Contaminação toma conta do Nilo

Embora seja considerado o mais longo rio do mundo o Nilo, cujas lendárias enchentes e vazantes regulavam os ciclos de colheita das maiores civilizações da Antigüidade, está cada vez maio deteriorado, especialmente em seu trecho que percorre o Egito.

De acordo com os últimos estudos divulgados, quase 275 milhões de toneladas de resíduos orgânicos e industriais, tratados e não tratados e procedentes de hotéis, hospitais e sistemas de esgoto são despejados na parte egípcia do leito fluvial. A essa contaminação se soma a provocada pela falta de sistemas de drenagem nas aldeias rurais, cujas águas residuais e as destinadas à irrigação voltam a seu leito através de canais contaminadas de matérias orgânicas, fertilizantes e pesticidas.

As mulheres que todo o dia que utilizam as águas correntes para lavar roupa e utensílios de cozinha, e os agricultores e criadores de gado, que jogam cadáveres de vacas, burros e outros animais domésticos no rio, colaboram com a contaminação. O chefe da Direção de Inspeção do Meio Ambiente, Atef Yacoub, revelou que seus inspetores descobriram em suas últimas campanhas que 41 hotéis não usavam suas estações de tratamento de águas residuais, despejando o esgoto diretamente no Nilo. No setor industrial, 467 fábricas foram multadas no ano passado por infringirem a Lei do Meio Ambiente por lançar seus resíduos no rio.

Com o objetivo de pôr fim a essa situação crítica, Abuzaid anunciou um ambicioso plano nacional com um custo de 10 bilhões de libras egípcias (US$ 1,5 bilhão). O ministro do Meio Ambiente frisou, no entanto, que sem a participação dos egípcios não se obterá nada, por isso o governo pretende desencadear um programa para mobilizar a população sobre a necessidade de preservar a limpeza do Nilo.

Fotos: www.kirikou.com

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Aguaonline 200 – 10 países buscam acordo sobre o Nilo

Peixes e corais

Para proteger os peixes da excessiva exploração comercial é necessário conservar também os recifes de corais. Um novo estudo, feito por cientistas australianos, verificou a estreita relação entre a saúde dos recifes e a sobrevivência das espécies de peixes num mesmo local.

De acordo com a pesquisa, publicada na edição de 17 de maio da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o problema é maior do que se imaginava. Os pesquisadores da Universidade James Cook, após oito anos de estudos em Papua-Nova Guiné, identificaram uma grande diminuição de peixes em áreas onde houve acentuada devastação da cobertura de corais. Segundo a pesquisa, 75% das espécies de peixes apresentaram diminuição na população, enquanto que 50% das espécies declinaram para a metade do estimado número original.

Os cientistas alertam que a adoção de reservas marinhas não é suficiente para a preservação das espécies de peixes. Segundo eles, é preciso adotar medidas que também evitem a degradação dos recifes. A cobertura de corais tem diminuído em todo o planeta há décadas, devido à pesca excessiva, à poluição e ao aquecimento global.

De acordo com o estudo, liderado por Geoffrey Jones, da Escola de Aquacultura e Biologia Marinha da universidade australiana, os corais auxiliam diversas espécies de peixes, fornecendo a elas abrigo e fontes de alimentos, mas não se sabe a extensão em que se dá essa dependência, ou seja, qual é o grau de dependência em relação aos recifes. Os autores afirmam que, se a degradação dos recifes não for controlada, muitas espécies de peixes – especialmente as que dependem mais dos corais – podem ser ameaçadas de extinção.

Fonte: Agência FAPESP

Mercosul discute prioridades

Ministra Mariana Silva representou o Brasil

Ministros de Meio Ambiente dos países do Mercosul estiveram reunidos, em Buenos Aires, para definição de áreas prioritárias de cooperação entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Os ministros discutiram, ainda, produção sustentável e a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas, que será realizada na Argentina, em dezembro.

Em 24 de junho, entra em vigor o Acordo sobre Meio Ambiente do Mercosul. Os ministros discutiram, além das prioridades, um cronograma de implementação. As metas estão de acordo com o Plano de Ação Regional e a Iniciativa Latino-Americana e Caribenha sobre Desenvolvimento Sustentável, aprovada pelo Fórum de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe.

O Acordo-Quadro prevê a celebração futura de protocolos específicos em temas que sejam priorizados como, por exemplo, o Protocolo sobre Emergências Ambientais, recentemente aprovado pelos países da região e em fase de ratificação. Entre os temas de interesse comum dos quatro países do Mercusol estão a gestão de recursos hídricos, especialmente os recursos fronteiriços; áreas protegidas, enfocando o desenvolvimento de corredores de biodiversidade na região; ecoturismo e gestão de produtos químicos.

Os ministros definiram uma agenda de trabalho entre o Programa Das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e o Mercosul. Os temas prioritários identificados são o intercâmbio de experiências sobre emergências ambientais, a criação do sistema de informação ambiental do Mercosul (atualização e sustentabilidade do sistema), comércio e meio ambiente, produção limpa e gestão ambiental de substâncias e produtos perigosos.

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