Obra amplia coleta e tratamento de esgoto

A retomada das obras de implantação dos interceptores de esgoto da cidade de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, pela Citágua, concessionária privada de água e esgoto, é a reta final do projeto de melhoria do saneamento da cidade, cuja primeira etapa – os interceptores da margem esquerda e a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) – já foi concluída.

Com seis anos de funcionamento o serviço leva água tratada a praticamente 100% dos 160 mil habitantes de Cachoeiro e quer realizar a mesma façanha com a coleta e tratamento de esgoto. Conforme o diretor da empresa, Mário Amaro, até dezembro deste ano o serviço chegará a 85% dos moradores. “À medida que as redes vão avançando está sendo feita a conexão às casas e o esgoto é direcionado à ETE que foi dimensionanda para atender à demanda até 2026”, afirma o empresário. O grupo que administra a Citágua tem destaque na região na área de transporte e logística mas está se saindo muito bem também na área de concessão de água e esgoto segundo sua avaliação.

Amaro relata, orgulhoso, que a empresa tem um bom relacionamento com a comunidade o que facilita a adesão ao sistema de coleta e tratamento de esgoto. “Por ser uma cidade montanhosa e por suas outras características Cachoeiro nunca possibilitou o uso de fossa séptica, por isso a própria população demandou esse serviço” disse Amaro ao comentar que a ligação à rede não é cercada das dificuldades que existem em outras cidades do país. Nestas muitas vezes a população resiste a se ligar à rede coletora pois isso significa um pagamento a mais.

Pragmatismo

Mario Amaro reconhece que as concessões administradas por empresas privadas, como é o caso da Citágua, em Cachoeiro do Itapemirim, passaram por uma verdadeira prova de fogo neste período. “Foi um contrato de risco pois a regulação não oferece a segurança para um investimento de longo prazo como este”, declara.

Em sua opinião, já se firma a percepção no país de que há espaço para a opção de gestão privada convivendo com prestadoras públicas eficientes. “A competição pode ser extremamente saudável fazendo com que a própria população se torne mais exigente com os serviços” avalia.

Ele espera que o mesmo pragmatismo que está presente na gestão da política econômica do país se revele na área de saneamento pois só assim poderá haver avanço na redução de déficit. “Há espaço para várias opções. O importante é trabalhar com eficiência”, finaliza.

Desafio

Mario Amaro diz que o desafio de 2005 será levar o serviço de esgoto aos outros 15% da população pois deverão ser soluções específicas para casos isolados. “Mas nós já estamos nos preparando para ir em busca dessas soluções”, declara o empresário.

Para driblar a dificuldade representada pelo baixo poder aquisitivo da população a Citágua implantou a tarifa social para cerca de 1.500 famílias que recebem 10 m³ de água isenta de pagamento. Mas vários mecanismos garantem que essa parcela da população não vai desperdiçar o produto. Se o consumo aumentar a família perde a isenção.

Ele se diz moderadamente otimista com relação ao futuro da área de saneamento pois o país já sabe da grande demanda que deve ser atendida e é preciso buscar formas de conseguir esses R$ 174 bilhões, em 20 anos, necessários para a universalização dos serviços, segundo os cálculos do levantamento feito pela Secretaria Nacional de Saneamento (SNSA).

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