Coppe cria grupo para aumentar a sustentabilidade da indústria mineral

A Coppe – InstitutoAlberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ – criou um grupo de estudos interdisciplinar com o objetivo de estudar formas de aumentar a sustentabilidade da indústria mineral no Brasil e de mitigar os diversos tipos de impactos decorrentes de desastres como o ocorrido no dia 5 denovembro, em Mariana (MG).

Em ofício enviado ao Ministério do Meio Ambiente, o diretor da Coppe, Edson Watanabe, informou a criação do grupo e colocou a infraestrutura da instituição à disposição para um esforço conjunto, visando a mitigar os impactos ambientais da tragédia que afeta a Bacia do Rio Doce e o litoral capixaba e, principalmente, aumentar a sustentabilidade futura do setor mineral no país.

“É urgente que ações estratégicas sejam tomadas para que se possa aumentar a sustentabilidade da indústria da mineração”, ressaltou o diretor da Coppe. Estudos mostram que as cerca de 600 barragens hoje existentes no Brasil armazenam em torno de 5,8 bilhões de m³ de rejeitos, sendo que apenas a mineração de minério de ferro adicionará mais 4,7 bilhões de toneladas a isso nos próximos 20 anos.

O grupo criado pela Coppe desenvolverá estudos em seis áreas principais:

1) Tecnologia mineral – estudo de processos de beneficiamento de minérios a seco, visando a otimizar a segurança dos reservatórios e reduzir o consumo de água;

2) Reuso, ainda que parcial, dos rejeitos da mineração, reduzindo o volume contido nas barragens;

3) Técnicas de construção, monitoramento e instrumentação de barragens de rejeitos,com o objetivo de melhorar sua segurança, estabilidade e resiliência;

4) Uso de técnicas computacionais para simulaçãode “dam breaks”, permitindo a elaboração de planos de ação emergencial que reduzam os riscos de danos sociais e ambientais no caso de desastres como o ocorrido em Mariana;

5) Mitigação de impactos ambientais, decorrentes de falhas em barragens em rios e estuários,envolvendo simulações de tais impactos;

6) Logística e aspectos econômicos e sociais, envolvendo o consumo de água, as necessidades de infraestrutura de transportee armazenamento de produtos e rejeitos.

A colaboração da Coppe com o governo federal, contudo, já começou. De acordo com modelagem feita pelo professor de Engenharia Costeira da Coppe, Paulo Cesar Rosman, a partir das informações disponíveis no momento, as correntes marinhas estão em direção ao sul, e não ao norte, portanto, até o momento, não há expectativa de que a lama atinja o arquipélago de Abrolhos, cujo recife de corais é lar de um dos mais importantes ecossistemas do país. Segundo ele, esse é um prognóstico inicial,com base nas informações preliminares disponíveis.

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