudável” pela ONU exatamente por seu impacto ambiental ser muito baixo ou imperceptível. Porém, novos estudos de impacto ambiental serão realizados para essa nova composição.

Os testes de campo servem não somente para determinar a eficiência do produto, mas também para avaliar seu impacto. Testes toxicológicos em laboratório já demonstraram a baixa toxicidade do produto. Em alguns ensaios, não foi observada toxicidade nem mesmo para a máxima concentração testada. Entretanto, mais testes serão realizados.

É importante ressaltar que o produto não acaba com a evaporação, mas apenas promove sua redução. Entretanto, em regiões onde a evaporação atinge níveis insustentáveis, como no Nordeste, esta redução (entre 15% e 30%) representa uma economia significativa de água. Não há possibilidade desta tecnologia alterar o ciclo hidrológico ou provocar mudanças no clima em geral, como variações na umidade relativa ou modificações na incidência de chuvas, pois a quantidade de água que deixa de evaporar é desprezível em relação à quantidade de água presente na atmosfera e disponível para precipitar.

Além disso, a atmosfera é extremamente dinâmica, e a água que precipita em uma região pode muito bem ter evaporado em outra região, seja dos rios ou até mesmo dos oceanos. Apenas para comparação, se a redução parcial da evaporação com esta tecnologia causasse algum impacto na atmosfera, então a venda de lonas para recobrir piscinas – o que causa uma redução muito maior da evaporação – deveria ser proibida no mundo inteiro, principalmente em regiões de clima seco, como no DF. Obviamente, isso não ocorre. (OBS: o recobrimento de açudes com lonas é inviável técnica e economicamente).

O filme formado na superfície da água apresenta permeabilidade seletiva, isto é, reduz a passagem das moléculas de água, mas não reduz significativamente as trocas gasosas de oxigênio e gás carbônico entre o corpo hídrico e a atmosfera.

Permeabilidade seletiva

Os surfactantes que compõem o produto são também usados na formulação de diversos cosméticos e remédios, incluindo misturas comerciais do surfactante pulmonar, justamente por não interferirem significativamente na difusão de oxigênio e gás carbônico através das paredes dos alvéolos pulmonares. Apenas para esclarecimento, a Lótus Química Ambiental está incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (CIETEC). A FAPESP é a financiadora do projeto.

Marcos Gugliotti, Ph.D. Diretor Científico Lótus Química Ambiental –

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