
A importância social da água, a necessidade de “educar para a água”, de sensibilizar a sociedade sobre a importância que tem como elemento capaz de fomentar a paz no mundo foi o ponto central da sessão inaugural do simpósio “A água como catalizadora para a paz” que se realiza na cidade de Zaragoza (Espanha).
O tema escolhido pela candidatura de Zaragoza à Expo de 2008 – Água e desenvolvimento sustentável – é, segundo a UNESCO, “chave para alcançar todas as metas de desenvolvimento neste milênio”. Segundo András Szöllösi-Nagy, diretor da Divisão de Água e Ciência deste organismo internacional, o tema de Zaragoza 2008 “tem uma importância capital porque é um dos assuntos mais importantes deste século, devido à crise que poderemos enfrentar neste sentido”.
A cooperação em matéria hídrica, tanto em escala regional como universal, é fundamental para evitar muitos conflitos, segundo Szöllösi-Nagy, que insistiu na tese de que “o progresso nesta matéria deve ser obtido pela via social e não só através da tecnologia e da ciência”. Por isso, acrescentou que é preciso “educar para a água” destacando a necessidade de que se incremente o número de especialistas nessa área.
O diretor de água da UNESCO manifestou que as mudanças no que se refere às disponibilidades hídricas dependem em cerca 80 % das mudanças no modo de agir e pensar da população e só em 20 % das variantes climáticas. Por isso, diz que é preciso modificar as prioridades na hora de tratar de compreender estas modificações. Mesmo assim, comentou que “a água flui na direção aonde está o dinheiro e isto é fonte de conflitos” e também indicou que, nos últimos três anos, aumentaram as inundações em todo o planeta. Os problemas que este tipo de desastres, capazes de devastar todo um país, podem causar para o futuro da humanidade unidos aos problemas de escassez fazem da água “o tema mais importante que o mundo enfrentará neste milênio”, acrescentou o diretor de água.
O boliviano Carlos Fernández Jáuregui, representante do programa Água da UNESCO, destacou a grande tradição histórica que Zaragoza tem na gestão e solução de conflitos hídricos.
Carlos Fernández Jáuregui destacou a importância do simpósio que se celebra em Zaragoza, já que “participam pela primeira vez diplomatas, tomadores de decisão, professores universitários e gestores de bacias que simularão como se executa a gestão hídrica”. Ressaltou que se trata de “um evento mundial de grande relevância, já que é possível estabelecer contato real entre as bacias e mostrar como em cada uma delas as gestões são diferentes”. Além disso, assinalou que “as diferenças dos problemas dependem da cultura das regiões”.
O simpósio ”A água como catalizador para a paz” se celebra dentro da estratégia do projeto PCCP – Do Conflito Potencial à Cooperação Potencial – da UNESCO, cujo objetivo é alcançar a cooperação e a resolução de conflitos relacionados com as bacias internacionais.
Declínio dramático

Agência FAPESP – O declínio das populações de anfíbios em todo o mundo pode ser classificado como dramático, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (14/10), no site da revista Science. Ao longo de três anos, todas as 5.743 espécies do grupo conhecidas até hoje pelos cientistas foram analisadas. Mais de 500 pesquisadores de 60 países participaram desse esforço.
Desde a década de 1980 os pesquisadores sabiam do problema, mas a dificuldade era detectar a velocidade do declínio e se as causas eram naturais ou não. Com os novos números, parte das respostas parece ter sido respondida.
De acordo com a nova pesquisa, 32% de todas as espécies de anfíbios foram colocadas na lista de animais ameaçados de extinção. A velocidade com que aumentam as pressões ambientais sobre o grupo é grande, afirmam os autores. Dentro desse universo, 427 espécies (7,4%) estão na iminência de não existirem mais.
“Como os anfíbios dependem dos rios e lagos, eles são os primeiros a sentir os efeitos da poluição desses ambientes, antes até que o ser humano”, disse Simon Stuart, em comunicado da Conservação Internacional. O cientista, que também é diretor de biodiversidade da organização não-governamental, é o principal autor da pesquisa que avaliou o estado dos anfíbios. “O rápido declínio do grupo nos mostra que um dos mais críticos sistemas de suporte à vida da Terra não está funcionando”, afirmou.
O grau de importância do número de espécies de anfíbios ameaçadas pode ser medido pela comparação com outros grupos animais, que também já receberam uma análise global. Entre as aves, apenas 12% das espécies estão nessa mesma situação. O número de mamíferos ameaçados é de 23%.
Até hoje, apenas esses três grupos foram avaliados por grandes projetos de pesquisa, mas essa é a primeira vez que os números referentes aos anfíbios são divulgados. A expectativa do grupo liderado pela Conservação Internacional é que a cada três anos o quadro seja atualizado. A primeira fase do projeto custou US$ 1,5 milhão.
Alerta para Colômbia e Haiti
Segundo a pesquisa, em termos geográficos a Colômbia, com 208 espécies, é o país que mais tem animais em perigo. A lista segue com México (191), Equador (163), Brasil (110) e China (86).
Em termos percentuais, o Haiti é o país em piores condições. Segundo o estudo, 92% das espécies encontradas lá correm risco de desaparecer.
As causas para o declínio dramático dos sapos, rãs, pererecas, salamandras e demais representantes dos anfíbios não é única. A destruição física do hábitat desses animais, a poluição da água e do ar, entretanto, estão entre as mais prováveis.
De todas as espécies analisadas, nem todas estão em situação negativa. O estudo mostrou que 1% delas está crescendo, apesar de toda a pressão ambiental das últimas duas décadas.
Para entender
Anfíbios e répteis
Gláucia Jordão Zerbini, bióloga, mestre em Ecologia
Reuber Albuquerque Brandão, biólogo, doutorando em Ecologia
Cercados de mitos, devido ao desconhecimento popular, os anfíbios e répteis são organismos extremamente interessantes. A grande diversidade de cor, forma, uso de habitat, estratégias reprodutivas e histórias de vida, encontrada nesses animais, não é observada em nenhum outro grupo de vertebrados terrestres.
Tal diversidade tem encantado pesquisadores e seduzido entusiastas, em todo o mundo. Uma prova disso, é o intenso comércio, muitas vezes ilegal, de determinadas espécies de répteis e anfíbios.
A herpetofauna compreende os animais comumente conhecidos como répteis (tartarugas, lagartos, cobras-de-duas-cabeças, serpentes e jacarés) e anfíbios (sapos, rãs, pererecas e cobras-cegas). Embora, geralmente, estudados em conjunto, esses dois grupos animais não possuem a mesma linhagem evolutiva e apresentam diferenças ecológicas marcantes.
Os anfíbios são animais com grande dependência de ambientes úmidos, pois apresentam reprodução com fecundação externa, possuem respiração cutânea (pele permeável a gases e água, sempre úmida) e fase larval (girinos) aquática. Dessa forma, são mais abundantes em veredas, lagoas, brejos e matas de galeria.
Os répteis, por outro lado, possuem maior independência da água no ambiente pois apresentam pele impermeável, fecundação interna, ovos amnióticos com casca e respiração pulmonar.
Assim, podem viver em ambientes onde não existem corpos d’água. No entanto, certos répteis possuem uma forte associação com a água, como os jacarés, diversas tartarugas e cágados, além de algumas serpentes. Alguns desses animais, menos exigentes na escolha do habitat, são beneficiados com a formação de barragens, enquanto outros, mais sensíveis, sofrem com a fragmentação e a modificação dos ambientes naturais e com outras atividades humanas.
Na década passada, foram descritas cerca de 600 espécies de anuros em todo o mundo. Esse número ainda tende a aumentar nos próximos anos, principalmente, na Região Neotropical (Glaw & Köhler, 1998). Isso sugere que o conhecimento dos anfíbios brasileiros ainda está no início e muitas espécies ainda deverão ser descobertas (Haddad & Sazima, 1992), principalmente, em regiões pouco estudadas, como o Cerrado (Haddad et al., 1988).
Em relação aos répteis do Cerrado, o quadro não é muito diferente e diversas espécies de lagartos e de serpentes foram descritas na última década (Rodrigues, 1996; Franco et al., 1997; Manzani & Abe, 1997; Colli et al., 1998).
Em contraste com esse quadro de novas descobertas, declínios em populações de anfíbios têm sido registrados em vários pontos do planeta. Tal declínio, considerado uma resposta ao aumento da degradação ambiental em todo o mundo é parte da chamada “crise geral da diversidade” (Blaunstein, 1994).
Anfíbios, mais sensíveis que os répteis, são afetados pela contaminação química das águas, introdução de espécies exóticas, mudanças climáticas globais, parasitoses e doenças, desmatamentos e diminuição da camada de ozônio (Phillips, 1990).
Devido à sua pele permeável e com ovos aquáticos envolvidos em uma delgada camada gelatinosa, com que podem absorver rapidamente substâncias do meio circundante, além de exigências na qualidade dos ambientes para a reprodução, os anfíbios, mais que os répteis, têm sido apontados como excelentes bio-indicadores (Vitt et al., 1990).
Fonte: www.semarh.df.gov.br

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