
A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, (localizada no litoral do Paraná), vai receber recursos de R$ 145 mil do Fundo Nacional do Meio Ambiente, para a implantação do projeto Gestão Participativa da APA de Guaraqueçaba, realizado pelo Instituto de Pesquisas de Guaraqueçaba (IPG) e coordenado pelo Ibama. Com início em maio deste ano e duração de 12 meses, ele irá atingir mais de 8.000 moradores das comunidades localizadas nas oito microbacias da região.
A idéia é contribuir para a construção de uma cultura local participativa baseada em valores e práticas estabelecidos pela própria comunidade, que podem resultar numa melhor qualidade de vida, fomentando as formas de preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Trata-se da primeira APA no Paraná a implantar o processo de gestão participativa. “O projeto propõe ações de fortalecimento do conselho gestor da APA de Guaraqueçaba, juntamente com a capacitação de agentes locais e de lideranças jovens entre a população local”, afirma a bióloga Paula Batista dos Santos, presidente do IPG.
“Os moradores atuarão em colaboração com os conselheiros, o Ibama, parceiros e apoiadores do projeto, visando à prática das gestões participativa e democrática nos limites da APA, e contribuindo assim com o desenvolvimento sustentável dos municípios e demais unidades de conservação inseridas na mesorregião do Vale do Ribeira-Guaraqueçaba”, completa a bióloga. Ao todo, 120 representantes das comunidades locais serão capacitados diretamente através de cursos e oficinas. A Secretaria de Estado da Cultura oferecerá oficinas de teatro e fotografia, onde será trabalhado o desenvolvimento artístico e técnico da população local. As microbacias serão envolvidas através de uma gincana que culminará num seminário de integração regional.
De acordo com o cronograma, no mês de março foi iniciado o processo de inscrição e seleção das 30 pessoas que serão capacitadas para atuar como agentes locais. No mês de abril, acontece reunião do Conselho Gestor da APA. As atividades envolvendo a população têm início em maio, com a realização de oficinas de planejamento participativo, de minicursos, oficinas de capacitação, gincana e a promoção de eventos de mobilização. Também se espera o envolvimento e a inclusão no conselho gestor de representantes da comunidade indígena Guarani residente nos limites da APA. Outro grande objetivo do projeto é a interação entre as Unidades de Conservação próximas para troca de experiências.
A biodiversidade dos oceanos
O exemplo vem dos bancos de corais. Um estudo recente publicado nos Estados Unidos revelou a existência de 430 novas bactérias associadas a três tipos diferentes de corais. As espécies, provaram os cientistas, apresentaram uma grande importância para a sobrevivência e saúde dos corais.
“Ecossistemas biológicos oferecem um campo de trabalho ideal para a integração da genômica, da bioquímica e de dados ambientais”, disseram Farooq Azam e Alexandra Worden, em artigo publicado na edição de 12 de março da revista Science.
Para os pesquisadores, essa visão integrada, desde as escalas nanométricas até as milimétricas, é fundamental para que a conservação da biodiversidade e a manutenção das relações biogeoquímicas existentes nos oceanos sejam obtidas.
Os pesquisadores lembram que, apesar de a evolução da espiral científica ter ocorrido em várias áreas do conhecimento, ainda se sabe muito pouco sobre os micróbios marinhos e suas relações moleculares com o ambiente.
Grandes descobertas, como a do pigmento encontrado em determinadas bactérias que transformam energia luminosa diretamente em um gradiente elétrico que atravessa as membranas celulares, foram feitas há apenas três anos. Mais de 90% dos micróbios marinhos são desconhecidos, estimam os cientistas.
APA de Guaraqueçaba
A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba foi criada em 1985 pelo governo federal, através do Decreto de Lei no 90.883/85. Ela abrange, além deste município, parte de Antonina, Paranaguá e Campina Grande do Sul. São 313.484 ha de áreas protegidas, o que representa 20% da biosfera da Mata Atlântica. Esta porção de reserva está localizada dentro de uma importante região, com outras 33 áreas de conservação estaduais federais e particulares.
Dentre as unidades que formam este mosaico de preservação estão a APA Estadual de Guaratuba, ao sul, o Parque Estadual de Jacupiranga, ao norte, e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, a noroeste. A localização central mostra o papel estratégico da região de Guaraqueçaba como elo de ligação entre as demais áreas de preservação.
Banhada pela Baía dos Pinheiros, Baía das Laranjeiras e Baía de Paranaguá, a região se destaca nacionalmente e mundialmente por ter parte representativa do que resta da Mata atlântica, 4% do tamanho original, e pela sua biodiversidade.
Em 1999, o Parque Nacional do Superagüí e a Reserva Natural do Salto Morato, ambos protegidos pelos limites da APA, receberam da Unesco título de Patrimônio Natural da Humanidade, mostrando a relevância da região. “A APA é zona tampão, ou de amortecimento, que protege essas outras áreas mais suscetíveis”, explica Paula dos Santos.

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