
O avanço da poluição em mananciais superficiais ou subterrâneos e o rigor das legislações ambientais estão obrigando as indústrias de materiais e equipamentos para tratamento de água e esgoto a irem em busca de tecnologias mais modernas e baratas.
Os sistemas convencionais abrangendo o ciclo da floculação – com sulfato de alumínio – decantação, filtração e desinfecção com cloro, que estão em todas as cidades brasileiras e na maior parte da América Latina, já são considerados ultrapassados.
Atualmente já estão sendo experimentados novos produtos para a floculação, como os compostos de tanino, que além de serem derivados de uma árvore (a acácia negra) geram menor quantidade de lodo e ainda assim, de melhor qualidade, não sendo considerado um resíduo perigoso. O dióxido de cloro vem se expandindo em substituição ao gás cloro que tem ainda o inconveniente de exigir extrema segurança no armazenamento.
Mas os top de linha, já em uso na Comunidade Européia e nos Estados Unidos, são a ultra ou nanofiltração com membranas e o uso do ozônio e do ultravioleta para a desinfecção.
O ciclo de renovação de tecnologias na área de tratamento de água no Brasil, no entanto, custa a se abrir. Um pouco por comodismo, mas também por falta de cobrança da população – que muitas vezes nem conta com água tratada seja de que espécie for – ou por questão de custo. Por isto estas tecnologias para ganharem mercado precisam ter versatilidade e custos competitivos.
E isto é o que promete a Dow Water & Process Solutions que está lançando no Brasil skids compactos de ultrafiltração (modulares) que podem ser adaptados a sistema convencionais para modernizar e aperfeiçoar o tratamento. “Sabemos que um ponto importante na adoção de uma nova tecnologia, como esta da ultrafiltração, é poder utilizá-la para melhorar os sistemas convencionais a um custo compatível” explica Renato Ramos, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa no Brasil.
Neste caso, os módulos podem ser adicionados em qualquer etapa do tratamento, ocupam pouco espaço, necessitam de menos peças e materiais, quando comparados aos modelos tradicionais, o que se traduz em custos menores, montagem mais rápida e menor área ocupada.
Segundo Ramos se hoje for implantada uma ETA com ultrafiltração certamente seu custo total será cerca de 40% menor do que o que seria gasto com um sistema tradicional.
Especificamente sobre o gosto e odor de algas na água ele recomenda a instalação de módulos de ultrafiltração para obtenção de um tratamento mais eficiente e lembra que a Portaria de Potabilidade – a 2.914 – proíbe o uso de algicidas como vinha sendo feito para minorar esse efeito na água tratada.
Atualmente existe uma ETA de membranas com tecnologia Dow funcionando na Ilha de Fernando de Noronha para a dessalinização da água pelo método da osmose reversa, além de outras em vários empreendimentos industriais que necessitam de água com qualidade mais avançada. Mas ainda não há nenhum projeto com a tecnologia de membranas abrangendo sistemas públicos de abastecimento de água no Brasil.
Luz do sol e suco de lima para sistemas simplificados
Está procurando por um método barato e eficiente para melhorar a qualidade de sua água?
De acordo com uma equipe de pesquisadores das escolas de Medicina e de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg a luz do sol e um suco de lima pode ser o truque. As pesquisas revelaram que acrescentando suco de lima à água que está tratada com o método de desinfecção solar são removidas bactérias como a Escherichia coli (E. coli) significativamente mais rápido do que a desinfecção solar sozinha. Os resultados estão publicados na edição de abril de 2012 do American Journal of Tropical Medicine and Hygiene.
“Para muitos países o acesso à água segura ainda permanece sendo um grande desafio. Estudos já realizados estimam que globalmente pelo menos 50% dos leitos de hospitais são ocupados por pessoas acometidas de doenças relacionadas com a água,” disse Kellogg Schwab, PhD, MS, autor do estudo, diretor do Programa Global de Água da Universidade Johns Hopkins e professor no Departamento de Meio Ambiente e Ciências da Saúde da Escola Bloomberg.
“Os resultados preliminares destes estudos mostram que a combinação da desinfecção solar com cítrico pode ser efetiva na grande redução dos níveis de E. coli em apenas 30 minutos, um tempo de tratamento semelhante a ferver a água ou outros métodos caseiros de tratamento. A adição de 30 mililitros de suco para cada 2 litros de água é suficiente e não acrescenta nem gosto e nem custo tão exorbitante”.
Em regiões de baixos ingressos, a desinfecção solar da água é um dos muitos tratamentos caseiros para reduzir a incidência das diarreias. Um método de desinfecção solar recomendado pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) é conhecido como SODIS (Solar water Disinfection). Este método requer encher 1 ou 2 garrafas PET com água e expor à luz solar por pelo menos 6 horas. Com tempo encoberto, uma exposição de 48 horas é necessária para obter uma desinfecção adequada.
“Muitas culturas já adotavam a adição de sucos, talvez indicando que se tornaria mais acessível para usuários do SODIS do que outros aditivos como TiO2 [titanium dioxide] ou H²O²[hydrogen peroxide],” sugere o autor do estudo.
Entretanto, eles são cautelosos, “pesquisas adicionais devem ser feitas para avaliar o uso de limão porque a lima da Pérsia é difícil de ser encontrada em algumas regiões”.
Fonte: Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

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