
Viviane Gonçalves e Henrique de Melo
O uso da água da chuva implica em uma postura pró-ativa com a natureza, promovendo um aumento da eficiência econômica e uma melhora na qualidade de vida da população, revertendo a situação atual e principalmente futura de grande parte dos problemas urbanos das grandes cidades brasileiras.
Em se pensando em educação ambiental, ajudaria a criar um elo importante entre o Homem e a Natureza, através de um de seus mais preciosos bens, a água da chuva. O implemento do uso da água de chuva para usos menos exigentes nas grandes cidades é uma tendência mundial.
Principais vantagens
Alternativa ao abastecimento de água: A coleta da água de chuva pode ser acrescentada a outras fontes quando estas se tornam escassas, em tempos de seca, quando os reservatórios ficam muito baixos, sendo uma fonte de emergência;
Aumento da infiltração: A parte da água da chuva que é armazenada para uso, pode ser considerada como água infiltrada (BOTELHO, 1998) ;
Controle de cheias: A água coletada e armazenada também deixa de escorrer pelas ruas canais e de se acumular em pontos baixos, diminuindo o pico das cheias.
Hipótese 1
Esta hipótese considera um sistema de coleta de água de chuva para uso potável, ou seja, prevê uma filtração e desinfecção da água coletada através de um filtro de areia, pedra calcária britada e carvão ativado (Figura 2).
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Demanda anual de água em uma residência
Usaremos como exemplo uma residência onde vivem 6 pessoas, que consomem em média 150 litros de água por dia cada uma. Faremos o cálculo para avaliar quantos litros de água têm de ser armazenados para um período de 15,4 dias sem chuva (EPAGRI –SC, 1998).
Número de pessoas x consumo diário por pessoa x dias sem chuva = demanda de armazenamento
Ex.: 6 pessoas x 150 litros/dia x 15,4 dias = 13 852 litros. Neste caso, seria recomendado uma cisterna de 10 000 litros.
Qualidade da água da chuva
A água da chuva é branda e, portanto, não causa incrustações em aquecedores de água, bombas ou outros equipamentos, não causa manchas em roupas de lavagem ou tubulações (não contém ferro ou manganês) e é melhor para irrigação de jardins do que águas que são naturalmente alcalinas ou ricas em sódio. A água de chuva tem, em condições normais, a qualidade da água para o banho, se for previamente filtrada (RUPP, 1997).
A qualidade da água requerida varia conforme sua finalidade. Quanto mais nobre for o uso, melhor terá de ser sua qualidade. A Tabela 1 apresenta o tratamento necessário para os diferentes usos da água de chuva.
Sistemas de coleta
Os sistemas de coleta de água de chuva representam uma fonte de água pura, branda e com baixo teor de sódio (RUPP, 1997). O interesse neste tipo de sistema tem emergido devido a:
-crescente custo ambiental e econômico de fornecimento de água tratada em sistemas centralizados ou por ponteiras;
-poluição das águas superficiais, tornando seu tratamento mais oneroso e trazendo risco à saúde;
-a percepção de que existe uma eficiência econômica associada ao uso da água de chuva.
Desenho e dimensionamento
O desenho de sistemas individuais de coleta de chuva depende do uso para o qual a água se destina, a forma do pátio e da demanda de água. Os seguintes passos são recomendados:
-decidir a necessidade de demanda de abastecimento;
-estimar se a água de chuva pode satisfazer a demanda necessária;
-dimensionar e localizar a área de coleta;
-dimensionar e desenhar a cisterna.
Área de coleta x Demanda
Segundo dados da EPAGRI – SC sobre a precipitação na região de Florianópolis, a normal anual em um período de 82 anos foi de 1549 mm; e do período de 1967 a 1998, de 1659,5 mm. Aqui usaremos o menor valor – 1549mm.
Consideramos que 35% da precipitação que cai sobre um telhado não é disponível por causa da evaporação, vazamentos ou é desviada no separador (RUPP, 1997).
Consideremos uma área de 120m2 de telhado para captação de água.
Precipitação média anual (mm/m2 ) x metragem do telhado (m2 ) x fator de perda (1 – 0,35) = Quantidade disponível.
Ex.:1549 l/m2 x 120 m2 x 0,65 = 120.822 litros por ano. (volume total aproximado que pode ser coletado por essa área de telhado em 1 ano).
Por causa da variação de precipitação e demanda durante o ano, a necessidade hídrica total durante os meses secos deve ser estimada e este é o volume que deve estar armazenado no início da estação de seca. É necessário que se conheça, nesse caso, a média mensal de precipitação da região.
Autores:
Viviane Gonçalves e Henrique de Melo atuam no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina.
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