
A partir deste ano o Dia Municipal do Saneamento Básico Rural, comemorado em 10 de julho, entra para o calendário de eventos de São Carlos (SP), como forma de reconhecimento ao trabalho do pesquisador Antonio Pereira de Novaes (falecido em 2011), idealizador da Fossa Séptica Biodigestora e Clorador Embrapa.
O ato para marcar a data ocorreu dia 9 de julho, numa ação conjunta da Embrapa Instrumentação e Prefeitura Municipal de São Carlos (SP), em um dia de campo para instalação da Fossa Séptica Biodigestora e do Jardim Filtrante. O local escolhido foi a chácara Engenho Velho, no condomínio Valparaíso II, com a presença de vários proprietários rurais.
O chefe-geral da Embrapa Instrumentação, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, disse que essas ações são possíveis graças às parcerias firmadas, que resultam em preservação ambiental e em melhoria da qualidade de vida. O chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Maurício Alencar, destacou que foi a primeira pessoa a receber o Clorador Embrapa das mãos do pesquisador Antonio Novaes.
Para Jesus Luiz Costa, que recebeu o sistema de saneamento básico na chácara Engenho Velho, a tecnologia chegou em hora bastante oportuna, porque, assim como ele, toda a família apoia causas ambientais e desenvolvem ações de preservação da natureza. “Com a instalação do sistema, podemos evitar que o lago do condomínio seja contaminado”, disse.
Em São Carlos, dos 221.936 habitantes do município, 8.866 residem na área rural; o total de sítios, fazendas e chácaras de recreio é de 4.084 propriedades, de acordo com dados do IBGE e da Prefeitura. Ainda, conforme esse órgão, 30% das propriedades rurais do município usam fossa rudimentar.
Com a instalação nesse dia de campo, a Embrapa Instrumentação já contabiliza, em São Carlos, 14 Fossas Sépticas Biodigestoras e 4 unidades do Jardim Filtrante – tecnologia que vem sendo trabalhada há 2 anos para o tratamento da chamada “água cinza”, proveniente de pias e chuveiros.
Fonte: Embrapa.
Como funciona
O sistema consiste em desviar a tubulação do vaso sanitário para caixas de fibrocimento, nos quais os coliformes fecais são transformados em adubo orgânico, pelo processo de biodigestão.
O processo é simples e barato, mas de grande eficiência, porque substitui as chamadas fossas negras, comuns na zona rural, e responsáveis pela contaminação do lençol freático e posteriormente dos poços caseiros.
A probabilidade de contaminação da população rural e, sobretudo, de contração de doenças, entre elas, salmonelose, hepatite, diarreia e cólera, é muito grande ao se consumir a água desses poços.
Com o sistema ainda é possível impedir o ciclo da cisticercose, porque este parasita, assim como outros, não sobrevive dentro da Fossa Séptica Biodigestora. O adubo proveniente desses biodigestores pode retornar para o pasto economizando a adubação química.
Quanto à sanidade vegetal, já pode ser observado que em pomares adubados com o efluente da fossa, as plantas apresentam vigor mais elevado, não sendo constatado, por exemplo, a ferrugem. Outra vantagem observada é o aumento no rendimento de frutos, como goiaba, graviola e macadâmia.
O clorador de água pode ser montado pelo próprio usuário e a um custo muito baixo, por menos de R$ 50,00. Basta adquirir dois registros, uma torneira, tubulação e cloro granulado 60%.
Na saída do efluente do biodigestor é acrescentada a cloração para a desinfecção final.
Fonte: Embrapa.

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