Mais de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo não utilizam banheiro

Uma nota divulgada pela Fundação We Are Water, a propósito do Dia Mundial do Esgotamento Sanitário, 19 de novembro, recorda que perto de 2,5 bilhões de pessoas vivem sem sistema de esgotamento sanitário e esta cifra pode aumentar para 2,7 milhões, em 2015, especialmente nos países da África subsaariana e no sul da Ásia.

Segundo os responsáveis da organização, que pretendem alertar para a importância de uma nova cultura da água e da gestão sustentável dos recursos hídricos mundiais, a falta de instalações sanitárias obriga 1,2 milhãode pessoas a satisfazerem as suas necessidades fisiológicas ao ar livre, próximo das zonas habitadas, o que pode causar doenças graves, como a diarreia.

Embora nos últimos 20 anos tenha melhorado o acesso ao saneamento para 1,8 milhão de pessoas, o ritmo atual de desenvolvimento leva a crer que não serão alcançados os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, propostos pelas Nações Unidas, revelou Xavier Torras, diretor da fundação.

Dispor de acesso a melhores sistemas de esgotamento sanitário pode elevar a capacidade cognitiva das crianças.

Segundo um novo estudo do Banco Mundial dispor de acesso a melhores sistemas de esgotamento sanitário pode elevar a capacidade cognitiva das crianças. Esta é mais uma importante contribuição a um crescente acervo de pesquisas sobre a conexão entre retardo no crescimento e a falta de banheiros. Na atualidade, mais de 2,5 bilhões de habitantes do planeta carecem de acesso a banheiros e 1 bilhão de pessoas defecam ao ar livre.

No recente documento de trabalho sobre pesquisas referentes a políticas, intitulado Effects of Early-Life Exposure to Sanitation on Childhood Cognitive Skills (“Efeitos da exposição a sistemas de esgotamento sanitário nas atitudes cognitivas na infância”), publicado antes do primeiro Dia Mundial do Esgotamento Sanitário, proclamado pelas Nações Unidas, para ser um data de alerta em 19 de novembro, foram estudados os efeitos nos ganhos cognitivos na infância da exposição, em uma etapa precoce da vida, à Campanha de Saneamento Total desenvolvida na Índia. Este é um programa governamental de escala nacional em que se incentiva os governos locais a construírem latrinas de poço, de baixo custo, e a promover sua utilização.

“Nossa pesquisa demonstrou que era mais provável que as crianças de seis anos, da Índia, que residiam em locais onde foi executado o programa de esgotamento sanitário durante seu primeiro ano de existência reconhecessem letras e números simples nas provas de aprendizagem, em comparação com as crianças que não haviam estado em contato com este programa”, disse Dean Spears, autor principal do estudo. “Trata-se de uma novidade importante, pois o estudo leva a pensar que o desenvolvimento cognitivo das crianças pode respaldar-se mediante estratégias de esgotamento sanitário rural de baixo custo”.

Os resultados obtidos indicam também que a prática de defecar ao ar livre — fora do domicílio, sem utilizar banheiros ou latrinas — constitui uma importante ameaça para o capital humano dos países em desenvolvimento, e que um programa acessível para países de menor capacidade de desenvolvimento do saneamento poderia melhorar as atitudes cognitivas médias.

“A prática de não usar banheiro é a base de muitos dos desafios para o desenvolvimento, já que um esgotamento sanitário inadequado e a falta de acesso a banheiros repercute sobre a saúde pública, a educação e o meio ambiente”, declarou Jaehyang So, gerente do Programa de Água e Esgotamento Sanitário do Banco Mundial. “Este recente estudo se agrega a um crescente acúmulo de provas que indicam que esta prática prejudica os lactentes e atrasa o crescimento corporal e mental dos jovens”.

Em um documento de trabalho anterior do Banco Mundial publicado neste ano de 2013 concluiu-se que as crianças expostas a uma maior concentração de coliformes fecais não alcançam a mesma estatura de outras crianças menos expostas. Certos estudos demonstraram que a estatura física é uma importante variável econômica que reflete o capital de saúde e o capital humano. Entretanto, segundo o informe, as diferenças em matéria de riqueza não explicam adequadamente as diferenças

Má nutrição

Em particular, as crianças da Índia são mais baixas, em média, do que as da África que em contrapartida são mais pobres: um paradoxo denominado “o enigma asiático”, que tem despertado viva atenção nos economistas (certos estudos indicam que na Índia uma menina de cinco anos de idade é aproximadamente 7 cm mais baixa do que outra da mesma idade na África ao sul do Sahara.

No estudo do Banco Mundial intitulado How Much International Variation in Child Height Can Sanitation Explain? (“Em que medida o fator esgotamento sanitário pode explicar a variação internacional da estatura infantil?”) se obteve a primeira documentação sobre um gradiente quantitativamente importante entre estatura infantil e esgotamento sanitário, que pode explicar estatisticamente uma grande fração das diferenças internacionais de estatura (dados do UNICEF e da Organização Mundial da Saúde mostram que em 2011 o nível de defecação ao ar livre na África ao sul do Sahara era de 26%, em comparação com 50% na Índia).

“No contexto da gama de causas — alimentos, cuidados e meio ambiente — esses estudos proporcionam provas adicionais de que um esgotamento sanitário inadequado é um dos fatores que contribuem em importante medida à má nutrição, especialmente na Índia”, afirmou Bert Voetberg, gerente interino do Setor de Saúde, Nutrição e População, da região da Ásia meridional.

Leave a Reply

Your email address will not be published.