Bogotá, Colombia, octubre 7 de 2004 (Prensa Verde – Por Lina
Lozano).-
Cerca de 50% da água que se toma na Colômbia não está apta para o consumo humano, e na área rural só 9% da população recebe água tratada e a prestação deste serviço público em geral é deficiente. Estes dados fazem parte de um estudo feito por vários congressistas colombianos que, esta semana, protagonizaram um acalorado debate no qual se concluiu que a água de torneira está se tornando tão cara quanto o ouro.
De acordo com o Representante Berner León Zambrano só 28% da população colombiana recebe água potável e as 967 empresas que prestam serviço de abastecimento e coleta de esgoto têm, em sua maioria baixa capacidade operativa, administrativa e financeira.
O aumento das tarifas entre 1997 e 2.000 foi de tal magnitude que em alguns casos chegou a 1.238%. As famílias colombianas tem sido obrigadas a destinar grande parte de seu salario mensal para pagamento destes serviços. “Bogotá duplicou suas tarifas e a maioria dos municípios das costas atlântica, pacífica e amazônica têm pouca cobertura é a água é de baixa qualidade. Tanto que chegou a gerar problemas de saúde pública” assegura Zambrano.
Os congressistas afirmam que os erros na leitura dos hidrômetros bem como a forma como são feitas as médias de consumo geram altos custos aos usuários de todos os estratos sociais. A família Gracia Ronderos que vive em um bairro de classe média de Bogotá e é composta por 3 pessoas pagava, em 2000, $ 48.000 pesos, (US$18) por seu consumo bimensal ( 6 metros cúbicos) e hoje paga pelo mesmo consumo $103.000 pesos ou US$ 39.
Os parlamentares asseguram que 91% das fontes hídricas do país se encontram contaminadas e que não existem planos de recuperação para as microbacias que abastecem os grandes corpos d’água do país. Da mesma maneira reiteram que não há recursos de investimento social para que os pequenos municípios possam ter suas redes de água e esgoto.
A Colombia é depois do Brasil, Indonésia, Rússia, Índia, Canadá e China, o sétimo país do planeta com mais água. Entretanto 60% desta água é de reservas subterrâneas, No país existem cerca de 1.500 lagos, lagunas e banhados que armazenam anualmente cerca de 8 km3 de água. Também há 90 represas pequenas e médias que armazenam 3,4 km3 e 26 grandes reservatórios.
Devido ao alto consumo de água sem tratamento, em 1996 cerca de 126 mil colombianos sofreram de malária, em 99, 20 mil pessoas tcontraíram dengue e cada semana se registram dois casos de cólera em regiões como Putumayo, Norte de Santander, Cundinamarca, Cesar, Magdalena, Choco , Cordoba y Guajira.
O aumento da população e o nível de desenvolvimento econômico fazem com que a extração de água para as diferentes atividades também aumente. O temor é de que se essa situação se agravar nas próximas décadas haverá uma enorme disparidade entre a demanda e a disponibilidade de água.
Reclamações e irregularidades
Para completar o panorama, a Superintendência de Serviços
Públicos Domiciliares, ente fiscalizador desta classe de serviços, assegura que está levando a cabo uma rigorosa avaliação dos programas de vigilância e controle das empresas de
saneamento, para tratar de aumentar a qualidade da água e diminuir as irregularidades na scobrança e sobre custos.
Um caso evidente é o da capital colombiana, onde a Empresa de Acueducto y Alcantarillado de Bogotá (EAAB), foi advertida para que tome providências quanto às crescentes reclamações feitas pelos usáarios .
Segundo a Superservicos, “a EAAB continua em primeiro lugar por
número de reclamações. No mês de junho se destacaram as reclamações por inconsistências nas contas, altos consumos e superfaturamento significativos”.
De acordo com um comunicado do organismo de controle, a Superserviços “já esgotou a paciência”, pois às falhas na gestão comercial, se soma o não atendimento dos requerimentos de informação através de Sistema de Atendimento ao Cliente.
A Superserviços já avisou que o próximo passo é a aplicação das sanções necessárias que obriguem a EAAB a a tomar medidas para melhorar a atenção aos usuários”.
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