Unesco promove segunda consulta sobre águas subterrâneas

Cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo dependem exclusivamente dos recursos de água subterrânea para satisfazer suas necessidades diárias de água e milhões de agricultores dependem desta água para manter seus meios de subsistência e contribuir à segurança alimentar de numerosas outras pessoas. Entretanto, segundo os especialistas, a gestão da maioria, ou quiçá a totalidade, dos aquíferos não leva em conta a sustentabilidade ou equidade necessárias para conservar e proteger estes recursos vitais de água potável.

A falta de governança eficaz é uma das principais causas do esgotamento da água subterrânea, da contaminação dos aquíferos e inclusive de um uso não equitativo. Para reverter esta tendência preocupante e sanar as insuficiências, os especialistas internacionais se reuniram em Nairóbi, (Quênia) para a 2ª Consulta Regional do Projeto de Governança das Águas Subterrâneas, com o objetivo de discutir as prioridades e necessidades regionais e contribuir para um “Diagnóstico global da governança das águas subterrâneas”. Este diagnóstico servirá como base para um “Marco Global de Ação” destinado a promover boas práticas de governança das águas subterrâneas.

Na cerimônia de abertura da reunião, Alice Aureli, especialista principal do Programa no Programa Hidrológico Internacional (PHI) da UNESCO, assinalou que a formulação de estratégias de boa gestão da água é necessária para assegurar a sobrevivência do planeta.

“Atualmente estamos frente a desafios ambientais e globais sem precedentes – como o crescimento da população mundial. Esta poderá alcançar os 9 bilhões de pessoas em quatro décadas, requerendo uma duplicação da produção de alimentos em três décadas, e a energia suficiente para as necessidades básicas. A estes fatores globais se supõe riscos adicionais gerados pelas mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e os limites dos recursos naturais. Estes riscos incluem os fenômenos hidrológicos extremos que podem provocar graves inundações e secas. Em ambos os casos, a formulação de boas estratégias de gestão da água é fundamental para garantir a sobrevivência do planeta”, disse a Dra. Aureli.

As águas subterrâneas proveem quase a metade de toda a água potável no mundo e 43% de toda a água efetivamente consumida em irrigação. Além disso, os aquíferos oferecem uma reserva essencial para a população de regiões áridas, proporcionando uma fonte confiável de água, inclusive durante longos períodos sem chuva. A água subterrânea também contribui para manter muitos tipos diferentes de eco sistemas dos quais dependem as populações.

Entretanto, a governança dos recursos mundiais de águas subterrâneas ainda é incipiente. Os processos de decisão relativos a sua gestão e seu uso não se apoiam em suficiente informação, dando lugar a padrões de uso que não são confiáveis em longo prazo. A governança das águas subterrâneas é ainda mais complexa quando os recursos são transfronteiriços. Somente na África há hoje mais de 40 aquíferos transfronteiriços.

A consulta regional para África subsaariana, a segunda das cinco previstas pelo Projeto de Governança das Águas Subterrâneas, ocorreu em Nairóbi, Quênia, de 29 a 31 de maio. Na primeira consulta, realizada no mês de abril, em Montevidéu (Uruguai) a revista Aguaonline foi uma das convidadas e desde entçao sua editora, a jornalista Cecy Oliveira, integra o grupo de avaliação do programa.

PCJ promove simpósio sobre gestão dos recursos hídricos

Os Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí realizam entre os dias 30 de julho e 3 de agosto o 10º Simpósio dos Comitês PCJ -“Gestão das Águas: Construindo o Futuro Sustentável” que pretende reunir os mais diversos setores da sociedade. O encontro será realizado no Hotel Fazenda São João em São Pedro – interior do estado de São Paulo.

As Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – Bacias PCJ, com apenas 15.303,67 km² – estão entre as que apresentam elevado desenvolvimento econômico e renda “per capita” do Brasil, englobando territórios do estado de São Paulo e Minas Gerais. O PIB das Bacias PCJ representa cerca de 5% do Produto Interno Bruto do país, sendo que o PIB do estado de São Paulo é de 30% do índice brasileiro.

Os assuntos a serem abordados são: o novo código florestal, monitoramento qualitativo e quantitativo nas Bacias PCJ, uso e ocupação do solo e suas implicações na recarga e na qualidade das águas subterrâneas, restauração florestal nas Bacias PCJ, a relação entre os recursos hídricos e o saneamento em propriedades rurais, educação ambiental, mídia e meio ambiente, uso da água na indústria e outros temas pertinentes.

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