A ameaça do arsênico

Mirta Ryczel: importância de mais dados

Somente na Argentina mais de 800 mil crianças de menos 10 anos vivem em zonas cuja água utilizada pode significar não a perduração da vida mas doença e morte. E muitas vezes essa ameaça é silenciosa pois ainda há grande desconhecimento até mesmo dos médicos sobre os problemas que uma água com teores elevados de arsênico pode causar.

Segundo a médica Mirta Ryczel, da Diretoria de Promoção e Proteção da Saúde da Argentina na América Latina, além de seu país o Chile e o México têm regiões com água subterrânea com arsênico que se constitui em um importante problema de saúde pública.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Comunidade Européia indiquem um valor máximo de 10 microgramas de arsênico por litro de água como um índice inócuo para a saúde ainda se estuda um índice para a Argentina que atualmente limita em 50 microgramas por litro (veja tabela abaixo). Mas há algumas zonas do país que chegam a apresentar até 100 microgramas por litro de água.

Entre as ações do arsênico na saúde estão arroladas: inibição enzimática, interferência na respiração celular, e outras. Entre as conseqüências clínicas foram detectadas vasodilatação paralítica (intoxicação aguda) e amplos efeitos multi-sistêmicos como: gastrointestinais, neurológicos, hepáticos, hematológicos e renais.

Segundo a especialistas não tem sido fácil o estabelecimento da ligação causa-efeito e até mesmo encontrar soluções para redução dos teores de arsênico pois as características da água têm influência direta para o sucesso ou fracasso das experiências. Um exemplo é que os sais de ferro ou de alumínio que deram resultado em Bangladesh – onde ocorreram centenas de mortes por causa da água contaminada com arsênico – não surtiram nenhum efeito na água argentina.

Nos episódios mais relevantes do país foram detectados problemas de afecções cutâneas como: hiperhidroses, palma e planta dos pés engrossados, hiperqueratoses, melanodermias, complicações e cancerização.

Hoje grande parte da ação dos organismos oficiais com relação a este problema, que afeta diversas províncias do país, se relaciona com o desenvolvimento de sais de redução dos teores, formação de redes, drogas para determinação de arsênico na água e pesquisas sobre novas formas de redução dos teores.

Saiba mais

O arsênico é um metalóide que aparece sob duas principais combinações:

Trivalente ( mais tóxico)

Pentavalente (mais solúvel)

Graus de oxidação:

+V: arseniato (em águas naturais)

+III: arsenito (em águas naturais)

0: arsênico

-III: arsino

É carcinogênico.

Doenças associadas

Outras enfermidades associadas são cânceres de pulmão, bexiga, próstata, e aparelho digestivo. A médica explica que o estabelecimento de limites toleráveis

deve ser precedido de registro de estudos ambientais, casos de doenças relacionadas com arsênico em águas de bebida, associação com as condições econômicas de cada região, registro dos efeitos na agricultura e pecuária.

Outra dificuldade apontada pela especialista Argentina para minimizar os efeito da água com arsênico para a saúde é o fato de muitos médicos desconhecerem os efeitos dessa intoxicação o que os leva a não correlacionar as enfermidades ou mortes com a ingestão de água contaminada.

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