Reciclagem de Pneus e o Meio Ambiente

Ernesto Ubiratan Marchiori

A empresa fabricante de pneus Bridgestone – Firestone está promovendo um grande recall para substituir pneus radiais modelos AT, ATX e Wilderness. Estes pneus se mostraram inseguros nas pick-up Ford modelo Explorer, causando graves acidentes devido ao descolamento da banda de rodagem.

Na primeira etapa deste recall está prevista a substituição de 20.000 pneus, mas poderá chegar a centenas de milhares. É claro que um recall desta dimensão arranha a imagem e a credibilidade de qualquer empresa. Porém é uma oportunidade impar, sui generis diria, para a empresa Bridgestone Firestone mostrar seu real interesse e capacitação na preservação do meio ambiente.

Um programa de descarte e reciclagem destes pneus velhos poderá recuperar a imagem da empresa e trazer novas soluções para um velho problema ambiental. Estas ações poderão gerar novos empregos qualificados, frutos da evolução tecnológica neste segmento causador de grandes impactos ambientais. Caberá à imprensa especializada acompanhar os fatos e os desdobramentos deste importante recall.

A reciclagem de pneus é um assunto complexo que envolve um gerenciamento integrado entre empresas fabricantes, empresas de recauchutagem, consumidores de energia térmica, geração de energia elétrica em usinas termoelétricas, consumidores de artefatos de borrachas e seus subprodutos.

É importante salientar que a queima de pneus libera SO², causando chuvas ácida, agente poluidor da água dos rios. A combustão de pneus também libera diversos gases tóxicos que poluem muito o meio ambiente. Por outro lado, se for utilizado um método revolucionário de desintegração dos pneus através de microondas em atmosfera de nitrogênio é possível gerar energia elétrica e recuperar integralmente as matérias- primas constituintes destes pneus, através de um processo canadense de desintegração por microondas.

O conceito de sustentabilidade dentro do Capitalismo Natural parte da premissa de que as empresas devem acompanhar o ciclo de vida de seus produtos, das matérias-primas, até a completa degradação dos mesmos na natureza. Portanto em qualquer analise econômica a Lei da Conservação das Massas e a Lei da Conservação da Energia deverão ser contabilizadas.

Trata-se de um novo conceito que os economistas ainda não estão familiarizados, muitos conhecem os preços dos produtos, mas desconhecem os custos ambientais de reciclagem e de degradação dos mesmos até chegar a formas inócuas ao meio ambiente.

Iniciativas pioneiras têm sido adotadas pelos órgãos de controle ambiental da Austrália. A EPA Environment Protection Authority New South Wales tem gerenciado muito bem seus estoques de pneus usados. O Brasil tem muitas similaridades com a Austrália e poderia adotar um programa de redução de lixo proveniente da indústrias de pneus similar ao australiano.

O Japão, por razões de espaço e de cuidados na preservação do meio ambiente, é o país mais adiantado na reciclagem de pneus usados, adotando um modelo integrado de soluções conforme está demonstrado no quadro abaixo.

O Brasil precisa estabelecer algum programa para este grave problema ambiental.

Veja tabela no arquivo abaixo

Autor

Ernesto Ubiratan Marchiori é engenheiro Químico pela Universidade Federal do Paraná. Consultor na área de Meio Ambiente, Organização & Métodos e Conservação de Energias. e-mail: ernesto.ubiratan@terra.com.br

2 bilhões

A revista da National Geographic Society, edição de julho de 1996 publicou um interessante artigo mostrando que nos Estados Unidos da América tem mais de 2 bilhões de pneus descartados em aterros sanitários e estoques diversos.

Este número é acrescido em 300 milhões de pneus todos os anos.

Subprodutos

Um pneu médio pesa 9,5 kg e produz 4 kg de carbono como negro do fumo, 900 gramas de aço , 1 galão de óleo, que poderá ser utilizado junto com o óleo diesel, e 31 gramas de enxofre.

Necessidade de educar

A solução ambiental de cada produto deverá ser objeto de pesquisa das empresas fabricantes, estabelecendo alianças com governos, levando a mudanças de hábitos dos consumidores, através de intensas campanhas educativas.

Caso contrário não haverá lixões e aterros sanitários que suportem tamanha quantidade rejeitos que será produzida pela população da Terra nos próximos 50 anos.

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