
CARTA DE FORTALEZA O2015
“As terras semiáridas ocupam 40% de todo o planeta e são provedoras da sustentabilidade de quase 2 bilhões de pessoas sendo que 51% deste contingente vivem em pobreza extrema e absoluta, especialmente nas zonas rurais dos continentes asiático, e africano e subcontinente latino-americano.
São essas regiões as mais impactadas pela variabilidade climática e maior frequência e severidade das secas que afetam negativamente as economias, populações e ecossistemas locais agravando a degradação e a desertificação.
Os desafios, assim como as potencialidades, para o progresso sustentável das terras áridas e semiáridas são enormes. Apesar de sua importância cultural, social e demográfica e o elevado grau de vulnerabilidade ambiental e econômica, estes imensos espaços geográficos são pouco valorizados como fonte inesgotável de saberes e sabores.
Neste ano de 2015, o Nordeste brasileiro está experimentando o quarto ano consecutivo da mais expressiva seca do século XXI, com um cenário extensivo a 2016, face ao excessivo aquecimento das águas do Pacífico e a intensificação do fenômeno El Niño, que se aproxima do pico histórico.
Diante deste cenário e buscando transformar esta crise em oportunidade de solução, cooperação, integração e intercâmbio, sem fronteiras e nem barreiras linguísticas, cientistas, especialistas, educadores e jornalistas de 36 países uniram forças e trocaram informações e experiências no Encontro Intercontinental sobre a Natureza – O2, no Diálogo sobre Governança da Água (DWG2015) e no Encontro Intercontinental de Jornalistas Ambientais, de 21 a 25 de novembro de 2015, em Fortaleza, Ceará – Brasil.
Nos debates técnicos e científicos e nos fóruns não faltaram análises críticas sobre políticas públicas limitadas, descontinuadas, fracionadas e sem priorizarem o componente educacional e de comunicação. E à lentidão das respostas às calamidades que ainda não protegem integralmente as populações urbanas e rurais afetadas, tampouco o meio ambiente.
Mas o objetivo principal foi aproveitar o manancial de conhecimentos, capacidades, experiência e criatividade aqui reunidos para encontrar caminhos rápidos e ações compartilhadas globalmente para prevenir, recuperar, preservar e promover o desenvolvimento destas áreas bem como a sustentabilidade dos recursos hídricos e do meio ambiente em geral.
AS MEDIDAS URGENTES
A população, a quem cabe o papel de exigir a tomada de decisões que promovam as alterações urgentes e necessárias que a realidade hídrica e ambiental destas regiões em particular e do planeta em geral requerem, precisa ser tornar protagonista e exigir:
1. Políticas públicas de convivência com os semiáridos integrais e integradoras, onde a atuação das múltiplas esferas de poder se articulem sendo capazes de se antecipar aos fenômenos e promotoras de adaptações a estes ambientes secos.
2. Programas e projetos que abarquem as dimensões cultural, ambiental, econômica, social e política.
3.Programas de convivência com o semiárido permanentes e que não sejam meras ações paliativas.
4 Fortalecimento dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, de todos os continentes, como ferramentas imprescindíveis para uma política de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, adotando novas formas de ação.
5 Programas de educação sanitária e ambiental que desde a pré-escola até a universidade possibilitem a formação de uma nova cidadania, responsável e preocupada com o destino do planeta que irão herdar.
6 Que a cooperação, o diálogo, o intercâmbio e a troca de saberes tornem mais imediatas e factíveis as reformas institucionais e as capacitações necessárias e urgentes de comunicadores, de multiplicadores, de professores, de agentes políticos e da população em geral para que possam promover a pró-atividade indispensável para fazer acontecer.
7 Que a natureza, como fonte de observação e estudos, receba o mesmo respeito e reverência que têm os laboratórios científicos e as salas das universidades. E que estas estudem, analisem e pesquisem com mais afinco a realidade que as cerca.
8 Que a preparação para as emergências climáticas faça parte do cotidiano das cidades e tenha os recursos e os instrumentos já disponíveis para mitigar os efeitos evitando que “acidentes” continuem matando, destruindo e poluindo impunemente.
9 Que os instrumentos, as técnicas e o alcance dos meios de comunicação e a excelência e expertise de jornalistas capacitados façam parte do arsenal de ferramentas que devem estar presentes em todas as iniciativas, projetos e programas, em todas as esferas contribuindo para o empoderamento da sociedade e fortalecimento do protagonismo e controle social.
As entidades e instituições que promoveram estes eventos esperam que no futuro os Encontros e Diálogos sejam para celebrar a natureza!
Fortaleza, 25 de novembro de 2015.
INSTITUTO HIDROAMBIENTAL ÁGUAS DO BRASIL – IHAB
Os temas e as participações
Paralelamente se realizaram cursos técnicos, oficinas de Educação Ambiental, apresentações de casos exitosos, projetos inovadores e um Fórum de Líderes Intercontinentais. Foram apresentados temas diversos sobre a Natureza, porém integrados à realidade do ciclo da vida Homem-Natureza-Desenvolvimento, com uma abordagem temática sobre a segurança hídrica, alimentar e do desenvolvimento harmônico do homem dentro dos padrões regidos pelos preceitos de sustentabilidade.
Nos eventos ficou ratificada a importância das zonas semiáridas para o equilíbrio da Terra, por serem fornecedoras de uma gama de bens e serviços, aí incluídos a biodiversidade, o sequestro de carbono, a excelência do ambiente para instalação e uso de fontes alternativas de energia – especialmente a energia solar e eólica – recursos hídricos, riqueza cultural, oportunidades de atividades econômicas para populações humanas e animais.
Para os jornalistas que participaram ativamente dos debates fica a certeza de que para melhor exercer o jornalismo que a urgência e a necessidade recomendam é importante ter acesso às fontes credenciadas para que possam produzir informação qualificada e esclarecedora.

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