Dados revelados pelo mais recente levantamento sobre o panorama dos resíduos sólidos no país, feito pela ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, mostra que a região Sul destina a aterros 70% do lixo que produz. Mesmo assim dos 1.188 municípios do Sul, 41% ainda não dão destino correto aos resíduos. A divulgação dos dados nacionais, das regiões geográficas e dos Estados foi feita na abertura do evento, no Teatro Municipal de São Leopoldo (RS).
Palestrante do evento, Carlos Silva Filho, diretor executivo da ABRELPE, observa que o mapeamento do Panorama 2011 pode contribuir para a implementação de soluções que atendam as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que vai permitir avanços concretos para o setor. “A lei possibilita que cada município faça um planejamento de longo prazo que contemple toda a cadeia dos resíduos sólidos, não só o gargalo da ponta, ou seja, a destinação final”.
Com uma participação de mais de 10% do total de resíduos urbanos gerados do País, um volume equivalente a quase 21 mil toneladas de lixo por dia, a região Sul ainda continua sendo a com a menor geração per capita do País, 0,887 kg por habitante/dia.
Já especificamente ao Estado do Rio Grande do Sul, a geração de resíduos alcançou 8 mil toneladas por dia em 2011, com 7,4 mil de toneladas coletadas diariamente, sendo que 70% teve destinação adequada para aterros sanitários. A capital Porto Alegre coletou no período 1,63 mil toneladas/dia, o que representa uma geração por habitante de 1,16 kg/dia. Já São Leopoldo coletou 140 toneladas diárias, o equivalente a 0,65 kg/hab/dia.
O País pouco avançou no que se refere à gestão dos resíduos sólidos urbanos em 2011. Esta é uma das conclusões da edição 2011 do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, estudo da ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. A destinação final ainda aparece como o principal problema a ser superado. De acordo com a publicação, no ano de 2011, 3.371 municípios brasileiros, 60,5% do total de 5.565 municípios, deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia, que seguiram para lixões e aterros controlados, sem a devida proteção ambiental.
“Com a quantidade de resíduos que tiveram destino inadequado no País seria possível encher 56 piscinas olímpicas em cada dia do ano. Outras 6,4 milhões de toneladas sequer foram coletadas, o que equivale 45 estádios do Maracanã repletos de lixo. Os dados mostram que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ainda não começou a produzir efeitos e resultados concretos nos vários sistemas e nem no cenário atualmente implementado”, comenta o diretor executivo da ABRELPE, Carlos Silva Filho.
Segundo o estudo, quase 62 milhões de toneladas de resíduos sólidos foram geradas em 2011, 1,8% a mais que em 2010, percentual duas vezes maior que a taxa de crescimento da população no mesmo período. “Esse dado é importante, pois revela que o volume de geração cresceu em uma proporção menor do que nos anos anteriores, mas continua numa curva ascendente”, observa Silva Filho. A edição anterior do Panorama apontou um aumento de 6,8% na geração.
“Das 55,5 milhões de toneladas de resíduos coletadas em 2011, 58,1% foram dispostos em aterros sanitários”, acrescenta Silva Filho, ao destacar que o índice evoluiu apenas 0,5% em relação a 2010. A geração per capita média do País foi de 381,6 kg por ano, valor 0,8% superior ao do ano anterior.
Outro dado da publicação diz respeito aos recursos aplicados pelos municípios para custear os serviços de limpeza urbana. Em 2011, a média mensal por habitante foi de R$ 10,37, o que equivale a um aumento de 4% se comparado a 2010. “É ainda um valor muito inferior ao mínimo necessário para garantir a universalização dos serviços, tendo em vista uma gestão baseada na hierarquia dos resíduos, conforme preconiza a PNRS”, alerta o diretor da ABRELPE. Dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, o que significa um aumento de 1% em relação a 2010.
Países discutem tratado sobre uso do mercúrio
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) participa de encontro que vai contribuir para a elaboração do tratado internacional de manejo do mercúrio. O evento é organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e ocorre, durante esta semana, em Brasília. Ao todo, representantes de 24 países da América Latina e da região do Caribe se reunirão com o objetivo de discutir e definir posicionamentos a respeito do assunto.
Realizadas no Hotel Nacional, as atividades fazem parte da Consulta Regional para América Latina e Caribe (Grulac) e antecedem a 4ª sessão do Comitê de Negociação Intergovernamental (INC 4), que ocorrerá em Punta del Este, no Uruguai, entre 27 de junho e 2 de julho. Os encontros regionais da África e da Ásia terminam na semana passada. A reunião do continente europeu está marcada para o fim do mês.
A consulta regional da América Latina e do Caribe se estende até sexta-feira. O governo federal está representado nas negociações pelo Departamento de Qualidade Ambiental do MMA. O encontro, no entanto, começou na manhã desta segunda-feira com um workshop promovido pelo governo espanhol sobre o tema.
A intenção é produzir um tratado internacional sobre o uso de mercúrio. O documento deverá ficar pronto e ser apresentado na INC 5, evento de encerramento das negociações, previsto para ocorrer em janeiro do próximo ano, em Genebra, na Suíça.
Cresce geração de entulho
A edição de 2011 do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil chama atenção para um crescimento expressivo na geração de entulho. No ano passado, foram coletados pelos municípios mais de 33 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição, volume 7,2% maior que o registrado em 2011.
“As quantidades reais são ainda maiores, já que a responsabilidade para com esse tipo de resíduo é dos respectivos geradores e nem todos informam às autoridades os volumes sob sua gestão”, destaca o diretor da ABRELPE, ao frisar que o aumento do poder aquisitivo da população, entre outros fatores, vem contribuindo para esse crescimento, o que cria um problema de grandes proporções.
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