
A água doce tem sido o tema principal em diversos fóruns e campanhas nacionais e mundiais para o uso sustentável dos recursos naturais neste século. A preocupação com a possibilidade de escassez crescente dos recursos hídricos e com o alto custo de sua conservação e distribuição vem ensejando grande número de estudos e pesquisas que buscam alternativas para seu melhor aproveitamento.
A Câmara dos Deputados se integra nesse movimento, ao colaborar com um projeto nacional, desenvolvido por uma empresa incubada pela Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A Lótus Química Ambiental, do Dr. Marcos Gugliotti, localizada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (Cietec), vai utilizar os espelhos d’água da Câmara para testar a aplicação de um produto que tem por objetivo reduzir as perdas causadas pela evaporação.
Em superfícies de água expostas ao ar, como represas, açudes ou espelhos d’água, há sempre perdas por evaporação. Porém, estas perdas em regiões áridas e semi-áridas podem atingir níveis insustentáveis. Na região Nordeste por exemplo, a evaporação pode atingir 75% da água acumulada, ou seja, para cada metro cúbico armazenado outros quatro são perdidos por evaporação. “Contribuir para o desenvolvimento de um produto que vai ser útil em muitos lugares, principalmente em regiões onde os índices de evaporação são elevados, é importante”, afirma Rachel Osório, do Ecocâmara.
A tecnologia testada consiste na aplicação de um filme ultrafino de surfactantes (produto que diminui a tensão superficial de uma solução). Quando colocada na água, a mistura forma uma película da espessura de uma molécula, que diminui a rugosidade da superfície, reduzindo a evaporação. O produto tem baixa toxicidade e não causa danos à fauna ou à flora.
A aplicação de produtos biodegradáveis na superfície de água e açudes é considerado pela Organização da Nações Unidas (ONU), uma “tecnologia alternativa” para a conservação da água doce, e se encaixa na definição de “tecnologia ambiental saudável” da Agenda 21.
O Distrito Federal, pelo clima seco e caracterizado pela sazonalidade, presta-se para a aferição quantitativa dos resultados, e por isso foi escolhido para receber o projeto “Testes de Eficiência de redutores de evaporação em espelhos d’água”. O Núcleo de Gestão Ambiental – Ecocâmara da Aproje/DG e o Departamento Técnico (DETEC) da Câmara estão dando o apoio técnico necessário à efetivação dos testes.
A experiência fo programada para os dias 13, 15 e 17 de setembro. A cada 48 horas 1,4 Kg do produto – um pó formado por calcáreo e surfactantes biodegradáveis antiespumantes – serão aplicados nos espelhos d’água da Câmara, que possuem uma área de 14.000 m². Os engenheiros do DETEC e pesquisadores do projeto acompanharão os índices de redução da evaporação, que se espera sejam da ordem de 15 a 30%.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Câmara
Opinião dos Leitores
Isaac Gabai – gabai@cinal.com.br
“Sobre a aplicação de tensoativos para redução da evaporação de grandes superfícies de água, informo que, há 45 anos atrás já se usava a aplicação de películas finas de alcoois graxos para essa finalidade”.
Márcio P. Garzuzi – .marcio_garzuzi@yahoo.com.br
“Sem dúvida alguma que a contenção da evaporação permite que a água permaneça em seu local, para poder ser utilizada, porém não se deve esquecer de fazer um estudo do impacto ambiental da ausência (ou diminuição) desta evaporação que seria lançada no ar”.
Mauro Santiago Vaitsman – mvaitsman@web.reweb.com.br.
“Evitar a evaporação não resolverá coisa alguma, haja vista que, sendo a água,absolutamente incompressível, num determinado momento conseguirá seguir seu curso,para completar o ciclo hidrológico.
Mardson Chagas – mardsons@universiabrasil.net
“Deve ser avaliado também se avará diminuição das trocas gasosas da água com a atmosfera. O oxigênio dissolvido na água pode ser afetado?
São Francisco
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados vai ouvir no dia 27/09, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Luiz Barroso Barros, para prestar esclarecimentos sobre a licença ambiental concedida para o início das obras da transposição das águas do rio São Francisco. A audiência pública foi requerida pelo deputado Mendes Thame (PSDB-SP).
“O projeto de transposição das águas do rio São Francisco é ambientalmente polêmico, pois há diferentes estudos sobre os impactos socioambientais, além de questionamentos quanto ao volume orçamentário que o Ministério da Integração Nacional terá que desembolsar para concluir a obra”, justifica Mendes Thame.
Os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas são contrários ao projeto que busca levar água para algumas áreas do sertão nordestino. Segundo a professora da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Yvonilde Dantas Pinto Medeiros, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco, não está claro no projeto quem são os reais beneficiários. A seu ver, a bacia doadora da água também deve ser compensada. “Não temos conhecimento das reais necessidades dos consumidores”, alerta.
Thame lembra ainda que uma análise feita pelo Banco Mundial (BIRD), a pedido do governo brasileiro, sugere que o projeto de transposição do rio São Francisco para o Nordeste Setentrional (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco) seja adiado e que, no curto prazo, os recursos orçamentários sejam investidos em sistemas de abastecimento locais, como a construção de cisternas para captação de água das chuvas e de mais adutoras, revitalização do próprio rio, além do fortalecimento do Proágua Semi-Árido, que tem como objetivo garantir a ampliação da oferta de água de boa qualidade para o semi-árido brasileiro.
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