
Agência FAPESP – A imagem projetada no telão foi emblemática. Com a Baía da Guanabara ao fundo, Rolf Weber, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a síntese de sua tese. Enquanto o local, um dos cartões-postais mais atraentes do Brasil, recebe 1,3 metro cúbico de petróleo ao ano, originário de diversas fontes, as mesmas águas recebem 18 metros cúbicos de esgotos – só que por segundo.
“Não existe dúvida. O petróleo não é o grande vilão da poluição das águas marinhas, como muitos imaginam. Claro que os vazamentos geram mais comoção e realmente são prejudiciais, mas não são o principal problema”, disse à Agência Fapesp um dos principais oceanógrafos químicos do Brasil, que esteve no debate sobre poluição das águas, realizado dentro da programação do simpósio Patrimônio Ambiental Brasileiro, encerrado na útlima quinta-feira (15/4), no anfiteatro do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).
A grande quantidade de matéria orgânica, praticamente sem tratamento prévio, despejada nos oceanos todos os dias, não causa transtornos apenas para o equilíbrio ecológico dos ambientes marinhos. “Isso é um problema de saúde pública. As pessoas em contato com essas águas podem contrair cólera, hepatite, diarréias ou dermatoses”, afirmou Weber.
Por causa da circulação oceânica, o impacto das altas quantidades de matéria orgânica é muito maior em locais abrigados, como baías ou enseadas. “Podemos dizer que praticamente não existe poluição nos oceanos profundos. Em todo o mundo, os problemas se restringem à costa”. Segundo o oceanógrafo, mesmo as praias dos mares Mediterrâneo e Báltico, durante o verão, sofrem com a presença da poluição.
Um dos maiores especialistas em águas doces do Brasil, Aldo Rebouças, do Instituto de Estudos Avançados da USP, defende que o poder público e a sociedade em geral olhem com mais cuidado para os esgotos lançados ao mar. “O problema da poluição não é científico e nem tecnológico. Essa é uma questão para ser resolvida no âmbito político e econômico”, disse.
Também presente no simpósio, Rebouças não poupou críticas aos três níveis governamentais. “O Brasil não tem problema de água. O que estamos vivendo é uma grave ausência de gestão de recursos hídricos”, disse em apresentação realizada diante de um auditório lotado.
O pesquisador utilizou o exemplo da Amazônia para mostrar a ineficiência geral em relação à água. “Como pode uma região com tamanha quantidade de água ser uma das mais pobres do Brasil?”, pergunta.
Limpando o Tejo
Portugal vai investir 270 milhões de euros (US$ 332 milhões) até 2008 para melhorar os sistemas de tratamento da cidade de Lisboa e diminuir o impacto da poluição no Rio Tejo, segundo o ministro do Meio Ambiente Amilcar Theias que afirma ser a hora de executar as ações necessárias apontadas por vários anos de estudo e projetos.
O ministro disse que os investimentos vão ser direcionados para uma nova estação de tratamento de esgoto em Lisboa, a recuperação e modernização das que integram o sistema metropolitano e que despejam seu efluente final nas águas do Rio Tejo. A bacia do Tejo, que percorre uma extensão de mais de 1.000 km, é compartilhada por Portugal e Espanha.

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